sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Atlético-MG ingressa com ação na CBF para receber "multa de Fred" do Cruzeiro

 (Foto: Reprodução / Premiere)


O Atlético-MG ingressou, nesta sexta-feira, com uma ação na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cobrando o pagamento da multa de R$ 10 milhões prevista na rescisão de contrato do atacante Fred com o clube, caso ele se transferisse para o rival Cruzeiro. O departamento jurídico da Raposa, em contato com o GloboEsporte.com, afirmou que ainda não foi notificado sobre tal situação e que irá se pronunciar sobre o caso.

Francis Melo, empresário de Fred, garantiu, por meio de nota, que o atacante e seus representantes seguirão se esforçando para que a multa seja paga.

- A instauração do procedimento arbitral perante a CNRD por parte do Atlético-MG é decorrência natural da eleição desse foro no Termo de Resilição do contrato de trabalho assinado pelas partes. De todo modo, os contratos assinados entre Cruzeiro e Fred estipulam uma série de garantias para que o Cruzeiro satisfaça a obrigação decorrente da multa estipulada. Da parte do atleta e de seus assessores, todo esforço continuará sendo empregado para que o débito seja quitado, o que certamente colocará todas as partes envolvidas em uma posição confortável sob as perspectivas contratuais, éticas e morais - diz a nota assinada por Francis Melo.

Em nota, o Atlético-MG disse que não poderia publicizar mais detalhes da ação, por ela ser em caráter confidencial. No contrato de rescisão de Fred com o clube, as partes elegeram a Câmara Nacional de Resolução de Disputas para discutir caso alguma parte do acordo assinado em dezembro de 2017 não fosse cumprido.

O Cruzeiro se preparava para se pronunciar nos próximos dias sobre o caso. O clube mineiro informou que, caso tenha que haver o pagamento, irá assumi-lo e pagará os R$ 10 milhões, pois já tem parceiros para isso. Inicialmente, a diretoria cruzeirense havia informado que a cláusula rescisória de Fred com o Atlético-MG poderia ser considerada ilegal e que iria defender os interesses e os direitos do clube até onde for preciso.

Por meio da diretoria de comunicação do clube, o Cruzeiro informou que iria se posicionar sobre o caso nesta sexta, mas teve que adiar para a próxima semana, pois ainda está definindo algumas questões burocráticas internas.

Como funciona e quais penas previstas na Câmara de Resoluções da CBF

O GloboEsporte.com teve acesso ao documento assinado por Fred, Itair Machado (vice-presidente de futebol do Cruzeiro) e Wagner Pires de Sá (presidente do Cruzeiro). Nele, consta que o clube celeste é o responsável pelo pagamento da multa, e o atacante ressalta, mais uma vez, que gostaria que o débito seja quitado "sem qualquer tipo de discussão com o Atlético".

Entenda o caso

Quando o Atlético-MG rescindiu contrato com Fred, o fez com uma condição: se o jogador fosse para o Cruzeiro, deveria pagar uma multa de R$ 10 milhões. Na ocasião, clube, atleta e representantes aceitaram o acordo, que foi assinado. Não deu outra: a Raposa ficou sabendo da liberação do atacante, fez uma proposta, evitou uma ida quase certa de Fred ao Catar e contratou o camisa 9.

Quando foi assinar com o Cruzeiro, Fred notificou o clube celeste sobre a existência da multa, por meio de um documento enviado à diretoria. O contrato foi assinado com a Raposa, que entregou a situação ao departamento jurídico para avaliar se a cobrança da multa era procedente ou não. No dia 26 de dezembro, a situação teve um novo capítulo, e o Cruzeiro se responsabilizou pelo pagamento do valor.

Os representantes do atacante reconhecem o acordo pelo pagamento dos R$ 10 milhões. Dizem ainda que o Cruzeiro estava de acordo com o valor ao contratar Fred. A multa deveria ter sido paga no dia subsequente à publicação do contrato do jogador com o clube celeste, o que ocorreu no último dia 16. Porém, não houve o depósito em 17 de janeiro. A diretoria cruzeirense decidiu levar a avaliação da multa para o departamento jurídico.

Na Câmara de Resolução de Disputas, o caso será julgado por cinco juristas: Vitor Butruce, presidente e representante da CBF; Luiz Guilherme Pires Barbosa, indicado pelos clubes; Liselaine Marques de Castro Rosa (atletas); Luiz Fernando Pimenta Ribeiro (intermediários); e Guilherme Guimarães (técnicos), segundo dados da site da CBF.

Globo Esporte