quarta-feira, 23 de maio de 2018

Mercedes x Ferrari x RBR: desta vez, as três equipes devem lutar por tudo em Mônaco

(Foto: Reprodução)


Já ouvimos essa história antes: “Aqui as três equipes vão estar muito próximas”. Mas depois, na classificação e na corrida o que assistimos foi bem diferente. Ferrari ou Mercedes demonstraram velocidade bem maior, entre si e em especial para a RBR.

Mas se existe uma pista onde Lewis Hamilton, da Mercedes, líder do mundial, e Sebastian Vettel, Ferrari, segundo colocado, podem acertar na previsão de um pega de verdade entre eles e Daniel Ricciardo e Max Verstappen, da RBR, é a de Mônaco.

Já nesta quinta-feira, a partir das 6 horas, horário de Brasília, poderemos começar a entender, nos primeiros treinos livres, se finalmente os seis pilotos das três escuderias mais eficientes da F1 têm mesmo razão. É provável que desta vez acertem. Ao menos segundo os próprios maiores interessados que seja verdade, a dupla da RBR.

O GloboEsporte.com estava no encontro de ambos com a imprensa nesta quarta-feira, em Mônaco. Ricciardo deu números para dar base a seu prognóstico de poder repetir o feito de 2016, quando largou na pole position:

- Em Barcelona (etapa anterior, dia 13), nós éramos meio segundo mais lentos nas retas que a Ferrari, por exemplo. Aqui a sua maior potência terá um peso menor no tempo final, será de dois décimos de segundo.

Max usou exatamente o mesmo parâmetro para expor sua confiança em um fim de semana promissor.

- A versão de motor de classificação da Mercedes e Ferrari lhes dá meio segundo de vantagem em relação a nós. Aqui eles também vão usá-la, mas por causa do traçado não passa de dois décimos, o que torna a disputa administrável.

O holandês de 20 anos, residente em Mônaco, como Ricciardo, falou mais sobre sua participação na sexta etapa do campeonato:

- Temos um carro muito bom. Aqui não tem grandes retas e sabemos que somos muito rápidos nas curvas. O que temos de fazer é encontrar um bom acerto para o chassi.

Para ele, e na realidade todos os pilotos, o provável resultado da corrida será quase definido no sábado, na definição do grid.

- Aqui não tem o que inventar. É corrida de um pit stop apenas. Se você largar na frente, pode depois ser dois segundos mais lento dos que estão atrás que eles não terão como te ultrapassar.

A exemplo de todos os pilotos, Ricciardo e Max estão entusiasmados com o uso dos pneus hipermacios. A Pirelli os distribuiu pela primeira vez. São os mais aderentes da sua gama. Além deles as equipes receberam os ultramacios e os supermacios.

Para se ter uma ideia do que isso significa, os pneus mais macios no Circuito da Catalunha, há menos de duas semanas, os supermacios, são os mais duros no GP de Mônaco. Isso porque os pilotos têm ainda à disposição os ultramacios e os hipermacios.

Quebra de recorde

Ricciardo comentou:

- Assisti ontem ao vídeo da volta que deu a pole a Kimi (Kimi Raikkonen, da Ferrari) no ano passado, na câmara a bordo, e dava para ver como ele era obrigado a corrigir a frente do carro, escorregava. Com os hipermacios não deveremos ver isso, será melhor para todos. Não sei qual é o recorde da pista, mas será batido.

O atual traçado, de 3.337 metros, foi usado pela primeira vez em 2015. A melhor volta desde então é da pole de Raikkonen no ano passado, 1min12s178, à média de 166,4 km/h. Em corrida, o recorde é de Sérgio Perez, da Force India, também de 2017, com 1min14s820.

O australiano, bastante cotado no mercado, disse que adoraria começar a preparação de todo GP com a mesma sensação que tem em Mônaco, diante da possibilidade de o modelo RB14-TAG Heuer (Renault) poder, eventualmente, lutar com o W09 da Mercedes e o SF71H da Ferrari.

- Saber que seu chegar no limite será o suficiente (para conquistar um grande resultado). Nos outros GPs, atingir esse limite não é garantia de nada.

Os dois pilotos da RBR, portanto, começam os treinos livres hoje com a faca entre os dentes. Hamilton e Vettel também pensam que Ricciardo, Max e eles próprios vão estar na luta. Embora o piloto inglês, vencedor das duas últimas provas, no Circuito de Baku e da Catalunha, tenha deixado um tanto em suspense sua expectativa com relação ao fim de semana.

Mercedes confiante, mas...

Na edição de 2017, foi em Mônaco que Hamilton mais enfrentou dificuldades com o aquecimento dos pneus. Largou em 14º e chegou em sétimo.

- Aprendemos muito com o que aconteceu no ano passado. Estou confiante na nossa preparação. Mas desembarcamos aqui procedente da última corrida conscientes de que esta pode ser uma das mais difíceis para nós. Se você observar a última corrida, os testes de fevereiro e o treino coletivo recente (semana passada), os pilotos da Red Bull eram particularmente rápidos no último setor, muito, muito fortes, o que nos faz crer que serão incrivelmente rápidos aqui.

O último setor do Circuito da Catalunha, mencionado por Hamilton onde Ricciardo e Max eram mais velozes, é o que se estende da curva 10 até a linha de chegada, onde todas as curvas são lentas, exceto a última, de média velocidade. E essa é a característica do traçado monegasco, curvas de baixa velocidade.

Os números do raciocínio de Hamilton: no domingo, o mais rápido no último setor da pista catalã foi Ricciardo, com 26s788. Max veio a seguir, 26s840. Hamilton registrou o terceiro melhor tempo naquele segmento, 26s852, e Vettel, o quarto, 27s172.

Vettel primeiro falou sobre os problemas da Ferrari em Barcelona. Ao contrário dos GPs anteriores, o modelo SF71H não explorou os pneus como o W09 da Mercedes e mesmo o RB14 da RBR. Hamilton venceu com o companheiro, Valtteri Bottas, segundo, e Max terceiro. Vettel recebeu a bandeirada apenas em quarto, surpreendentes 27 segundos depois de Hamilton.

Ferrari aprendeu com o GP da Espanha

- Em Barcelona o sábado não foi ruim, ficamos perto (Vettel fez o terceiro tempo, a 132 milésimos de Hamilton, pole position). Na corrida ficamos para trás. Na terça e na quarta-feira nós treinamos na mesma pista e simulamos a corrida de novo, com mais voltas ainda, para entender o que aconteceu. Temos algumas ideias das razões. Mas aqui isso não é relevante porque é um circuito completamente diferente.

De fato, o traçado de Mônaco é único. E outra variável ainda mais importante é o uso de pneus que, ao menos nos testes, demostraram elevadíssimo grau de aderência.

Se as equipes não tiverem problemas para fazer os hipermacios trabalharem na faixa de temperatura recomendada, entre 85 e 105 graus, mesmo chassis não dos mais equilibrados acabam se beneficiando dessa supereficiência dos pneus, aumentando a importância do piloto no resultado final, da classificação e das desafiadoras 78 voltas da corrida.

Globo Esporte