sexta-feira, 18 de agosto de 2017

PF apura uso de atletas 'fantasmas' para desviar verba do Ministério do Esporte

(Foto: Reprodução)


Polícia Federal investiga uma quadrilha suspeita de inserir dados de atletas "fantasmas" nos sistemas do Ministério do Esporte para desviar recursos do programa Bolsa Atleta.

Ao todo, são cumpridos seis mandados de busca e apreensão e seis mandados de condução coercitiva – quando a pessoa é levada para depor – nesta sexta-feira (18). As determinações judiciais são da 10ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal.

Em nota, o ministério afirma que a denúncia partiu de investigações internas e que foram encaminhadas à PF.

"A investigação da Polícia Federal sobre desvios no programa Bolsa Atleta partiu de denúncia do próprio Ministério do Esporte. Em 2012, a coordenação do Bolsa Atleta à época identificou possível fraude no programa e instaurou uma apuração interna. Após a conclusão do processo administrativo, a denúncia foi encaminhada à Polícia Federal e resultou na operação “Havana”, deflagrada nesta sexta-feira (18/08). O Ministério do Esporte reitera a importância do programa Bolsa Atleta, que desde 2005 apoiou 23 mil atletas, com resultados expressivos como os obtidos nos Jogos Rio 2016, quando 77% da delegação olímpica e 90,9% da paralímpica eram integradas por bolsistas. Dezoito das 19 medalhas olímpicas no Rio de Janeiro e todas as 72 paralímpicas foram conquistadas por atletas bolsistas."

Segundo a PF, durante o ano de 2012, o grupo conseguiu criar 25 atletas fantasmas, "inclusive de alto rendimento e nível olímpico". A fraude teria movimentado R$ 810 mil à época – que ultrapassam R$ 1 milhão em valores atuais.

Pela manhã, houve buscas no bar Versão Brasileira, na 204 Sul. No mandado de busca, a Justiça determinava que fossem apreendidos documentos, agendas, anotações, telefones, computadores, jóias e qualquer outro tipo de objeto que possa ser considerado prova.

Por volta das 8h43, no entanto, os agentes da PF deixaram o local sem levar nada. A suspeita é de que o dinheiro desviado tenha servido para abrir o espaço.

Em nota, o bar Versão Brasileira declara que sua fundação foi feita com total transparência e lisura e que irá contribuir com as investigações.

"O Versão Brasileira informa que foi surpreendido com a Operação da Polícia Federal realizada na manhã desta sexta-feira (18). Esclarece que sua constituição se deu há mais de seis anos, com total transparência e lisura, e que toda a documentação já foi disponibilizada para análise das autoridades. A empresa reforça que contribuirá para auxiliar as investigações para que todos os fatos sejam prontamente esclarecidos."

A operação é chamada de "Havana". Isso porque o homem apontado como líder e outros membros do grupo são brasileiros nascidos em Cuba. A polícia não informou o nome dos investigados nem o cargo deles, mas afirmou que não há indício de participação de mais pessoas além dos seis investigados.

Questionada, a PF também não explicou como funcionava a inserção das informações falsas no sistema. A corporação informou apenas que o desvio do dinheiro era articulado por um servidor terceirizado do ministério. Envolvia pessoas de dentro do setor de pagamentos, com acesso para fraudar e manipular os dados.

Bolsa Atleta

Criado em 2005, o Bolsa Atleta é um programa do governo federal que financia atletas para que se dediquem ao esporte. Os auxílios vão de R$ 370 a R$ 15 mil mensais e são pagos por meio da Caixa. O orçamento para o programa neste ano é de R$ 125,79 milhões.

Globo Esporte