segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Bedoya admite pagamento de propina a Napout e Burga, mas isenta Marin

(Foto: Martin Fernandez)


Depois da interrupção de cinco dias por causa dos festejos do Dia de Ação de Graças, o julgamento do brasileiro José Maria Marin, do paraguaio Juan Angel Napout e do peruano Manuel Burga no Caso Fifa recomeçou nesta segunda-feira no Tribunal Federal do Brooklyn, com o testemunho do colombiano Luis Bedoya. Ex-presidente da Federação Colombiana de Futebol (FCF) e ex-membro do antigo Comitê Executivo da Fifa em 2015, ele confirmou ter recebido propinas “aproximadamente entre 2007 e 2015” para a realização de jogos amistosos e para assinatura de contratos de TV da Conmebol. Disse que Burga e Napout também receberam subornos, mas não citou José Maria Marin na primeira fase do depoimento.

O ex-dirigente foi banido do futebol pelo resto da vida no dia 6 de maio do ano passado, pelo Comitê de Ética da Fifa, juntamente com o chileno Sergio Jadue, depois de se declararem culpados na Justiça americana por crimes de conspiração, fraude e recebimento de subornos. Bedoya ainda receberá sua sentença do Caso Fifa nos Estados Unidos, mas participa do julgamento de Marin, Napout e Burga como delator.

Bedoya, de 58 anos, contou como o grupo dos 6 países (Paraguai, Peru, Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela, com a entrada do Chile, posteriormente) se formou para conseguir ter representatividade dentro da Conmebol e como trabalharam com os argentinos Hugo e Mariano Jinkis para substituir a Traffic pela empresa Full Play Group como detentora dos direitos de transmissão da Copa América.

O colombiano revelou que o contrato com a Full Play foi assinado ainda na África do Sul, durante o Congresso da FIFA, nos dias 9 e 10 de junho de 2010, que antecedia a Copa do Mundo-2010, disputada naquele país. Bedoya deu detalhes sobre como a Full Play conseguiu derrubar a Traffic no contrato de transmissão da Copa América. Também contou que o chileno Harold Mayne-Nicholls, então presidente da Federação de Futebol de seu país, recusou-se a assinar o contrato.

Ex-presidente da Federação Colombiana de Futebol entre 2006 e 2015, ele admitiu que a Conmebol jamais fez uma pesquisa de mercado para saber o valor comercial da Copa América. Acrescentou que a Conmebol nunca abriu qualquer tipo de concorrência pública pelos direitos da competição continental.

O ex-dirigente estava descrevendo a primeira abordagem do Catar para conseguir ganhar a eleição para a sede da Copa de 2022, quando a sessão foi suspensa pela juíza Pamela Chen para um intervalo.

Na última terça-feira, Santiago Peña, um dos funcionários da Full Play, contou em depoimento no tribunal do Brooklyn que a "Flemick era uma empresa criada pelo senhor Bedoya na Suíça para o recebimento das propinas”. Uma planilha mostrada pelos promotores americanos e confirmada por Peña mostrou que a Flemick recebeu depósitos da Full Play de US$ 500 mil em 3 parcelas: US$ 100 mil, em 16/12/2010; US$ 250 mil, em 31/1/2011; e US$ 150 mil, em 19/5/2011.

- Eles (Hugo e Mariano Jinkis) decidiam a quem pagar e como pagar - disse Peña, durante o depoimento da última terça-feira.

A 12 de novembro de 2015, Bedoya se declarou culpado na Justiça americana e abriu mão de todos os valores de duas contas abertas pela Flemick S/A no Bank Hapoalim, em Miami (EUA). À época, foi publicado que havia cerca de US$ 1 milhão nessas contas.

Esta manhã, o dirigente também contou como se deu o suborno pago pela Full Play para a assinatura do contrato.

- Falou-se que poderia ser de US$ 1 milhão, um milhão para cada presidente, em duas cotas de US$ 500 mil – declarou.

Bedoya contou que a Flemick S/A, no princípio, era uma empresa criada pela Full Play, no Uruguai, para que Bedoya recebesse sua parte nos subornos. Só algum tempo depois que o colombiano abriu uma conta em banco suíço, em nome da Flemick, para passar a receber o dinheiro.

O ex-dirigente também testemunhou que o equatoriano Luis Chiriboga, ex-presidente da federação de futebol de seu país e que cumpre prisão domiciliar de dez anos, em Quito, por lavagem de dinheiro, também se mostrou “muito entusiasmado pelo oferecimento do Full Play Group.

- Era a primeira vez que iria ver um milhão de dólares juntos – justificou Bedoya.

O ex-dirigente contou que, uma vez, antes da Copa do Mundo-2014, pediu para receber uma parte da propina em dinheiro vivo. Foi então que Mariano Jinkis, da Full Play, mandou entregar US$ 96 mil em notas de cem, numa pequena mala, no hotel onde Bedoya estava hospedado, em Buenos Aires.

Globo Esporte