quinta-feira, 6 de julho de 2017

Alfinetadas: Saída de Rogério Ceni escancara problemas no São Paulo e instabilidade de treinadores

Rogério Ceni sai para a chegada de Dorival Júnior no São Paulo (Foto: Reprodução)

Por Nicholas Araujo
Redação Blog do Esporte


A saída de Rogério Ceni nesta semana do São Paulo não apenas marcou como ruim o início do ex-goleiro como treinador, como deixou claro a instabilidade da atual diretoria tricolor, que vende peças importantes e deixa o atual elenco carente em muitas posições. Agora o desafio foi passado para Dorival Júnior, anunciado nesta quarta-feira (5) para comandar o clube paulista.

Desde o tricampeonato do Brasileirão com Muricy Ramalho, entre os anos de 2006 e 2009, o tricolor paulista troca pelo menos uma vez de técnico na temporada, proporcionando uma quebra de sequência dos profissionais e se reinventando todas as vezes que um novo comandante chega ao clube.

Confira as estatísticas

2006 – 2009: Muricy Ramalho
2009: Milton Cruz
2009 – 2010: Ricardo Gomes
2010: Milton Cruz
2010: Sérgio Baresi
2010 – 2011: Paulo César Carpegiani
2011: Milton Cruz
2011: Adílson Batista
2011: Milton Cruz
2001 – 2012: Emerson Leão
2012: Milton Cruz
2012 – 2013: Ney Franco
2013: Milton Cruz
2013: Paulo Autuori
2013 – 2015: Muricy Ramalho
2015: Milton Cruz
2015: Juan Carlos Osorio
2015: Doriva
2015: Milton Cruz
2016: Edgardo Bauza
2016: André Jardine*
2016: Ricardo Gomes
2016: Pintado
2017: Rogério Ceni
2017: Dorival Júnior

* Neste momento, André Jardine passou a ser o técnico interino do São Paulo, após a saída de Milton Cruz, em 2016. Enquanto estava no clube, Cruz comandou o tricolor em pelo menos uma partida como treinador interino no período de transição entre um treinador e outro.

Jogadores

No mesmo caminho das mudanças técnicas, o São Paulo comprou e vendeu bastante jogadores, muitos deles peças importantes para manter um elenco competitivo. Em 2017, por exemplo, o tricolor vendeu Luiz Araújo, titular absoluto no campo ofensivo, além dos meias Thiago Mendes e João Schmidt, os zagueiros Maicon e Lyanco e deve receber propostas para Rodrigo Caio e Cueva.

Em contrapartida, o clube trouxe recentemente Chavéz, o meia Petros, o zagueiro Breno e emprestou jogadores como os laterais Reinaldo (para a Chape), Carlinhos (para o Inter) e o meia Wellington (para o Vasco), na tentativa (pelo menos ao ver do torcedor) de “inchar” os cofres do clube.

Diretoria

O que ficou evidente neste período foram as brigas internas da diretoria, que de tão polêmicas que foram, a imprensa começou a soltar alguns fatos. Dentre eles, os casos de corrupção no mandato de Carlos Miguel Aidar e esquemas para a contratação de reforços pontuais. Além disso, o Morumbi, que deveria ser a grande fortaleza para vitórias do clube, no momento não é mais a referência para o time da capital.

Títulos

Os resultados de todos esses problemas foram os títulos que não aconteceram. Desde o tricampeonato brasileiro (2006, 2007 e 2008), o São Paulo subiu ao lugar mais alto do pódio apenas em 2012, quando venceu a Copa Sul-Americana. Desde então brigou no meio da tabela do torneio nacional e não avançou para as finais da Taça Libertadores ou Copa do Brasil, por exemplo.

Para se ter uma noção destes problemas, a equipe não conquista o Campeonato Paulista desde 2005 e foi derrotado na Recopa Sul-Americana de 2013 contra o Corinthians.

Futuro

Por enquanto, o time do São Paulo é uma incógnita. Não vai bem no Brasileiro, foi eliminado da Sul-Americana e Copa do Brasil, e tem o seu foco apenas no campeonato nacional. Com isso, Dorival Junior precisará ganhar a torcida e os dirigentes para remontar um time competitivo. A janela de transferência de julho pode ser um alívio para o clube, ou se tornar mais um pesadelo com a saída de mais atletas importantes. É pagar para ver.