sexta-feira, 23 de setembro de 2016

‘Maravilhosa sensação de que não era sonho’, diz professora voluntária na Rio 2016

Silvia com a equipe feminina de vôlei sentado (Foto: Arquivo pessoal)


Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro trouxeram grandes emoções e conquistas para o Brasil, além de deixar muitas saudades nos corações daqueles que de alguma forma cooperaram para a realização do evento. Dentre essas pessoas, os voluntários foram apontados pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arhur Nuzman, como ‘heróis olímpicos’ destes Jogos, o primeiro realizado na América do Sul.


Saiba mais

No início de julho, o Blog do Esporte entrevistou a professora de educação física Silvia Helena Piantino Silveira, que leciona em duas universidades de Ribeirão Preto (SP) e foi selecionada como uma das voluntárias dos Jogos Paralímpicos. Em seu retorno a Ribeirão, Silvia reservou um tempo para conversar com o Blog e nos contar sobre os melhores momentos que passou no Rio de Janeiro. 

Acompanhe a entrevista com Silvia Piantino:

Blog do Esporte: Como foi sua chegada no Rio de Janeiro?

Silvia Helena Piantino: A chegada foi tranquila. Fui para o Rio muito feliz e com a certeza que estava indo viver um dos melhores momentos da minha vida.

Silvia com integrante do goalball masculino (Foto: Arquivo pessoal)

Blog: Houve algum treinamento antes dos Jogos?

Silvia: Sim, além da entrevista em julho de 2015, participei do evento-teste em maio de 2016 no Rio, trabalhando em um quadrangular masculino de goalball com o Brasil e três equipes de fora do Brasil, onde tivemos orientações e vivências muito importantes.


Blog: Quando você começou a trabalhar como voluntária? Em que partida?

Silvia: Dia 2 de setembro tivemos reunião com todos os representantes das diversas áreas que atuariam nas Paralimpíadas, com orientações diversas sobre segurança, saúde, locais de atuação, etc., além de palestra motivacional com todos os voluntários que atuariam na Arena do Futuro na modalidade de goalball. De 3 a 5 de setembro trabalhamos no reconhecimento da quadra e nos treinamentos das equipes e dia 8 foi a primeira partida masculina onde já comecei a atuar.


Blog: Quais eram suas funções?

Silvia: Trabalhei na quadra como equipe de apoio, fazendo as bandagens dos atletas, repondo bola, entrando com as equipes, dando todo o suporte para que o evento pudesse acontecer. Nossa equipe foi muito bem treinada e era feito rodízio nas funções, mas eu atuei mais bandando os olhos dos atletas, o que me proporcionou um contato direto com diferentes atletas de diferentes países.


Blog: Qual foi a sensação de participar da sua primeira partida como voluntária?

Silvia: A emoção existe desde que os Jogos Paralímpicos foram confirmados aqui no Brasil, com a certeza de que iria viver este momento mágico, mas quando o primeiro jogo aconteceu na Arena do Futuro e que foi com a equipe masculina do Brasil, tive a maravilhosa sensação de que não era sonho.


Blog: Como foi o tratamento de atletas, comissão técnica e organização com você nas Paralimpíadas?

Silvia: Foi tudo perfeito, fui com a consciência que trabalharia 8 horas por dia, que tudo era longe e precisava sair de casa duas horas antes para chegar ao Parque Olímpico e mais duas horas para voltar, tivemos um tratamento muito bom. 


Blog: Cite dois momentos inesquecíveis para você nos Jogos.

Silvia: A abertura foi maravilhosa, ali tive a certeza que estava começando as Paralimpiadas no Brasil e que somos capazes de fazer grandes eventos com a cara do Brasil. Quando conversava com espectadores, dentro dos transportes públicos que voltavam de algum jogo, eles diziam "que ninguém sai de uma partida das Paralimpiadas da mesma forma que entrou". Os Jogos Paralímpicos tocaram o coração do povo brasileiro e foi um sucesso absoluto.


Blog: Quais foram os sentimentos quando você terminou o trabalho nos Jogos?

Silvia: Sentimento de alegria estonteante, de dever cumprido e de gratidão por ter tido a oportunidade de viver o maior evento do planeta.


Blog: Na sua opinião, qual será o legado que os Jogos, tanto Olímpicos e Paralímpicos, deixarão para o Brasil?

Silvia: Para o Rio de Janeiro aconteceram muitas mudanças positivas na cidade, desde revitalização de espaços abandonados, o serviço de transportes melhorado e ampliado, além das escolas que serão construídas com materiais de algumas quadras e de diversos locais esportivos de ultima geração.

Para Silvia, Jogos foram um sucesso para o Brasil (Foto: Arquivo pessoal)