terça-feira, 9 de maio de 2017

Dirigente não garante Wenger no Arsenal e diz: "Ele e Ferguson são exceções"

(Foto: Lucas Figueiredo/CBF


Diretor de futebol do Arsenal, Richard Law (mais conhecido como "Dick" Law") está no Rio de Janeiro, onde palestrou sobre gestão no futebol em seminário organizado pela CBF. Um fator importante para o sucesso de uma equipe, segundo ele, é a estabilidade. E isso significa, principalmente, a continuidade para o trabalho da comissão técnica. No entanto, o próprio dirigente reconhece que os resultados dos Gunners não garantem tal segurança para o seu treinador, Arsène Wenger. Law coloca o futuro do comandante francês à frente da equipe em xeque.

- Isso é uma questão dele junto com o Conselho - diz o dirigente, que fala português muito bem, ao GloboEsporte.com.

Wenger terá seu contrato encerrado no fim desta temporada. Restam apenas cinco partidas. Dick Law diz que os jogos restantes serão definitivos na decisão. Em sua palestra, ele deixou escapara que deseja a permanência do treinador ao afirmar que espera vê-lo cumprindo 21 anos no clube. Mas reforça que a decisão sobre o futuro do comandante parte, principalmente, do próprio Wenger.

- Ele tem respaldo forte do Conselho, respaldo forte da torcida. Agora, é fundamental pensar, que o maior crítico é ele com ele mesmo. Ele quer ganhar. Ele sofre quando a gente não ganha. Mas, neste momento, acho que os resultados vão dizer. O jogo contra o Manchester United foi fundamental. O jogo na quarta-feira (contra o Southampton) vai dar outro pulo para cima - analisou.

Law fez questão de ressaltar que as experiências de Arsène Wenger, no Arsenal, e Alex Ferguson, no Manchester United, não são a realidade na Inglaterra. Enquanto o francês completou 20 anos nos Gunners, o escocês permaneceu 27 nos Red Devils.

"Essa estabilidade não é verdade na Inglaterra. Se você tira Arsène Wenger, a média de permanência de um técnico cai bastante. Hoje um técnico, na Premier League, comanda um clube em média por dois anos. Então, situações como Ferguson e Wenger são exceções", Richard Law, diretor de futebol do Arsenal.

Gilberto Silva: "Pressão injusta"

O ex-volante do Arsenal, Gilberto Silva, viveu a melhor época das duas décadas da era Wenger no clube. O brasileiro chegou a Londres em 2002 e saiu em 2009. Fez parte da equipe que levou o Campeonato Inglês em 2003/04 de forma invicta. Conhece muito bem o técnico francês. Ainda mantém contato com pessoas no clube. E diz: a pressão para a saída do treinador não é justa.

- A pressão é normal. Mas não da forma que está sendo feita. É até injusta e agressiva, por parte dos torcedores. Ele não merece isso por tudo que fez no clube e por tudo que tem feito no futebol inglês - disse o ex-volante da Seleção, que acompanhou o seminário na CBF.

Com 237 jogos e 24 gols pelo Arsenal, Gilberto Silva foi diretor de futebol do Panathinaikos, da Grécia, até o fim do ano passado, mas deixou o cargo. O volante acredita que a queda de rendimento do clube inglês não esteja relacionada apenas ao técnico. O brasileiro cita a forte concorrência na busca por contratações. Não só dos rivais ingleses, mas também dos demais gigantes da Europa.

- O que vejo é que no futebol há ciclos. A forma que outros clubes estão se reestruturando dentro do futebol inglês, com grandes gestores, despejando um caminhão de dinheiro nos clubes, não só o Manchester City. A competição aumenta. Aumenta a disputa tambén. Para você conseguir um grande jogador hoje, você tem que ser muito rápido e carregar um caminhão de dinheiro. Há uma dificuldade maior para contratar um bom jogador - avaliou.

O Arsenal é o sexto colocado no Campeonato Inglês, com 63 pontos, seis a menos que o Manchester City, equipe que abre o G-4. Os Gunners têm um jogo a menos que os Citizens, e dois a menos que a maioria das equipes. Nesta quarta, o time de Wenger entra em campo contra o Southampton, às 15h45, em jogo atrasado da 26ª rodada da competição.


Globo Esporte