segunda-feira, 11 de setembro de 2017

COI admite evidências contra Diack em nota, mas reunião ignora escândalo

 (Foto: Vicente Seda)


O Comitê Executivo do COI vai ignorar, por ora, a investigação em conjunto de Brasil e França sobre a possibilidade de corrupção na escolha das sedes de Rio de Janeiro e Tóquio para as Olimpíadas de 2016 e 2020, respectivamente. Apesar do isolamento dos membros do órgão internacional no qual acontece a reunião do grupo que toma alguma das decisões mais importantes do esporte mundial, o suíço Gian-Franco Kasper conversou brevemente com a reportagem quando deixou a "fortaleza". Segundo ele, o Comitê Executivo sequer abordará o assunto neste momento.

De acordo com Kasper, não há motivo para se discutir a questão agora, tampouco tomar uma atitude em relação ao presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, que na última semana foi levado para depor na Polícia Federal e teve agentes em sua casa executando um mandado de busca e apreensão - no qual foram retidos documentos, um computador e R$ 480 mil em cinco moedas diferentes.

- Não há por que se falar nisso agora em uma reunião oficial. Falamos sobre isso de forma privada. O que existe não é uma acusação, é uma investigação. Não podemos discutir uma coisa como essa com base em rumores e imprensa. Não é o momento, não há nada definitivo - explicou Kasper.

Questionado se o fato de França e Brasil estarem trabalhando em uma operação conjunta na qual ambos declararam publicamente que há fortes indícios de corrupção e que Nuzman seria o elo principal do suposto esquema, Kasper afirmou:

- Não, porque não há uma conclusão. Você mesmo disse, é uma investigação. Enquanto for uma investigação, nós temos de esperar, não há o que discutir. Divulgamos uma nota oficial mais cedo. É o que podemos fazer neste momento - afirmou, reforçando que o escândalo também não entrará na pauta da reunião nesta terça.

A nota oficial a que se refere Kasper fala sobre "proteger a integridade do esporte" e promete colaboração com as investigações. O texto admite também evidências contra Lamine Diack, e cita sua saída do COI em 2015 como "ação imediata" das investigações francesas.

Kasper também discordou ao ser questionado se a escolha de Paris e Los Angeles para sede dos Jogos de 2024 e 2028 foi uma opção por segurança do COI após os problemas no Rio de Janeiro. Ele afirmou que, quando a cidade brasileira foi escolhida, o seu momento, e especialmente o momento que vivia o país, eram muito diferentes do atual.

- O Brasil, quando foi escolhido, era um país que estava crescendo rapidamente. Aquela foi uma opção de segurança. Chicago também tinha seus problemas. Havia um clamor geral para que o Brasil fosse escolhido.

Veja a íntegra da nota oficial divulgada pelo COI:

"O Comitê Olímpico Internacional (COI) está totalmente empenhado em proteger a integridade do esporte. A credibilidade é um dos três pilares da Agenda Olímpica 2020, o roteiro estratégico para o futuro do Movimento Olímpico. Como parte deste programa de reforma, foi introduzido um novo sistema de boa governança do COI. É forte e abrangente também no que diz respeito à eleição de cidades-sede para os Jogos Olímpicos. Como qualquer outra organização, o COI não será imune a nenhuma infração, mas fortalecemos significativamente a prevenção e o sistema de punições.

O Comitê Executivo do COI reafirmou hoje que é evidente que as infrações do passado também serão abordadas. No que diz respeito à investigação sobre o ex-presidente da IAAF Lamine Diack e seu filho, Papa Massata Diack, o procurador francês afirmou que há indícios de que os pagamentos foram feitos em troca de votos "sobre a designação de cidades-sede para os maiores eventos esportivos globais ". Neste contexto, no que diz respeito aos votos das cidades-sede dos Jogos Olímpicos no passado, o COI tomou medidas imediatas. O COI juntou-se ao inquérito como parte civil há mais de um ano. Logo após a apresentação de evidências contra o Sr. Lamine Diack, ele perdeu sua participação honorária no COI em novembro de 2015, seguindo as ações do COI.

A Comissão de Ética do COI também solicitou aos advogados brasileiros que entrem em contato com as autoridades judiciais brasileiras no que diz respeito à sua mais recente investigação de corrupção sobre a votação de 2009 para a atribuição dos Jogos Olímpicos de 2016, para solicitar informações.

A Comissão de Ética do COI está acompanhando esse assunto. Onde provas forem fornecidas, agiremos".

Globo Esporte