sexta-feira, 30 de junho de 2017

Mais calmo que Bernardinho, mas com filosofia igual, Renan agrada elenco

(Foto: Reprodução)


Durante muitos anos, o técnico Bernardinho esteve à frente do voleibol brasileiro. Com inteligência, pulso firme e uma personalidade única, ele levou as seleções masculina e feminina a inúmeras conquistas e marcou seu nome na história desse esporte. A última delas foi a medalha de ouro dos meninos do Brasil na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. Em janeiro deste ano, contudo, deixou o posto de comandante, e Renan Dal Zotto, medalhista de prata olímpico em Los Angeles 1984 como atleta, assumiu a função. Uma missão nada fácil. Agora, ele terá pela frente a sua primeira chance de conquistar um título com a seleção brasileira. Trata-se da Liga Mundial, cuja fase final se inicia no dia 4 e vai até 8 de julho.

Logo de cara, é possível perceber que as personalidades são diferentes. Se Bernardinho era enérgico e nervoso dentro de quadra, Renan é mais tranquilo, mais calmo. Mas os atletas da seleção brasileira são unânimes ao dizer que, apesar de o jeito ser diferente, a fome por vitórias é a mesma, assim como a filosofia de trabalho: seguem as cobranças, segue a pressão de se defender as cores de um país vitorioso no voleibol e segue a missão de fazer bons trabalhos e alcançar conquistas.

- Existem estilos diferentes, mas, como digo em várias oportunidades, a coisa mais importante é que muitas pessoas viram como exemplo o trabalho que meu pai e sua comissão técnica fizeram em seus clubes e nas seleções, feminina e masculina, de comprometimento, de dedicação, de trabalho. Acho que Renan tem demonstrado e buscado isso, colocado no nosso dia a dia. Essa é a cara da seleção brasileira desde que vencemos o primeiro Mundial em 2002, depois a Olimpíada em 2004. A gente espera fazer o mesmo, ter grandes resultados como eles, mas o mais importante é a nossa luta diária. Renan tem tocado nisso. Lógico, o método de treinamento mudam algumas coisas, em relação ao treino em si. Na hora do jogo, Renan é um pouco mais tranquilo. Meu pai era um cara mais explosivo - falou o levantador Bruninho.

O oposto Wallace, destaque do Brasil na Rio 2016 com 18 pontos na final que garantiu a medalha de ouro contra seleção da Itália, fez coro a Bruninho.

- É novo, mas é velho (risos), porque, lógico que é um técnico novo, mas as filosofias são bem parecidas. Conhecemos boa parte das coisas aí. Tem umas mudanças, mas foi bem tranquilo de adaptar, o pessoal está bem adaptado a ele. É bem diferente em termos de personalidade, no modo de cobrar, o modo de chamar o time pra cima, são bem diferentes. Mas isso acrescenta bastante para nós também - completou.

Nas fases anteriores da Liga Mundial, o Brasil teve altos e baixos. Por exemplo, em Pesaro, na Itália, perdeu por 3 a 2 para a Polônia na estreia. Depois, venceu os iranianos e os italianos em sequência pelo placar de 3 a 1. Na fase seguinte, em Varna, na Bulgária, derrotou Canadá e Polônia por 3 a 1, mas foi derrotado pela Bulgária pelo mesmo placar. Depois, contudo, desbancou os búlgaros por 3 a 0, caiu diante da Argentina por 3 a 1 e saiu vitorioso sobre os sérvios pelo mesmo placar, isso tudo na cidade hermana de Córdoba. Dessa forma, a seleção terminou a primeira fase da Liga Mundial em segundo lugar na classificação geral, atrás apenas da França.

- Acho que foi um começo muito bom, tivemos uma caminhada muito legal até pelo tempo de trabalho, devido ao término tardio da Superliga. Foi até um pouco surpreendente, mesmo tendo começado com uma derrota. Sofremos com uma ou outra lesão, gente entrando no grupo, mas creio que a crescente foi boa, e o trabalho está sendo bem feito. A gente está treinando igual ou mais do que era com o Bernardinho, acho que esse é o foco e não pode mudar nunca. O Renan é um cara mais tranquilo. Te cobra mais te instigando na brincadeira: "Po, você não vai conseguir fazer". O Bernardo já tinha uma cobrança mais rígida, mas, com certeza, o objetivo é o mesmo. O que a galera precisa botar na cabeça é que, independentemente de quem estiver do lado de fora, no comando o foco tem que ser o mesmo - relatou o meio-de-rede Lucão.

Agora, na fase final da Liga Mundial, o Brasil terá pela frente, na primeira rodada, dia 4, às 15h05 (de Brasília), o Canadá, enquanto na quinta-feira, 6 de julho, o duelo é com a Rússia. Caso avance, jogará a semifinal na sexta, 7, e a decisão será dia 8, sábado.

Globo Esporte