terça-feira, 29 de novembro de 2016

Crônica: Sonhos interrompidos

(Foto: Reprodução) 


10 de maio de 1973. Surgia a Associação Chapecoense de Futebol em uma cidade até então inexpressiva no futebol estadual. O amadorismo dominava a pequena cidade do oeste de Santa Catarina, que hoje possui quase 210 mil habitantes.

Quem diria que aquele time, esperança para o esporte da cidade, teria uma representação tão forte nos dias atuais. A “Chape” caminhou no mesmo ritmo de seus adversários, mas não foi párea para eles. Passou por cima como um rolo compressor, conquistou seu espaço no futebol catarinense e como um foguete ascendeu no futebol nacional.

Quem diria que após um período conturbado entre 2001 e 2006 a Chapecoense estaria onde está hoje. Não mais em nível estadual, mas continental. Nem os mais otimistas dos torcedores achariam que este crescimento seria tão rápido e tão glorioso. Como diz Milton Leite, mas revertendo seu velho bordão para o lado bom, “Que fase!”.

E que grande fase. Grande, gigante, poderosa, sul-americana e imparável. Potência de um futebol que está desencontrado, procurando seu rumo, procurando um meio de se reorganizar. Reorganização que agora chega a Chape, de modo doloroso, chocante, inacreditável e implacável.

Essa glória estava estampada no rosto de cada um desses jogadores que iam para a Colômbia. Estava no rosto de cada dirigente e comissão técnica que não acreditava que viajava para fora do Brasil rumo a uma final sul-americana. Estava no rosto dos jornalistas que acompanhavam uma festa verde e branca do sul do país. Infelizmente, acabou em um trágico acidente.

Este dia ficará marcado na história como um dia triste, sem brilho, apenas preto no branco e branco no preto. Um dia que será difícil de acabar, que não será fácil deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz. Não é fácil para ninguém e nem mesmo para o esporte mundial.

O momento é de oração, de vigília, de amor com o próximo, de externar mais ainda o amor pelo esporte, pelo futebol. O momento é esse, pois é o que nos resta, o que nos conforta, o que une um mundo inteiro em busca de respostas. Em busca de palavras para explicar todos esses sonhos que foram interrompidos. Nos faltam palavras para expressar este momento. Falta tudo.