domingo, 14 de agosto de 2016

Melhor do mundo! Larissa é decisiva, Brasil sofre, mas está nas semifinais

(Foto: Adrees Latif/Reuters)


Talita que me desculpe, mas vamos falar de Larissa. O que é Larissa jogando vôlei de praia? A até então perfeita dupla brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio sofreu nas quartas de final. Sem perderem um set há 11 partidas, elas encontraram - muita - resistência em Heidrich e Zumkehr. As suíças não se importaram para o favoritismo adversário, para o barulho na Arena de Copacabana, para nada. Mas do outro lado tinha Larissa. Genial, a capixaba foi incrível. Nos momentos de pressão, chamou para si, apresentou um vasto repertório e colocou o Brasil na semifinal da Olimpíada do Rio: 2 a 1, com 21/23, 27/25 e 15/13.

Entre aces, ataques potentes, largadinhas e bolas de segunda, foram incríveis 32 pontos de Larissa. E o público que lotou a arena de Copacabana soube reconhecer a atuação de gala. Ao término da partida, o locutor oficial deu a deixa e a galera respondeu: melhor do mundo! - título que recebeu da FIVB no ano passado. A capixaba, então, assumiu o comando da festa, pegou o microfone e comemorou:   

- Isso aqui está fantástico. Quero agradecer muito o apoio de todos vocês. Estão trazendo muita energia para dentro de quadra. Hoje é especial, é dia dos pais. Quero desejar um feliz dia a todos, principalmente os pais da minha família! Valeu!!!   

Pouco depois, na zona mista, Larissa fez seu papel de capitã e tratou de levantar o astral de Talita. No lugar de chamar para si, dividiu erros e acertos com a companheira e se cobrou para ser ainda melhor na semifinal: 

- Jogamos em conjunto. Acho que eu podia ser melhor. Podia ter ajudado mais. Foi um momento tenso, tentei acalmá-la, tentei dizer que iria dar tudo certo. Jogar em conjunto. O meu acerto é o acerto dela. O erro dela é o meu erro. Acho que o ponto é nosso, sempre, independente do acertou ou do erro. Eu me cobro muito em relação a isso. Temos sempre que melhorar e quero jogar melhor na semifinal.

Agora, Larissa e Talita jogam por um lugar na decisão contra a surpresa alemã Ludwig/Wikenhorst (que eliminou a dupla canadense Pavan/Bansley), terça-feira, em horário indefinido. Ainda neste domingo, porém, Agatha e Bárbara Seixas buscam um lugar na semifinal contra Birlova e Ukolova, da Rússia, às 23h.

ONZE JOGOS DEPOIS, UM SET PERDIDO

Ponto para lá, ponto para cá. O primeiro set foi suficiente para deixar o torcedor que chegou animado a Copacabana saber que as brasileiras não teriam vida fácil para avançar às semifinais. As suíças saíram na frente, Larissa e Talita viraram para 4 a 1, mas um pedido de tempo fez com que Heidrich e Zumkehr deixassem o placar igual rapidinho.

Talita vacilava na recepção, mas ia bem no bloqueio, e o Brasil seguiu na frente até o placar apontar 9 a 9. Com as suíças na dianteira, a torcida entrou no jogo com vaias e gritos de Brasil. Eram as europeias, porém, que comandavam o marcador. Incansável, Larissa marcou até ponto de bloqueio para deixar a dupla viva, mas no terceiro set point Heidrich e Zumkehr fecharam em 23 a 21. Nem o pedido de desafio por toque na rede deu jeito, era o fim da série de 11 partidas sem perder uma parcial sequer.

Larissa e Talita comemoram vitória e pegam as alemãs na próxima terça-feira (Foto: AP)
O roteiro de tensão se repetiu no segundo set, e o início também. O Brasil abriu 4 a 1, permitiu o empate, e foi uma troca de vantagens até o ponto final. A Suíça manteve a calma até o décimo-segundo ponto, quando engatou e virou para 13 a 12. A vantagem de dois pontos permaneceu até o 19 a 17, quando Larissa, em grande noite, enlouqueceu a arena com ace que colocou igualdade no placar. Que jogão! Heidrich e Zumkehr, por sua vez, não se abatiam com a gritaria e se aproximavam da vitória.

Um, dois, três match points! Todo mundo tenso em Copacabana, e Larissa e Talita continuavam vivas. Até que o jogo virou, era a hora das brasileiras decidirem. E nada da bola tocar a areia da praia. Um, dois...três! No terceiro, Talita bloqueou e levou a partida para o tie-break. Loucura no Rio de Janeiro! A arena era uníssona: "Lêleleô, Brasil!".

No tie-break, para variar, Larissa assumiu o protagonismo. As suíças começaram melhor, abriram 4 a 2, e foi a capixaba que levou o Brasil ao empate com um ace: 4 a 4. A pressão do torcedor, enfim, começou a surtir efeito, e Zumkehr acertou a rede em saque. Com uma linda largadinha, Larissa manteve a equipe na frente. Com uma atuação daquelas e a torcida ensandecida, não tinha mais como perder: 15 a 13 e uma vaga suada na semifinal.

Globo Esporte