domingo, 8 de janeiro de 2017

Andrés pede mais presença de Roberto após discussão sobre impeachment

(Foto: Mauro Horita/Estadão Conteúdo)
(Foto: Mauro Horita/Estadão Conteúdo)

Por Nicholas Araujo
São Paulo, SP


O ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez concedeu entrevista neste domingo (8) para a rádio Transamérica e comentou sobre o possível pedido de impeachment do atual mandatário Roberto de Andrade. Ele e Andrés terão uma reunião decisiva nesta segunda-feira (9), quando o dirigente retorna após três semanas de férias.


Pelas informações que correm nos bastidores do clube paulista, Andrade deverá ser forçado a pedir licença da presidência por três meses. Caso não aceite o pedido, o processo de impeachment, que já corre no Comitê de Ética do Conselho Deliberativo, ganhará força. Andrés é contra o processo.

“Depende do presidente (se licenciar). Eu vou falar com ele amanhã, preciso falar um monte de coisas que vejo e sinto. Vamos juntar o máximo de pessoas para resgatar o Corinthians e sair desse noticiário pejorativo. Não estou propondo assumir nada. Mas óbvio que estou à disposição para o que o presidente precisar e o problema é maior que o futebol. Temos que unir as forças e apaziguar o clube. Esse negócio de impeachment atrapalha profundamente as estruturas. Temos vários contratos e isso traz uma insegurança ao seu parceiro”, disse Andrés na rádio Transamérica.

O deputado federal (PT-SP) irá cobrar uma postura mais firme do atual presidente, e também uma maior presença de Andrade no clube.

“Estar mais próximo das pessoas, no dia a dia do clube. Ele tem que estar mais presente no clube do que na sua vida pessoal, nem todo mundo tem esse tempo. Administrar um clube como o Corinthians a distância é complicado. Vou cobrar dele amanhã (segunda-feira), para ele estar mais presente, saber delegar as coisas", comenta.

A última semana não foi das melhores para o Timão. Na sexta-feira o superintendente de marketing Gustavo Herbetta pediu demissão do cargo. De acordo com o jornal Lance, o executivo está desanimado com o futebol e irá voltar para o mercado publicitário.

(Foto: Agência Corinthians)

O impeachment

Após a derrota no clássico para o São Paulo, no dia 5 de novembro de 2016, o pedido de impeachment do presidente Roberto de Andrade ganhou força e as principais manchetes dos jornais naquela semana. 

Uma reportagem veiculada pela revista Época naquele mês mostrou que Roberto assinou atas como presidente do clube, antes mesmo de vencer a eleição e assumir o cargo. Segundo o artigo 104 do estatuto do clube, um impeachment pode acontece em caso de prejuízo considerável ao patrimônio ou imagem do time.

Na época, conselheiros do clube pediram explicações a Andrade, que rebateu as acusações por meio de notas, que não convenceram a chapa opositora e aos cartolas.

Outra acusação é a ligação dele com a Odebrecht, construtora responsável pela construção da Arena Corinthians e investigada na Operação Lava Jato. O presidente mantém um contato amigável com a construtora, o que é rebatido pelos conselheiros, que pedem explicações sobre as denúncias contra a construtora na operação que investiga irregularidades no governo federal.

Andrés espera uma união dos conselheiros nesta crise financeira do clube, em vez de aumentar a discussão sobre o impeachment. Andrade também sofre pressão da família para abandonar o cargo, depois de ser submetido a uma internação em novembro, após um mal-estar. Uma licença não exigiria a convocação de eleições imediatas.

Bastidores

O que circula nos bastidores é que a saída de Roberto abra caminho para eleição de Paulo Garcia no próximo pleito. Anteriormente da oposição, o empresário hoje conta com o apoio de Andrés. Sem Andrade, André Negão ficaria à frente da presidência até a próxima eleição.