segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Empresa que pagava subornos comparava cartolas a marcas de carro

O julgamento envolvendo o ex-presidente da CBF José Maria Marin, Juan Angel Napout (ex-presidente da Federação Paraguaia de Futebol e da Conmebol) e de Manuel Burga (ex-presidente da Federação Peruana de Futebol) recomeçou nesta segunda-feira. A testemunha ouvida no Tribunal Federal de Brooklyn foi Santiago Peña. O ex-executivo da Full Play, empresa que revendia direitos de transmissão de jogos internacionais, disse que a empresa pagou propina a dirigentes de várias federações de futebol da América do Sul para adquirir direitos de transmissão de jogos das Eliminatórias das Copas de 2014 e 2018 e de edições da Copa América e Libertadores da América.

A promotoria mostrou vários registros que seriam desses supostos pagamentos. Peña contou que nas listas usava nomes de fabricantes de automóveis como codinomes para os presidentes das federações de futebol. Segundo o ex-executivo, teriam recebido suborno os dirigentes abaixo:

- o paraguaio Napout, ex-presidente da Federação Paraguaia e da Conmebol;
- o argentino José Luis Meiszner, ex-secretário-geral da Conmebol;
- Manuel Burga, ex-presidente da Federação Peruana;
- Luis Chiriboga, ex-presidente da Federação Equatoriana;
- Carlos Chavez, ex-presidente da Federação Boliviana;
- Sergio Jadue, ex-presidente da Federação Chilena;
- Rafael Esquivel, ex-presidente da Federação Venezuelana;
- Luis Bedoya, ex-presidente da Federação Colombia, não era identificado por uma marca de carro, mas pelo código "Flemic" (referência a uma de suas empresas.)

Não houve menção, nesta planilha revelada por Peña, a dirigentes brasileiros. Durante seu depoimento, o executivo da Full Play foi instado pela promotoria a identificar as pessoas presentes no julgamento a quem ele teria subornado. Ele então apontou Napout e Burga, mas não mencionou Marin.

Nos registros foram exibidos também pagamentos que teriam sido feitos à Conmebol sem interferência da Full Play. Nessa relação, apareceu o nome "Globo" e o pagamento de US$ 5 milhões no dia 15 de setembro de 2010 - sem nenhum outro detalhe (em nota divulgada na semana passada, a Globo reiterou que não tolera nem realiza o pagamento de propinas).

Nesta terça-feira, Peña será novamente ouvido. Será o último dia de sessões no Tribunal, já que depois o julgamento será paralisado para o feriado de Ação de Graças (Thanksgiving) e só será retomado na próxima semana.

Antes do depoimento de Peña, foi resolvida a pendência sobre as supostas ameaças de Burga a Alejandro Burzaco. Os promotores que atuam no julgamento haviam acusado Burga de fazer gestos que simulavam uma garganta sendo cortada na direção de Burzaco. O advogado Bruce Udolf, que defende o cartola peruano, disse que os gestos eram "coceira", motivada por um problema pele.

Burzaco não quis testemunhar sobre as supostas ameaças. Os promotores e a defesa de Burga chegaram a um acordo – e assim o peruano pôde continuar acompanhando o julgamento no Tribunal. O peruano estava sujeito a uma pena de até 20 anos de cadeia, pelo fato de ameaçar uma testemunha em pleno tribunal.

Globo Esporte