terça-feira, 4 de julho de 2017

Vagner Mancini diz que faltou lealdade da diretoria da Chape: "Houve desrespeito"

(Foto: André Durão)


A demissão pegou Vagner Mancini de surpresa. E o revoltou. A ponto de dizer que ficou "em choque" com a decisão da diretoria da Chapecoense. O treinador, demitido na manhã desta terça-feira, não poupou os dirigentes da equipe catarinense de críticas.

Ele se revoltou por ter acompanhado o treino da equipe no hotel pela manhã, dia seguinte ao empate por 3 a 3 diante do Fluminense, no Rio. De acordo com Mancini, a decisão pela sua demissão aconteceu em uma reunião entre os cartolas após a partida:

"Pela manhã, vesti o uniforme e fui com os atletas para o treinamento na academia. Quando retornei, recebi a informação que estava demitido. Faltou respeito da diretoria por me fazer ir ao treino já demitido"

A diretoria da Chapecoense não se manifestou sobre o assunto. Os atletas foram proibidos de comentar a demissão durante o embarque no Rio de Janeiro. Não há ainda substituto escolhido. Abaixo a entrevista na íntegra de Vagner Mancini:

O processo de demissão

Semana passada, conversamos e o presidente falou que estaríamos juntos até o fim, que confiava no trabalho. Ontem (segunda), depois da janta, fui para meu quarto e soube que houve uma reunião para definir minha demissão. Deveriam ter me avisado para que eu tomasse as medidas necessárias. Houve um desrespeito.

Momento do time

Demos retorno ontem (segunda), fizemos um bom jogo contra o Defensa e estamos nos recuperando. Passamos por uma tempestade e estamos recuperando. Só tenho a agradecer aos habitantes de Chapecó, que jogaram junto. Saio com o sentimento de que não houve lealdade que falaram que teria. Não houve a paciência que falaram que teriam.

Decepção

Toda felicidade que envolveu minha escolha para fazer a reconstrução, onde dei minha parcela, virou choque na saída. A decepção foi proporcional. Acertamos um projeto a ser desenvolvido que se paralisou. É um direito do clube, mas foi me dada a explicação de que futebol é resultado. Fomos campeões do estadual, classificamos em campo na Libertadores, estamos vivos na Sul-Americana e em 13º no Brasileiro (15° na verdade). Então, não cabe (a justificativa).

Falta de reconhecimento

Aceito a demissão por ser empregado, mas não como foi feito. Ficou pesado para quem se doou tanto e fez tudo para que a Chape rapidamente tivesse um time. As pessoas esquecem facilmente do ontem. Esquecem a dedicação, as noites de sono. Fico chateado.

Conversa com Maninho

O presidente falou que "estaríamos juntos até o fim" antes do jogo com o Atlético-MG, na minha sala. Perdemos, e ele foi dar coletiva. Tivemos uma semana tranquila. O indaguei após a demissão e ele disse que "estaríamos abraçados até quando tivesse resultado".

Nível de exigência

Sem dúvida nossa campanha elevou o nível de exigência. Todo mundo sabia que a Chape teria dificuldade, mas ganhamos o estadual, encaramos os campeões da Argentina e do Uruguai e não nos classificamos na Libertadores por um erro administrativo. De repente, lidera o Brasileirão, fica no G-4 e a expectativa fica alta. Quando perdemos peças importantes em um elenco que não é numeroso, sentimos dificuldades.

Reforços

Vínhamos falando em reforços há muito tempo. Inclusive, me passaram que havia folga no orçamento e estávamos em cima disso. Todo mundo que sai do Estadual se reforça, a maratona é pesada.

Globo Esporte