segunda-feira, 30 de maio de 2016

Brasil mostra três times para a Copa América: como será cada um deles?

O amistoso da seleção brasileira contra o Panamá em Denver, nos Estados Unidos, no domingo (29), terminou com vitória magra por 2 a 0, mas mostrou muito daquilo que o técnico Dunga apresentará na Copa América. Ao longo de 90 minutos, o Brasil mostrou três esquemas táticos - um deles totalmente novo - e indicou as possibilidades defensivas e ofensivas que terá para a Copa América, que começa na sexta-feira.

Time que defende e ataca com influência corintiana

A seleção brasileira que começou o amistoso contra o Panamá é aquela que deverá iniciar a Copa América: time montado no 4-1-4-1, com Luiz Gustavo à frente da linha de zaga, uma linha de quatro meio-campistas com Willian e Philippe Coutinho nas pontas, e Elias e Renato Augusto no centro.

A dupla central emula aquilo que fez no título brasileiro do Corinthians, em 2015, sob o comando de Tite. Enquanto Luiz Gustavo protege o setor, atrás, Elias e Renato Augusto se revezam entre aquele que acompanha os movimentos ofensivos e aquele que guarda a posição, com postura mais defensiva. Não é possível definir quem é o segundo volante entre os dois, pois a troca de função é constante neste esquema.

O time que começou o jogo teve: Alisson; Daniel Alves, Gil, Miranda e Douglas; Luiz Gustavo; Willian, Elias, Renato Augusto e Philippe Coutinho; Jonas.

Teste no 4-4-2: o time mais ofensivo de Dunga

Desde que voltou à seleção brasileira, Dunga jamais havia mostrado uma alternativa tão ofensiva quanto à que mostrou na volta do intervalo do amistoso contra o Panamá. O placar marcava 1 a 0, o Brasil jogava bem, mas mesmo assim o treinador decidiu tirar Luiz Gustavo, que protegia a zaga, para fazer entrar Hulk.

Desmontou o 4-1-4-1, transformou Elias e Renato nos homens mais defensivos do meio, deixou Willian e Coutinho nas pontas, e colocou Hulk como segundo atacante, atrás de Jonas. Depois da partida, explicou: "Equipe do Panamá estava muito atrás, então um homem do meio [Luiz Gustavo] ficou um pouco sem função. Colocamos dois atacantes, mas até o momento nunca tínhamos jogado com dois mais enfiados. Propusemos essa alternativa porque era o único jogo onde poderíamos tentar isso", falou, em entrevista após a partida.

A alternativa obviamente expõe mais a defesa do Brasil, mas deu boa chegada ao Brasil. Hulk, jogando pelo centro e não na ponta, teve grande chance de marcar de cabeça no início do segundo tempo e perdeu o gol.

4-2-3-1 ofensivo, mas com menos velocidade

Passados alguns minutos do segundo tempo, Dunga decidiu desmontar novamente a formação tática e passou do 4-4-2 para o 4-2-3-1. Em mudança dupla, tirou Jonas e Willian e colocou a dupla santista, Lucas Lima e Gabigol. Com isso, manteve Elias e Renato Augusto como homens mais defensivos do meio de campo, mas puxou Hulk à ponta direita depois da saída de Willian, centralizou Lucas Lima como armador e deixou Gabigol na frente, como falso 9, quando Coutinho, na ponta esquerda, ainda estava em campo.

"Depois colocamos um jogador atrás do atacante, que era o Lucas Lima, que sabe quebrar linhas", falou Dunga, que por fim mexeu pela última vez no setor ofensivo ao trocar Coutinho por Kaká. A diferença completa de características entre o meia do Liverpool e o veterano que hoje atua no Orlando City, dos Estados Unidos, muda também, a forma como o time joga.

Para Dunga, há benefícios em perder a velocidade de Coutinho para ter um time que tenha mais controle do jogo a partir de Kaká."Tivemos o Kaká, jogador que tem um passo diferente, a equipe fica mais encorpada", falou o treinador.

Conclusão: "Nosso leque aumentou"

Dunga descreveu cada proposta tática depois da partida e afirmou que as escolhas do comando da seleção brasileira se mostram acertadas quando se pode ver um leque maior de opções para montar o time.

"Acho que o leque abriu mais e as convicções se confirmaram. Se nós trouxemos mais jogadores para abrir esse leque e os jogadores corresponderam, quer dizer que nosso leque aumentou. Dependendo do adversário temos outras opções para colocar em campo", falou. "Algumas coisas saíram como treinamos, outras temos que melhorar", completou.

Do que mostrou contra o Panamá, Dunga dá indícios que apostará no 4-4-2 com Hulk e Jonas, ou até Gabigol e Jonas, caso tenha que enfrentar um adversário com postura extremamente defensiva - mostrou que está disposto a tirar Luiz Gustavo, um de seus homens de confiança, para isso. Outra demonstração é que pode voltar ao 4-2-3-1, mas já está disposto a trabalhar o velho esquema tático com Renato Augusto e Elias como volantes. 

UOL Esporte