segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ponto de Opinião: Estádios se tornam o retrato "gourmet" do futebol brasileiro

(Foto: Delmiro Junior)

Por Nicholas Araujo
Redação Blog do Esporte


Quando o Brasil anunciou a candidatura da Copa do Mundo de 2014 e, consequentemente, confirmou o nome para receber o Mundial, boa parte dos torcedores ficou maravilhado com a possibilidade de ter um dos maiores eventos do mundo no quintal de casa. No entanto, quase quatro anos depois e chegando a próxima Copa, o retrato do futebol brasileiro é bem diferente daquele visto nos principais estádios.

Um exemplo disso é a crise financeira que o país passa, além da forma descarada dos clubes de repassar as contas de 2014 justamente para os torcedores. Hoje, ir a um estádio de futebol se tornou uma "gourmetização" do futebol, e é voltado apenas para a grande massa da classe alta/altíssima da população.

Uma pesquisa realizada pelo site HTE Sports mostra exatamente com está caro comprar o ingresso nos estádios. De acordo com o site, os ingressos mais baratos são vendidos a R$ 14 por equipes como Fluminense, Chapecoense e Vitória, isso apenas na série A do Campeonato Brasileiro.

Além dos números divulgados, o HTE Sports analisou uma entrevista do presidente do Atlético-MG e prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, concedida ao jornal El País, sobre a conta que o brasileiro está pagando com a "elitização do futebol". Kalil deixa claro que o futebol "não é coisa para pobre" e que "torcida dividida e entrada a preço de banana estragada só existem no Brasil".

Não é de hoje que o futebol brasileiro está inflacionado e voltado apenas para a elite da população, mas em 2017 isso ficou evidente na venda de ingressos do Flamengo, por exemplo (o Rubro-Negro chegou a vender entradas a R$ 360), e de grandes decisões dos campeonatos como estaduais e fases decisivas da Copa do Brasil. No entanto, essa mesma elite é mínima se analisarmos quem realmente lota (ou lotava) os estádios. Repassar a conta dos gastos de 2014 para a população só mostra como a política de Brasília "envenenou" os cartolas e dirigentes brasileiros.

Na contramão deste pensamento, o América-MG, uma das potências do futebol mineiro, vende seus ingressos em 2017 entre 5 e 20 reais, justamente para trazer o torcedor ao Estádio Independência. Os dirigentes do Coelho viram, então, um aumento de 50% do público no Campeonato Mineiro em relação a edição passada, e o "Projeto de Popularização do Futebol" se estendeu até o fim da temporada.

O futebol se tornou lugar para poucos, onde jogadores, por exemplo, chegam a custar bilhões de reais para satisfazer a vontade de presidentes e cartolas. O "povão" foi colocado a margem, no canto onde não é possível ver futebol, apenas admirar os grandes castelos e se afastar da realeza milionária do esporte. Uma pena, pois o futebol realmente virou um grande negócio onde ganha quem apostar o maior valor.