quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Ponto de Opinião: Tecnologia mostra despreparo da Fifa com árbitro de vídeo

(Foto: Reprodução/Twitter)


A semifinal entre Atlético Nacional e Kashima Antlers, pelo Mundial de Clubes, teve um episódio a parte, no mínimo, curioso. A Fifa utilizou o árbitro em vídeo para analisar todos os tipos de lances da partida, o que provocou uma certa revolta por parte dos colombianos.


O lance aconteceu aos 31 minutos do primeiro tempo, quando Daigo foi derrubado na área por Berrío. O árbitro Viktor Kassai deixou o lance seguir, mas quase dois minutos depois da infração, ele foi avisado via rádio sobre o lance, foi chamado para rever a jogada e assinalou o pênalti, o que causou revolta nos jogadores do Atlético Nacional. Na cobrança, Shoma marcou para o Kashima.

A jogada foi analisada pelas emissoras de televisão após a “lambança” e mostraram, entretanto, o impedimento de Daigo no momento do cruzamento, mas que não foi assinalado pelo árbitro e nem marcado pelo recurso eletrônico.

De acordo com a Fifa, o árbitro de vídeo deve ser utilizado em apenas quatro situações: determinar se a bola entrou ou não em gol duvidoso; garantir que pênaltis incorretos sejam ou não assinalados; garantir que nenhum decisão equivocada resulte em cartão vermelho ou na não aplicação da punição; e a identificação correta de jogadores punidos com cartões vermelhos. Nas outras marcações, a responsabilidade é do árbitro e dos assistentes.

A discussão teve duas vertentes entre os comentaristas que participaram da transmissão do jogo. Arnaldo Cezar Coelho, da TV Globo, reclamou sobre a falta marcada e responsabilizou a Fifa pelo erro, chamando-a de irresponsável por introduzir este recurso no Mundial de Clubes.

Carlos Eugênio Simon, da Fox Sports, enxergou o lance de outra maneira, desconsiderando o tranco de Daigo e analisando que a bola vai para o jogador que está na mesma linha que Berrío, o que caracteriza apenas a marcação de pênalti.

A impressão é que a Fifa decidiu de última hora pelo recurso e passou vergonha, principalmente quando o árbitro decidiu marcar o lance depois de muito tempo. Mesmo com o placar considerável feito pelos japoneses, a interferência do árbitro de vídeo interferiu na qualidade da partida e no emocional dos jogadores, o que prejudicou, em partes, o jogo.

A Fifa parece não saber lidar com o novo. Quer se livrar das críticas de erros de arbitragem, mas começou a mudar isso com o pé esquerdo. Espero que lances como esse não se repitam ou a Fifa precisará sofrer com muito mais críticas como as de hoje.