sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Terezinha Guilhermina: falta de emprego como psicóloga abriu espaço para vitoriosa carreira nas pistas

 (Foto: Getty Images/Julian Finney)


A velocista Terezinha Guilhermina é uma das maiores esperanças de medalha para o Brasil nos Jogos Paralímpicos. Dona de dois ouros no atletismo em Londres 2012 e um em Pequim 2008, ela pretende aumentar a coleção de medalhas no Rio de Janeiro. Mas a história da atleta seria bem diferente se, há 16 anos, tivesse conseguido um emprego logo após se formar em psicologia. 

"É difícil conseguir um emprego logo após terminar a faculdade", recorda Terezinha, em entrevista ao site do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês). "O governo da minha cidade começou um programa de esportes para pessoas com deficiência, e eu decidi tentar", conta a mineira de Betim, relembrando seu início no atletismo, quando tinha 22 anos. 

O atletismo, porém, não foi a primeira escolha, segundo relembra a brasileira. "Eu tentei a natação primeiro, porque já tinha um maiô, mas não tinha dinheiro para comprar tênis de corrida. Como eu queria correr, contei a história para minha irmã e ela me emprestou os tênis dela." 

Hoje velocista, Terezinha conta que a primeira prova que disputou foi a dos 5000m. E terminou em segundo lugar, o que lhe valeu um prêmio de R$ 80. "Quando recebi meu prêmio, eu me senti milionária", diz ela, que lembra muito bem o que comprou com a primeira receita proveniente do esporte. "Fui ao mercado e comprei meu iogurte favorito. Quando eu era pequena, meus pais não tinham condição de comprar." 

Dois anos depois, em 2002, veio a estreia internacional da atleta, então já adaptada às provas de velocidade, os 100m, 200m e 400m rasos. O sucesso veio rápido, e hoje ela é uma das mais premiadas para-atletas do Brasil. Já tem no currículo seis medalha Paralímpicas, sendo três ouros, uma prata e dois bronzes. 

Aos 37 anos, Terezinha conta que tem treinado ainda mais que o habitual para os jogos Rio 2016. Segundo ela, só assim é possível desafiar os rivais mais jovens. "Quando comecei, eu tinha 22 anos. Hoje, meus rivais têm 18 anos e fazem tempos excelentes", analisa.

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