Goto faz pronunciamento e diz que abusos eram tratados como boatos

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Coordenador-chefe da seleção brasileira de ginástica, Marcos Goto fez um pronunciamento nesta terça sobre a denúncia de abuso sexual contra o ex-treinador Fernando de Carvalho Lopes. Atletas que foram vítimas disseram ao Fantástico que Goto tinha conhecimento dos casos de abuso, mas não tomou providências e ainda fez piadas sobre a situação. A Confederação Brasileira de Ginástica havia afirmado, em nota oficial, que vai ouvir Goto sobre a acusação de comportamento inadequado. Em nota, Marcos Goto afirma que não pretende mais comentar publicamente o episódio.

Sou o treinador mais vitorioso do Brasil, conhecido pela minha rigidez, profissionalismo e disciplina em busca dos melhores resultados para o meu país, fazendo o trabalho de desenvolvimento da modalidade em todas as categorias desde 1990 conduzindo milhares de crianças e adolescentes sem nenhuma intercorrência negativa nesse período. Os fatos narrados nessa matéria, que ocorreram há mais ou menos 12 anos, como foi dito por vários declarantes, os fatos eram tratados como boatos e podem ter gerado algum tipo de gracejo na época por muitos envolvidos na ginástica, inclusive entre os próprios atletas oriundos de São Bernardo do Campo, acolhidos por mim em São Caetano do Sul. Tanto parecia boataria que alguns atletas, alguns inclusive ouvidos na matéria, retornaram a treinar em São Bernardo com o mesmo treinador aqui dito. Eu e o referido treinador fazíamos parte da seleção brasileira na mesma função entre os anos de 2014 e 2016, não tento como atribuição a gestão de pessoas e sim a preparação do meu atleta para os Jogos Olímpicos. Essa função é dos superiores hierárquicos e da própria instituição verificar os antecedentes dos seus contratados. Sobre a nota emitida pela CBG, serve esta declaração como a única que darei sobre esses fatos, visto que na época não prestava serviço a mesma, sendo única e exclusivamente um treinador do meu clube, assumindo a coordenação técnica das seleções brasileiras em 2017. Acho leviano o tom da matéria em relação à minha pessoa, onde o principal foco foi esquecido e os verdadeiros responsáveis e omissos estão acobertados. Para finalizar, sou totalmente contrário a qualquer vítima de assédio, discriminação e intolerância, inclusive, assim que fui nomeado coordenador da seleção brasileira em 2017, iniciamos juntamente com o Comitê Olímpico e a CBG o primeiro código de ética na ginástica tendo como principal finalidade proteger e orientar os atletas. Também organizamos o primeiro seminário da ginástica no país, onde discutimos vários temas inerentes à modalidade, inclusive assédio. Neste seminário estavam os principais treinadores e coordenadores dos clubes do Brasil. Obrigado.

Durante a investigação que durou quase quatro meses e ouviu mais de 80 pessoas, 42 ginastas e ex-ginastas alegam terem sido vítimas de algum tipo de abuso físico, moral ou sexual por Fernando de Carvalho Lopes. Alguns relatos citam Goto, que é técnico em São Caetano. As supostas vítimas de Fernando que mudaram de clube por conta do abuso contam que relataram ao chefe da Seleção Brasileira o que teriam sofrido no clube Mesc, em São Bernardo, e reclamam da falta de ação e do que chamaram de chacota feita pelo profissional sobre o caso.

Há pouco mais de um ano, Marcos Goto assumiu o cargo de coordenador-chefe das seleções masculina e feminina de ginástica visando o ciclo para Tóquio 2020. Com três medalhas olímpicas no currículo, o técnico ganhou destaque após guiar Arthur Zanetti ao ouro olímpico nas argolas dos Jogos de Londres 2012 e levou o prêmio de melhor treinador de esportes individual tanto em 2012 como em 2013. O técnico também teve participação fundamental nas conquistas das pratas de Zanetti (argolas) e Diego Hypolito (solo) na Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016.

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