sexta-feira, 8 de julho de 2016

Rio vai gastar até R$ 1,1 bilhão com Parque Olímpico após Olimpíada

(Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)


A Prefeitura do Rio de Janeiro vai gastar até R$ 1,1 bilhão no Parque Olímpico da cidade nos anos seguintes ao fim da Rio-2016. O montante vai bancar adaptações que serão feitas no espaço após a Olimpíada e, principalmente, a manutenção de cinco arenas esportivas construídas para o megaevento esportivo pelos próximos 25 anos.

Nesta segunda-feira (4), foi lançado um edital de concessão do Parque Olímpico com o objetivo de garantir a utilização do espaço pós-Jogos. Nele, a prefeitura já informou que está disposta a pagar até R$ 819 milhões ao futuro administrador do Parque Olímpico para que ele zele pelo Centro Olímpico de Tênis, o Velódromo Olímpico e pela Arena Carioca 1, 2 e 3. O valor será pago em parcelas mensais de até R$ 2,7 milhões, totalizando mais de R$ 32 milhões por cada um dos 25 anos de serviços prestados.

Além disso, a empresa que assumir a administração do parque receberá até R$ 342 milhões para que desmonte duas arenas temporárias construídas no Parque Olímpico (Arena de Handebol e Centro Aquático) e para que realize algumas obras necessárias para viabilizar projetos de legado idealizados pela prefeitura.

O Parque Olímpico do Rio a maior área de competições dos Jogos de 2016 e fica na Barra da Tijuca. Até agora, sua infraestrutura e a construção de suas arenas já custaram, juntas, mais de R$ 2,4 bilhões. Disso, ao menos R$ 1,3 bilhão vieram diretamente dos cofres do município e do governo federal. Todo esse investimento, contudo, não inclui a manutenção das arenas esportivas do parque após a Rio-2016.

Para suprir essa necessidade é que a prefeitura lançou o edital de concessão. A concorrência vai selecionar uma empresa ou um grupo de até três companhias para administrar a área depois dos Jogos Olímpicos.

Centro de treinamento e escola com vocação esportiva

Quem assumir a gestão das arenas do Parque Olímpico terá que transformar os espaços num centro de treinamento de esportes olímpicos. O centro terá também uma escola municipal e uma arena dedicada a shows ou outros eventos.

O COT (Centro Olímpico de Treinamento) utilizará basicamente a Arena Carioca 1 (casa do basquete na Rio-2016), a Arena Carioca 2 (do judô) e o Velódromo Olímpico (do ciclismo). De acordo com o edital de concessão do Parque Olímpico, a Arena Carioca 1 já foi construída para que seja multiuso, ou seja, para que também esteja preparada para festas, por exemplo.

A Arena Carioca 3 (do taekwondo e esgrima) é a instalação olímpica que deverá ser convertida em escola municipal. A prefeitura planeja instalar no espaço um Ginásio Experimental Olímpico, o qual atenderá cerca de 850 estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

Já o Centro de Tênis deverá ser mantido para que esteja preparado para servir atletas olímpicos e paraolímpicos ou receber grandes eventos da modalidade. Na Olimpíada, o espaço terá 16 quadras. A prefeitura espera que oito delas sejam preservadas depois da Rio-2016 para o local possa receber torneios como um ATP 1000, um dos principais do circuito internacional do esporte.

Fora isso, a empresa que assumir a administração do Parque Olímpico terá de manter uma pista de atletismo que será construída no Parque Olímpico após a Olimpíada e erguer ao lado dela um alojamento para atletas, assim como estruturas necessárias para treinamento de praticantes de tiro com arco.

Exploração comercial e naming rights

O edital de concessão do Parque Olímpico prevê ainda que o administrador da área tenha o direito de explorar comercialmente as arenas esportivas e até vender os naming rights dos espaços. Por meio de contratos de naming rights, empresas poderão batizar arenas olímpicas com seus nomes em troca de dinheiro. A prefeitura estima que a concessionária do parque ganhe R$ 2 milhões por ano com esses acordos.

O aluguel das arenas para eventos esportivos e shows deve render outros R$ 17 milhões por ano à futura administradora do Parque Olímpico. Só o COB (Comitê Olímpico do Brasil) também deve repassar R$ 13 milhões por ano à concessionária para que atletas olímpicos possam usar as arenas construídas para a Olimpíada.

Levando em conta custos e receitas estimadas, a prefeitura espera que o futuro administrador do Parque Olímpico lucre cerca de R$ 8 milhões por ano, livres de impostos, com a concessão. Por contrato, a prefeitura terá direito a receber todo ano 5% da receita operacional gerada pelas arenas olímpicas. Isso daria cerca 3 milhões por ano, ou seja, cerca de 10% do que o município pagará à concessionária.

No próximo dia 4, a prefeitura receberá as propostas das interessadas no negócio. A empresa que se prestar a fazer os serviços pelo menor preço leva a concessão. 

UOL Esporte