terça-feira, 12 de abril de 2016

Presidente da Fifa falta a sorteio da Rio-2016 e escancara racha com a CBF

(Foto: Reuters)


O presidente da Fifa, Gianni Infantino, não vai participar do sorteio dos grupos do futebol para os Jogos Olímpicos de 2016, na manhã da próxima quinta-feira (14), no auditório do Maracanã. A ausência do suíço é especialmente relevante porque escancara uma crise de relacionamento entre a cúpula da entidade internacional e o atual comando da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Eleito em fevereiro para substituir Joseph Blatter, que se afastou do cargo em meio a um escândalo de corrupção, Infantino não mantém qualquer relação com a CBF. O único encontro do dirigente com a entidade aconteceu em março, em Assunção, durante visita do presidente da Fifa à América do Sul – o Brasil, aliás, não foi incluído no roteiro. Na ocasião, o vice-presidente Fernando Sarney representou a confederação nacional.

Oficialmente, a CBF diz que foi um "bom encontro" e que a falta de contato com Infantino deve-se apenas à agenda apertada do presidente da Fifa. Contudo, fontes ligadas à gestão da instituição brasileira admitem que essa é uma situação de difícil solução: é necessário manter relações diplomáticas com o mandatário da entidade que comanda o futebol mundial, mas não há hoje um dirigente capaz de estreitar esse contato.

O distanciamento tem a ver com a crise institucional da CBF. Marco Polo del Nero, presidente da entidade nacional, foi denunciado pela Justiça dos Estados Unidos após investigação do FBI sobre contratos do futebol internacional e passou apenas dois dias no cargo entre dezembro de 2015 e a última segunda-feira (11).

Del Nero pediu licença da CBF em 3 de dezembro de 2015 e deixou em seu lugar o vice-presidente Marcus Vicente. Voltou ao cargo no dia 5 de janeiro, após ter desaprovado atitudes do sucessor, apenas para articular candidatura do Coronel Antonio Carlos Nunes a uma das vice-presidências da entidade.

Como vice mais velho, Nunes passou a ser substituto estatutário de Del Nero, que deixou a presidência novamente no dia 7 de janeiro a fim de se concentrar em sua defesa na Justiça norte-americana. Extremamente ligado ao mandatário eleito, o coronel foi escolhido para ocupar o comando da CBF durante o recente afastamento do comandante.

A falta de relação entre CBF e Fifa decorre dessas sucessivas mudanças na entidade local. Também pesam os processos ainda vigentes de apuração em torno de dirigentes brasileiros – Ricardo Teixeira, José Maria Marin (que cumpre regime de prisão domiciliar) e Marco Polo del Nero, os últimos três presidentes eleitos na entidade nacional, estão entre os nomes denunciados pelo FBI.

Em março, a Fifa acionou a Justiça dos Estados Unidos para cobrar indenizações de dirigentes que teriam obtido dinheiro irregularmente usando a entidade. A entidade pediu que Teixeira, Marin e Del Nero devolvessem um total de US$ 5,3 milhões (R$ 19,2 milhões) caso sejam condenados.

Existe ainda uma questão envolvendo as finanças do COL (Comitê Organizador Local) da Copa de 2014, que foi realizada no Brasil. Contas da entidade passam atualmente por escrutínio de uma auditoria contratada pela Fifa para avaliar se houve desvio de dinheiro. Isso tem travado repasses do fundo de legado do Mundial, estimado em US$ 100 milhões.

UOL Esporte