terça-feira, 16 de agosto de 2016

Thiago sucumbia à pressão em grandes torneios. No maior deles, levou o ouro

(Foto: AP Photo/Matt Slocum)


Thiago Braz dormiu campeão olímpico, mas quem olhasse seu histórico dificilmente iria prever esse desfecho. Promessa do salto com vara desde a adolescência, o agora medalhista de ouro tinha um incômodo currículo de maus resultados em grandes competições. Era como se um torneio de peso, como um Mundial ou até mesmo um Pan, abalasse o brasileiro. Na maior competição da sua vida, ele contrariou tudo isso, melhorou em 11 cm sua melhor marca pessoal e bateu o melhor do mundo.

“Meu dia foi muito especial. Uma pessoa na qualificação falou que o salto que eu fiz foi um milagre. Eu confirmei o milagre de Deus que foi a final”, disse Thiago Braz, sem conseguir explicar muito bem o motivo da mudança.

Prata nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2010 e ouro no Mundial Júnior de Atletismo em 2012, Thiago nunca tinha repetido os bons resultados nas principais competições. Foram dois Mundiais adultos com eliminações na fase classificatória e até no Pan, teoricamente menos concorrido, ele errou os três saltos que tentou em Toronto, em 2015.

O retrospecto colocava em xeque a capacidade de Thiago brigar por medalha na Rio-2016, ainda que seus resultados fossem animadores. Em competições menores, o brasileiro já tinha chegado a saltar 5,92 m no outdoor e um centímetro acima disso em locais fechados. As marcas o colocavam, em tese, na briga por uma medalha, mas havia dúvidas sobre sua capacidade de repeti-las.

Seu desempenho nas eliminatórias foi uma prova disso. Thiago errou os dois primeiros saltos de sua participação, com o sarrafo a 5,45 m. No começo da disputa, ele estava com as costas na parede, já que mais um erro custaria a eliminação. Ele reagiu aumentando a altura para 5,60 m, acertou e foi à decisão.

No palco mais importante da sua carreira, ele superou nomes como o campeão mundial de 2015, o canadense Shawnacy Barber, e o americano Sam Kendricks, um dos melhores do ranking neste ano. Na decisão do ouro, bateu Renaud Lavillenie, ouro em Londres-2012 e maior força da modalidade no momento. A surpresa causada foi tão grande que os estrangeiros não sabiam sequer como chamá-lo, literalmente.

“Thiago, me desculpe te perguntar isso, mas a organização da prova te chama de Braz da Silva. Qual sobrenome você prefere usar?”, disse um jornalista europeu ao fim da coletiva do campeão, repetindo uma questão que já havia sido feita por outros colegas estrangeiros anteriormente. 

UOL Esporte