domingo, 20 de maio de 2018

Skatistas brasileiros passam a receber orientações antidoping

(Foto: Julio Detefon)


Com a inclusão do skate no programa olímpico, algumas regras antes inexistentes passaram a fazer parte do cotidiano dos atletas. Para organizar este novo cenário, a Confederação Brasileira, CBSk, ganhou nova gestão tendo como presidente o ícone do skate mundial, maior medalhista da história do X Games, com 30 medalhas: o brasileiro Bob Burnquist. E Sandro Dias, o Mineirinho, hexacampeão mundial, é o atual diretor de esportes. A dupla de peso do skate do país criou o Circuito Brasileiro, de Park e Street, as duas modalidades olímpicas, para formar a seleção nacional, estimulando ainda mais o desenvolvimento do esporte.

- O que a gente está tentando fazer é democratizar a possibilidade de se formar uma seleção brasileira em 2019. Esse é um circuito que a gente chama de “open” (aberto), em que qualquer categoria pode participar, amador ou profissional, desde que seja rankeado ou convidado - explicou Sandro.

Com a maior profissionalização do skate, a criação de um circuito nacional e de uma seleção, os atletas tiveram que se adequar a uma nova realidade, como o controle de dopagem durante os torneios, presente nos esportes olímpicos.

- Eu ando de skate há 33 anos, é muito novo pra mim também. A gente está tentando buscar o máximo de informação para que ninguém seja pego desprevenido num antidoping - completou Sandro.

No início do ano, o tetracampeão mundial Pedro Barros e Ítalo Penarrubia foram surpreendidos com um teste antidoping no Park Jam, em Itajaí, Santa Catarina, e foram reprovados no exame.

- Eu tenho meu laudo, tomo remédio desde pequeno, mas vou fazer o que precisar ser feito para poder representar em 2020. Tem muita substância que a gente nem imaginava que pegava no doping. Estamos tendo informações agora sobre isso e vamos seguir - disse Ítalo.

- Foram erros administrativos por falta de informação, inclusive da nossa parte da confederação. Se você pegar os prazos do dia em que foi feito esse exame a quando a confederação ficou sujeita a esses exames não deram 20 dias. Não quer dizer que a gente não queira seguir as regras, mas tem uma questão de educação para poder segui-las. A gente não teve tempo pra isso. Ninguém se dopou para a competição - explicou Duda Musa, vice-presidente da CBSk.

Desde então, a partir de março, quando começou o Circuito Brasileiro, a CBSk disponibilizou informações sobre substâncias permitidas para uso dos atletas, além de um médico para esclarecimentos e dúvidas.

- A gente está formando tudo isso agora, nós temos o médico da confederação, preparador físico, nutricionista. Quem é skatista, quer se informar pela confederação, vai ter alguém lá à disposição - contou Bob, agora presidente da CBSk.

Ainda não se sabe se haverá ou qual será a punição de Pedrinho Barros e Ítalo Penarrubia. Por enquanto, eles seguem competindo e estarão na semifinal da 1ª etapa de Park do Circuito Brasileiro, neste domingo, na pista da Costeira, em Florianópolis.

- Eu imagino que sendo um esporte novo, marinheiros de primeira viagem, eles levem tudo isso em consideração. Mas faz parte, vai passar pelo processo e a gente vai seguir. Mas estamos otimistas, porque é uma situação anormal e nova para nós, não é uma desculpa constante. Os dois entenderam e estão na regra - explicou Bob.

Em junho, a confederação fará um workshop para os skatistas, para disseminar informações sobre doping, novas regras, calendário, seleção, espírito olímpico, treinamento de mídia, etc. A ideia é que haja um encontro semestral para um maior alinhamento com este novo cenário do skate.

- A gente sabe da imagem do passado, da cultura do skate, mas essa não é uma preocupação que vai fazer a gente mudar os nossos planos. Temos a preocupação de que todo mundo tenha informação - concluiu Duda.

Globo Esporte