quinta-feira, 25 de maio de 2017

Atletas brasileiros reclamam de defeitos nas medalhas da Rio 2016 e cogitam troca

(Foto: Reprodução)


Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro terminaram há menos de um ano, mas algumas medalhas já apresentam defeitos e muitos cogitam trocá-las. Mais de 80 atletas americanos devolveram as peças conquistadas no Brasil devido a problemas no material. Descascamento, perda ou mudança de cor, surgimento de pontos pretos, arranhões, ferrugem e oxidação são as situações mais recorrentes. O mesmo problema foi citado por diversos brasileiros que foram ao pódio na Rio 2016.

Algumas medalhas, inclusive, apresentaram riscos logo no momento da entrega, enquanto outras foram se deteriorando com o tempo, mesmo com todo o cuidado para o armazenamento. É o caso de Bruno Schmidt, campeão olímpico no vôlei de praia, ao lado do parceiro Alison Cerutti.

- A minha já veio marcada, eu lembro até que quando eu fui fazer eventos com o Alison, eu diferenciava a minha da dele por alguns desgastes que a minha medalha já apresentava. Mas, a medalha não está comigo, está com o meu pai. Já veio com umas situações de desgaste e vou até dar uma conferida. Ouvi dizer que o pessoal está dando uma repaginada nas medalhas e vou procurar saber sobre isso - contou Bruno Schmidt.

O Comitê Organizador Rio 2016 fará um recall das medalhas da Olimpíada e da Paralimpíada, já que apesar do pouco tempo de uso, muitas estão descascando. Aos poucos, as peças vão sendo devolvidas à Casa da Moeda para a restauração ou troca tanto para brasileiros como estrangeiros. Embora as de prata tenham apresentado mais problemas do que as outras, as de ouro e prata também tiveram desgaste.

Valor sentimental deixa dúvida sobre troca

Medalhista de prata nas areias ao lado de Bárbara Seixas, Ágatha também reparou alguns arranhões, no entanto, não sabe se fará a troca pelo valor sentimental da peça.

- A medalha está com uns está com uns risquinhos, não está se deteriorando, mas está riscada em uns pedacinhos. Estou na dúvida se eu troco ou não troco... Se fico com a minha mesmo como recordação, por ter sido a medalha que eu peguei ali. Ainda não sei o que eu vou fazer - revelou a paranaense.

Diretor-executivo de comunicação da Rio 2016, Mario Andrada disse que as autoridades notaram a deterioração do material entre 6 e 7% do total produzido. Segundo ele, "o problema mais comum é que elas tenham sido derrubadas ou manuseadas com descuido e por isto tenham perdido o verniz, causando ferrugem ou uma mancha escura no local em que foram danificadas".

Arranhões aparecem na entrega de medalhas

Verônica Hipólito descarta a possibilidade de mau manuseio e frisa que o problema tem sido recorrente em diversas modalidades. Medahista de prata nos 100m e bronze nos 200m T38 da Rio 2016, a velocista notou alguns riscos no momento em que recebeu as peças.

- Uma das minhas medalhas, a de bronze, já estava riscada antes de eu subir no pódio. Quando estávamos na salinha antes da premiação, eu já havia percebido que ela estava riscada, estava quase chorando, mas eles não podiam fazer nada, porque estava escrito a prova, a colocação e a categoria.

A de prata tinha um risquinho bem pequenininho e agora está riscando mais. A minha prata já começou a descascar e no canto ainda tem umas manchinhas, mas bem menos que a de bronze. A de bronze está ficando preta. Ouvi dizer que alguém falou que os atletas não estavam cuidando bem das medalhas, mas eu e vários amigos meus cuidam super bem das medalhas e elas estão descascando. Quase todo mundo que eu conheço está com este problema - comentou a velocista, campeã mundial nos 200m e prata nos 100m em Lyon 2013.

Mesmo com cuidado, peças de deterioram

Petrúcio Ferreira endossou as palavras da corredora de São Bernardo do Campo. Dono de três medalhas no atletismo da Paralimpíada pela classe T47 (ouro nos 100m e prata nos 400m e no revezamento 4x100), o paraibano de São José do Brejo do Cruz notou os problemas com as pratas.

- Tenho o maior cuidado, mas elas ficaram assim do nada. Eu as mantive guardadas por dois meses em suas caixas e quando abri estavam assim. Estou tendo problemas com as duas pratas. Não sei o que fazer para que elas voltem às formas originais - lamentou Petrúcio.

Ao todo, foram produzidas 5.130 medalhas para os Jogos, sendo 2.488 olímpicas e 2.642 paralímpicas. A maioria dos problemas foi percebido com as medalhas de prata e, de acordo com Andrada, teria ocorrido entre 121 e 141 medalhas, no entanto, o número pode aumentar.

Alguns atletas notaram os defeitos após serem procurados, como foi o caso do velocista Fábio Bordignon. Vice-campeão nos 100m e nos 200m T35 da Paralimpíada, o atleta lamentou o estado de suas duas pratas e procurará um caminho para trocar as peças.

- As minhas estão com riscos e descascando. Eu nem sabia que estavam assim. Agora que eu abri a caixa, vi que estão piorando. Estavam apenas com um descascado. Ficaria muito feliz se pudesse trocar porque estas medalhas são muito especiais. Eu tenho um sentimento muito grande por elas. Fiquei até triste agora ao abrir a caixa e me deparar com esses arranhados - disse Fábio, que começou a carreira no futebol de 7.

Fábio Bordignon só notou a deterioração de suas medalhas de prata quando foi procurado pela reportagem, mas tentará a troca (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CPB) Fábio Bordignon só notou a deterioração de suas medalhas de prata quando foi procurado pela reportagem, mas tentará a troca 

Medalha de ouro ganha tons esverdeados

Campeão nos 100 metros rasos pela classe T13, Gustavo Araújo comentou que a sua medalha de ouro está ficando como uma colocação verde. O corredor ainda tentou limpar com um pano, sem aplicar nenhum produto, mas achou melhor parar para evitar um maior descascamento.

- Eu até pedi o email do presidente do IPC (Comitê Paralímpico Internacional) para ver a respeito disto. A minha medalha está descascando e ficando verde, caindo para o verde. Dá para ver partes diferentes. Estava dentro da caixinha. Limpei, limpei, mas nem passei produto para não piorar a situação. Limpei só com pano mesmo para ver se saía, mas ela estava descascando mais.

Diego Hypólito tem evitado levar medalha a eventos

Vice-campeão olímpico no solo, Diego Hypólito conta que ficou preocupado ao reparar o rápido processo de deterioração de sua medalha e tem evitado levá-la a programas de televisão e eventos a fim de preservá-la ao máximo. O ginasta diz não querer trocar, apenas reformar a sua, afinal, ele quer manter consigo a mesma peça que recebeu nos Jogos.

- A minha medalha está bem feia e eu até pedi ao meu empresário para entrar em contato para ver se eu consigo reformar a medalha. Ela está bem descascada e a fita está rasgando, mas rasgou muito rápido. Eu até parei de levar em eventos. Desde o ano passado, ela já ficou velha. Não tenho coragem de trocar. Não quero entregar a minha medalha, mas queria reformar - disse Diego.

Esta não é a primeira vez que os Comitês observam problemas em medalhas das Olimpíadas e Paralimpíadas, contudo, a quantidade de peças defeituosas impressiona. O Comitê dos Estados Unidos, por exemplo, tomou conhecimento da questão em dezembro e vem coletando o material entre os seus atletas para realizar a troca.

Globo Esporte