terça-feira, 10 de maio de 2016

Rio-16 anunciou 7,5 milhões de ingressos à venda. Agora já diminuiu a conta

(Foto: Felipe Dana/AP)


A promessa de colocar à venda 7,5 milhões de ingressos para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro não conseguirá ser cumprida pelo Comitê Organizador. Pontos cegos em arenas e mudanças nos projetos originais das instalações farão com que o número total de bilhetes fique abaixo do projetado inicialmente, em março do ano passado, quando teve início a comercialização.

Até o momento, o Comitê colocou no mercado brasileiro e no exterior um total de 5,7 milhões de ingressos e tem feitos novas liberações a cada semana, mas já admite que será impossível chegar ao total anunciado.

"Não vamos chegar aos 7,5 milhões. Quando fizemos este anúncio não tínhamos nem arenas construídas. Era uma projeção feita com base em desenhos e existe uma grande diferença entre projetar e construir. Por isso pode haver esta variação. Os projetos dos Jogos são vivos e adaptáveis. Mas estamos nos esforçando para disponibilizar aos brasileiros o maior número possível de entradas. Só teremos ideia do número total ao fim dos Jogos", afirmou ao UOL Esporte Donovan Ferreti, diretor de ingressos da Rio-2016.

Um caso que ilustra bem a fala de Ferreti é o Estádio Aquático, inaugurado em abril no Parque Olímpico. A construção de quatro pilares para dar sustentação à cobertura inutilizou 1.250 assentos. No total, são 15 sessões, o que impede a venda de 18.750 entradas.

"Só estamos vendendo ingressos que deem ao espectador 100% de visão do campo de jogo. E isso só conseguimos saber quando a arena está construída", explicou Ferreti.

Outra situação que comprova a mudança nos cálculos foi a opção por não construir uma arquibancada flutuante para as provas de remo, que teria capacidade para 4 mil espectadores. Em oito sessões, seriam 32 mil entradas a mais disponíveis. A decisão foi tomada pelo Comitê Organizador para enxugar o orçamento.

"Isso exemplifica quanto é vivo e adaptável o projeto", disse Ferreti. "Temos feito visitas semanais às arenas para ver as novas liberações que poderemos fazer da nossa contingência", completou.

Diretor de comunicação dos Jogos, Mario Andrada, afirmou ao UOL Esporte que esta diminuição do número total de ingressos reduzirá também a arrecadação prevista com a venda de tíquetes, mas não informou o valor.

Ainda restam 2,2 milhões de ingressos à venda

A pouco menos de três meses da abertura dos Jogos, ainda estão disponíveis 2,2 milhões de entradas das 5,7 milhões colocadas à venda. Deste total, 1 milhão são referentes às partidas de futebol masculino e feminino que serão disputadas também em Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, Brasília e Manaus.

"São estádios grandes, por isso este número elevado (de bilhetes ainda disponíveis). Mas esta venda vai acabar acontecendo. Claro que às partidas não são comparáveis às da Copa do Mundo, mas teremos aqui no Brasil grandes estrelas tanto no masculino quanto no feminino", afirmou Ferreti.

Com o início do revezamento da tocha há uma semana e a passagem por 327 cidades brasileiras até a cerimônia de abertura, Ferreti acredita que haverá aumento do interesse da população.

Além disso, no começo de junho o Comitê abrirá bilheterias em diversos pontos do Rio de Janeiro e das cidades-sede e espera turbinar as vendas.

"Ainda temos ingressos com preços muito acessíveis. No futebol, há entradas por R$ 20 e em outros esportes é possível pagar apenas R$ 40", afirmou.

As vendas estão bem abaixo das realizadas há quatro anos, nos Jogos de Londres. Na ocasião, foram disponibilizadas 8,5 milhões de entradas e 8,2 milhões foram comercializadas.

UOL Esporte