domingo, 17 de dezembro de 2017

Abel faz balanço de ano do Fluminense e da vida: “Difícil, mas me orgulho”

(Foto: Reprodução)


O ano de 2017 marcou a vida dos torcedores do Fluminense e, em especial, do treinador da equipe. Apesar de começar bem a temporada, o time sofreu com desfalques importantes dentro de campo que dificultaram o trabalho de Abel, que ainda precisou lidar com uma tragédia pessoal de perder um filho.

- Pra mim foi o ano mais difícil. Não só de maneira profissional mas de maneira pessoal. Eu me orgulho desse ano. Nós ganhamos uma Taça Guanabara, uma final de Carioca, uma quarta de final de Sulamericana. Mas, o maior título foi não cair de divisão, porque foi complicado demais – afirmou Abel.

Apesar do início promissor, aos poucos, Abel se viu com dificuldades para trabalhar com a equipe da maneira que gostaria. De repente se viu sem Wellington, Richarlysson, Sornoza, Scarpa, Douglas, jogadores chaves para sua estratégia e acabou sofrendo com os altos e baixos dos atletas menos experientes

- Quando eu passei a ter o Wellington de um lado e o Richarlyson do outro foi quando minha equipe empolgou mais. E, daqui a pouco, deixei de ter um e outro. Um ia ser vendido, chegou lá, não foi e aquilo criou uma frustração, uma dor psicológica enorme. Depois eu perco o Richarlyson. Daqui a pouco, não tenho o Sornoza, o Scarpa e o Douglas. As características mudaram completamente. Nesse momento de transição e para competição mais complicada. Foi quando mais nós tivemos que usar os garotos. E garoto é assim. Ele vai oscilar.

Fora de campo, a tragédia que assolou a família Braga também tocou os corações de torcedores do Brasil inteiro. A morte de João Pedro, filho mais novo de Abel, deixou o país de luto, mas uniu as torcidas em homenagem ao treinador. O pai e treinador foi abraçado pelos jogadores do Santos, aplaudido de pé na Ilha do Retiro, pela torcida do Sport e homenageado pela própria torcida tricolor.

- É como se tivesse acontecendo no país inteiro entendeu? Naquele momento ali eu não era o Abel treinador do Fluminense, era o Abel do Brasil, estava dando o exemplo para muita gente, não sei porque. Aquele minuto é inesquecível para mim porque eu lembro do silêncio, mas me dá impressão, minha alma gritava naquele momento. Pela perda que naquele momento ali cara eu perguntava: “O que tu fez comigo meu filho?"

Agora, o treinador olha pra frente. Dentro de campo ele confirma mudanças na equipe do Fluminense.

- O Fluminense vai ser diferente em tudo. Vamos mudar completamente a maneira de jogar do clube. Alguns jogadores com características para haver essa mudança na maneira de jogar, se adaptam bem e outros jogadores pretendemos trazer para justamente completar o grupo com essas características daquilo que nós queremos pro próximo ano.


Fora das quatro linhas, ele pede saúde para que o treinador e o time de 2018 conquistem títulos e força para seguir, porque o melhor ainda está por vir.

- Eu quero saúde. Não me incomoda mais pequenos dramas. Hoje eu vejo o quanto eu me aborreci, o quanto, de repente, não tratei da melhor maneira possível, ou de uma maneira melhor alguém por me incomodar muito por pequenos dramas. Não vale a pena. E te falo isso porque nesse ano até meu último dia de vida vai ficar um vazio que não vai ser preenchido. Porque eu sei que a dor não vai sumir, a saudade não vai desaparecer. Quando eu chegava em casa eu falava: “E aí, filho?!” “E aí, pai”. E aí, eu beijava a testa dele. Vou lembrar disso. E que eu não esqueça: não quero ser tão chato quanto eu era. O meu filho me ensinou isso e acho que é dessa maneira que ele ensinou o Brasil a me ver.

Globo Esporte