segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Seis anos após grave acidente na Itália, Kubica se diz pronto para voltar a pilotar carro de F1

 (Foto: Rally of Poland/Facebook)


Já se vão seis anos, mas, para Robert Kubica, não faz tanto tempo assim. Em 6 de fevereiro de 2011, o promissor polonês, à época piloto a Lotus, aproveitava um fim de semana de lazer depois de ter sido um dos destaques dos testes de pré-temporada daquele começo de ano em Valência. Durante a disputa do Rali Ronde di Andora, perto de Gênova, na Itália, seu Skoda Fabia se chocou contra um guard-rail e foi partido ao meio. Kubica por pouco não perdeu a vida, mas sofreu lesões gravíssimas sobretudo nas mãos e braços. Na prática, sua carreira como piloto de F1 se encerrava ali.


Levou pouco mais de um ano e meio para que Kubica voltasse a competir, participando de ralis regionais na Itália a partir de 2012. Foi no rali que Robert deu sequência à sua carreira, mesmo ainda em processo lento e contínuo de recuperação nas lesões na mão direita. Em 2013, Kubica chegou a realizar testes no DTM com o carro da Mercedes, novamente em Valência, mas acabou optando mesmo pelo rali, uma das suas paixões. O piloto disputou etapas do Europeu e também do Mundial naquele ano.

Nos anos seguintes, 2014 e 2015, Kubica montou sua própria equipe para participar de provas do Mundial de Rali, tendo como melhor resultado o sexto lugar no Rali da Argentina, realizado em Córdoba. No ano passado, depois de ter disputado apenas o Rali de Monte Carlo, prova de abertura da temporada, Kubica se dedicou ao seu retorno às pistas propriamente dito, participando de uma etapa do Renault Sport Trophy, categoria de GT da montadora francesa, em Spa-Francorchamps, além de correr nas 12 Horas de Mugello como convidado.

Agora, seis anos depois, mesmo com as limitações que ainda tem na mão, Kubica já se considera novamente pronto para cumprir com um antigo sonho: voltar a guiar um carro de F1.

“Há três anos me ofereceram um teste com um carro de F1, mas naquela época não tinha confiança em ir bem. Sei que há chances que só aparecem uma vez, mas sempre quis garantir minha condição e ter certeza do que eu poderia fazer. E, se não estava seguro, simplesmente eu dizia a mim mesmo: ‘Esqueça’”, disse o piloto, hoje com 32 anos, em entrevista ao site norte-americano ‘Motorsport.com’.

“Minha condição física não é comum, e poucas pessoas vivenciaram circunstâncias parecidas. Cada um reage de uma forma diferente, e isso pode ser algo muito particular”, salientou. “Agora encararia de uma forma diferente. Gostaria de tentar guiar um F1. Já passou algum tempo, de modo que tentaria testar, mas acho que poderia ir bem. Gostaria de tentar reviver a experiência com um F1”, complementou.

Robert sabe que teria um desafio e tanto pela frente, mas acredita que teria condições de fazer um bom papel. “Já testei em vários simuladores e tenho certeza de que poderia competir em 80% das pistas, ainda não em todas. Também tenho de reconhecer que fazer um teste de F1 é uma coisa e disputar um fim de semana completo é outra, totalmente diferente. Em minhas três últimas temporadas de F1, consegui alcançar um destacável nível de performance, um nível que acho que agora eu não teria. Em 2010, com a Renault, acho que não fui mal, e para chegar a este nível de performance é preciso trabalhar duro durante muitos anos. Não senti tanto isso no rali, o tempo que você precisa para se preparar e chegar ao teu nível máximo porque ali foi tudo muito rápido”, emendou.

Feliz da vida com a chance que recebeu de voltar a competir em alto nível nas pistas, desta vez no Mundial de Endurance pela ByKolles na LMP1, Kubica deixou claro: está pronto para o que vier.

 “Eu fui e sou um grande piloto, que no passado trabalhava com grandes profissionais. Agora começo uma nova jornada e devo conseguir me adaptar a circunstâncias diferentes. Nos últimos anos recebi muitas ofertas para correr, mas sempre quis pelo menos fazer um teste antes de competir. Preciso saber o que meu corpo vai poder suportar e não poderia dizer ‘sim’ se não pudesse fazer bem feito. Queria saber se poderia lidar com qualquer dificuldade e saber como fazer diante de qualquer problema. E agora eu me sinto preparado”, garantiu.

“Depois do teste no Bahrein, testei o ângulo de direção, e não deverei ter problemas. Tenho certeza do que posso render a 90%. Os 10% que ainda faltam são uma margem que eu posso alcançar”, concluiu o piloto polonês.

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