segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Ponto de Opinião: Os altos e baixos da temporada do Botafogo-SP

(Foto: Rogério Moroti/Divulgação)


Depois de mais um final de semana, a trajetória do Botafogo de Ribeirão Preto se encerrou na série C do Campeonato Brasileiro. Em  busca do acesso para a segunda divisão que não acontece desde os meados dos anos 2000, o tricolor não passou pelo ABC e estacionou em sua caminhada rumo a série B. Entre crises financeiras, rebaixamentos e problemas com a torcida, o Pantera finalmente voltou ao cenário nacional após conquistar o título da série D em 2015.

O ano de 2016 foi complicado ao clube logo no Campeonato Paulista. Poucas contratações, manutenção de alguns atletas, mas saída em massa de peças importantes do clube, como foi o caso de César Gaúcho, comandante do título em 2015 que foi deixado de lado na nova temporada, ou até mesmo o atacante Alemão, que foi desligado do clube por brigar com a torcida. O ano começou mesmo para o Botafogo após sobreviver ao descenso no estadual e se manter mais um ano na primeira divisão.

Quando a série C iniciou, a busca pelo acesso era prioridade pela diretoria e pedida pela torcida, já que a chave do time foi analisada como “fácil”. Fácil não foi, pois o clube se classificou em terceiro colocado no grupo B e chegou às últimas rodadas com possibilidade de ficar fora do mata-mata.

Após a classificação, mais uma vez foi analisado que o ABC seria um adversário mais “fácil” e que a classificação era claramente possível. O primeiro jogo entre as duas equipes, no Estádio Santa Cruz, foi nítido de como o Brasileiro deu certa “ilusão” ao tricolor. O ABC foi firme, segurou o empate e levou a decisão para Natal. Em casa, o ABC cresceu, venceu e deixou o Pantera pelo caminho.

O técnico Márcio Fernandes também teve dois extremos nessa temporada. Salvou o clube do rebaixamento do paulista, mas não alcançou o acesso, como tinha feito no ano passado com o Vila Nova de Goiás. A temporada no Brasileiro foi de rixa entre treinador e diretoria, esta que começou a vender novamente o elenco por atacado, justificando as dívidas do clube como principal motivo para as negociações. O torcedor protestou e a diretoria “fingiu que não ouviu”. 

No jogo contra o ABC, mais uma vez Fernandes se irritou com a arbitragem, que segundo ele, foi parcial perante alguns lances. No entanto, em jogos considerados mais “difíceis”, o Botafogo trabalhou apenas a defesa e sofreu contra Guarani, Boa Esporte, Juventude e Ypiranga, equipes que brigavam diretamente pelas quatro vagas na primeira fase. A culpa não é simplesmente da arbitragem pelos maus resultados. O clube se sustentou em teses “mirabolantes” e se esqueceu do verdadeiro futebol em campo.

A falta de planejamento foi nítida já no Campeonato Paulista, e se arrastou até o Brasileiro. O momento agora é de juntar os pedaços, já pensar em 2017 e renovar o clube, pois do jeito que está, a próxima temporada pode ser ainda pior, e o torcedor precisa cobrar mudanças realmente satisfatórias.