Ponto de Opinião: O legado das Olimpíadas para os atletas

Ágatha e Bárbara recebem a prata no vôlei de praia (Foto: Petr David Josek/AP)


A derrota de Ágatha e Bárbara na final do vôlei de praia contra a dupla alemã deixou mais evidente um problema que vem sendo escancarado desde o começo dos Jogos Olímpicos do Rio: a falta de apoio e incentivo para a carreira esportiva no Brasil.

Enquanto “batíamos recordes” de boas participações na esgrima, handebol e polo aquático, sofríamos com derrotas no judô, natação, vôlei e futebol, que são esportes mais valorizados (dentro do possível) do que outras modalidades não comuns no país. Mesmo com a estrutura de primeiro mundo montada para as Olimpíadas, as apresentações não chegaram à altura. 

Deixo claro que não critico os atletas, que deram seu suor e sua garra para representar o Brasil, mas critico a falta de incentivo e patrocinadores e boa estrutura para treinos e para o desenvolvimento do esporte. O governo bem que tentou mostrar ao mundo que o esporte é valorizado no país, mas os atletas deixaram claro que isso não acontece na prática.

Um dos exemplos desse desleixo foi o ginasta Arthur Nory. Mesmo que o caso de racismo do atleta tenha repercutido mal em sua carreira, o ginasta deixou claro em entrevista para a imprensa, que não teve patrocinadores para chegar a Rio 2016 e que superou o episódio e abdicou de várias coisas em sua vida para alcançar seu objetivo nos Jogos.

No atletismo, Thiago superou favoritismo de francês (Foto: REUTERS/Edgard Garrido)

Torcida

Os torcedores fizeram sua parte em todas as competições. Demonstraram sua admiração pelo esporte, sua gratidão por estarem representados por atletas de alto calibre como Arthur Zanetti, Sheila e Flávia Saraiva, e foram decisivos na hora de alguns resultados brasileiros. 

Por outro lado, a “pressão” pela Olimpíada “no quintal de casa” fez com que alguns atletas fossem vencidos pelo inacreditável. Casos como o bronze de Rafael Silva, o Baby, que podia muito bem ter chegado à final do judô, ou a seleção feminina de vôlei, que foi superada pela China. A pressão por ser "em casa" pode ter sido um fator importante, e isso precisava ter sido trabalhado, o que ficou evidente que foi ignorado pelos treinadores e confederações de cada esporte.

Estamos chegando ao final dos Jogos e a pretensão de alcançar o top 10 entre as melhores seleções está longe de acontecer. Na atual situação, com três ouros, precisaríamos alcançar sete medalhas para figurar no top 10 (a Austrália, décima colocada no quadro de medalhas, tem sete ouros), mas ainda estamos longe de ter a maior campanha das Olimpíadas, competindo em casa.

Assim, o Brasil precisa olhar melhor para o seu esporte, pois os Jogos deixaram claro que temos potência para brigar por mais medalhas e até mesmo em esportes que nunca antes pensávamos em algo como a esgrima, a canoagem, o handebol, o polo aquático, o hóquei sobre grama e o hipismo. Falta um cuidado melhor com esses atletas que deram a cara a tapa na Rio 2016. Porque mesmo com toda essa potência esportiva, insistimos em dizer que a medalha de ouro no futebol masculino era a mais importante. Pode até ser que consiga a sonhada medalha dourada, mas o Brasil de hoje não é feito apenas do futebol, é feito de guerreiros.

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