sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Natação do Brasil depende de prova imprevisível para atingir meta na Rio-16

(Foto: Dominic Ebenbichler/Reuters)


A meta realista de CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) e COB (Comitê Olímpico do Brasil) para a natação brasileira na Rio-2016 era conseguir ao menos um pódio na piscina do Estádio Aquático Olímpico, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca. Nesta sexta-feira (12), todo o peso desse plano estará sobre as costas de Bruno Fratus, 26.

E é justamente por causa das costas que o principal velocista do país teve de fazer tratamento intensivo e remodelar a fase final da preparação para os Jogos. Após ter passado os últimos meses na briga com um problema na região lombar, Fratus carregará umas das últimas reais esperanças nacionais na modalidade e tentará cumprir expectativas nos 50 m livre, a prova mais imprevisível da natação, cuja final está marcada para esta noite.

O francês Florent Manaudou, 25, é o atual campeão olímpico e mundial da prova. No entanto, os dois outros componentes do pódio de Londres-2012 eram o norte-americano Cullen Jones e o brasileiro Cesar Cielo, que nem sequer chegaram à Rio-2016. Dos oito finalistas dos 50 m livre em Kazan-2015, três (o russo Vladimir Morozov, o italiano Marco Orsi e o grego Kristian Gkolomeev) também estão fora da briga pelo ouro neste ano, o que ratifica a rotatividade da disputa.

Outro fator que contribui para a imprevisibilidade dos 50 m livre na Rio-2016 é o desempenho dos nadadores. Entre os dez melhores tempos da distância no planeta neste ano, sete foram registrados em eliminatórias ou semifinal no Estádio Aquático Olímpico. Fratus avançou à decisão com 21s71, oitava marca do mundo na temporada.

“Da raia 1 à raia 8, todo mundo tem uma chance. Todo mundo começa na mesma linha, e essa é uma prova em que tudo pode acontecer”, analisou Fratus. Medalhista de bronze dos 50 m livre no Mundial de 2015, o brasileiro manteve-se entre os dez primeiros do planeta na distância em todo o ciclo após Londres-2012.

Naquela edição dos Jogos Olímpicos, a prova final dos 50 m livre foi uma frustração para Fratus. O brasileiro completou o percurso em 21s61 e ficou com o quarto lugar. O compatriota Cesar Cielo, medalhista de bronze, fez 21s59.

Até aquela altura, Cielo era soberano na prova rápida em âmbito nacional. Fratus seguiu consistente, mas só destronou o medalhista de ouro de Pequim-2008 no ano passado, quando venceu um duelo entre os dois no Troféu Maria Lenk e coletou sua primeira medalha em Mundiais (bronze em Kazan) ao nadar a prova em 21s37, recorde pessoal.

O processo evolutivo de Fratus, contudo, foi interrompido neste ano. O nadador teve um problema lombar na época do Troféu Maria Lenk, em abril. Ligou sinal de alerta de CBDA e COB, que enviaram médicos para Auburn (Estados Unidos), onde o atleta vive, para tentar acelerar o tratamento.

Nesse período, segundo dirigentes das duas entidades, uma decisão de Fratus teve papel determinante. O brasileiro fez todo o tratamento indicado para a região lombar, mas disse que gostaria de perder o menor número possível de sessões de treino.

“Não tenho mais 17, né? Quando você fica dando paulada no corpo todo dia sendo atleta de alto rendimento, alguma coisa vai reclamar. Mas agora eu estou bem, e essas dores são parte da rotina. Lidar com lesão, machucadinho e contratura é normal no dia a dia. Calhou só de chegar num timing bem ruim neste ano. Em toda temporada eu tenho alguma coisa, mas neste ano foi bem no Maria Lenk. Agora eu estou bem”, avisou o nadador.

Funcionários do estafe técnico da CBDA também dizem que Fratus está totalmente recuperado. Aliás, melhor do que recuperado: como optou por um tratamento menos radical e quis continuar treinando, o brasileiro teve de fortalecer drasticamente as costas e a região abdominal. Como consequência, chegou à Rio-2016 com o abdômen muito mais “rasgado” do que o normal.

A final disputada por Fratus será a sexta da natação brasileira na Rio-2016. O país igualou seu maior número de provas decisivas em Jogos, que havia sido registrado em Pequim-2008, mas tem registrado desempenho bem inferior ao de anos passados. A delegação nacional não passa uma edição olímpica da modalidade sem conseguir uma medalha sequer desde Atenas-2004.

UOL Esporte