segunda-feira, 23 de julho de 2018

Sem traçar meta de pódios, Time Brasil prevê 250 atletas e define bases em Tóquio

(Foto: Reprodução)


O COB enviou para o Japão também um chef de cozinha que fez um estágio com profissionais japoneses, conhecendo sabores e ensinando possibilidades da culinária brasileira. Há também a possibilidade de trabalhar com a comunidade brasileira que reside no país. A alimentação é considerada um ponto de atenção da entidade, e o omega evento que acontece daqui a dois anos. Diretor de Esportes do Comitê Olímpico do Brasil, Jorge Bichara comandou o briefing.

Ele anunciou a expectativa de enviar uma delegação com 250 atletas, número mais alto que os 259 de Londres 2012 e abaixo dos 465 da Rio 2016, quando o Brasil recebeu a competição, o que é normal na história olímpica entre os países que recebem os Jogos. Outro ponto de atenção foi a divulgação de oito bases na cidade japonesa. Ele falou ainda que o investimento para o ano de 2018 será de R$ 153 milhões para treinamentos e outra atividades fins.

A entidade evitou falar em meta de medalhas e prometeu um detalhamento do assunto apenas após o fim de 2019. Deixou claro, porém, que pretende manter o mínimo de dez modalidades medalhistas, com meta até de crescer as possibilidades brasileiras em Tóquio 2020.

- Só vamos trabalhar com a divulgação de metas após o fim do ano de 2019. Após o término de todos os campeonatos mundiais. Aí vamos discutir isso. A obtenção de uma performance melhor que no Rio 2016, como os ingleses após Tóquio, é um desafio enorme, tanto é que só a Grâ-Bretanha conseguiu isso. Trabalhamos para estarmos melhor. A atenção está na melhora da preparação das nossas equipes. Não existe caminho diferente desse. A consequência do trabalho é a forma como vamos nos apresentar nos Jogos de Tóquio. Buscamos nossa melhor participação - disse Jorge Bichara.

Também estiveram presentes no evento o presidente do COB, Paulo Wanderley, o vice, Marco La Porta, e Rogério Sampaio, diretor geral da entidade. Os Jogos Olímpicos de Tóquio terão 35 esportes em ação, em 50 modalidades. Terá um total de 339 eventos, com cerca de 206 países e 11.090 atletas.

Alerta com a governança de confederações

Diretor-geral do Comitê Olímpico do Brasil, o medalhista olímpico Rogério Sampaio citou que a condição financeira do país não preocupa na preparação para Tóquio 2020. No último mês, o surgimento da Medida Provisória 841 deixou o esporte olímpico em alerta, já que diversas entidades perderiam verbas advindas das loterias. Porém, o próprio governo já sinalizou a mudança e manutenção do investimento no esporte.

Em 2018, o COB irá investir R$ 153 milhões na preparação para o Japão e R$ 97 milhões para serem divididos entre 34 confederações. Para 2019, o COB ainda não tem uma estimativa de orçamento, depende das definições federais, mas acredita que seguirá no mesmo patamar de 2018.

- Nos últimos meses foi uma preocupação muito grande por conta da MP 841, mas parece que agora ela será retirada no final de julho. Então, neste momento não afeta em nada nosso planejamento. A condição financeira do país não é a melhor, mas a mudança do governo nos dá tranquilidade - disse Sampaio.

O que preocupa, segundo Bichara, é a questão da governança. Ele afirmou que o sinal "é amarelo" com relação a todas as confederações nesse segmento, contudo, há algumas que são os focos do Comitê. De acordo com o diretor de esportes, o COB tem trabalhado para permitir que as confederações atinjam a transparência e possam seguir recebendo recursos.

- Algumas com problemas sérios de gestão causam problemas na preparação das equipes. Não precisamos esconder isso. Estamos dando suporte para não comprometer a preparação dos atletas. Esses problemas requerem das confederações melhorias para que se adequem para que o esporte evolua. Por questões relacionadas à questão administrativa, o COB trabalha próximo do basquete, esportes aquáticos e taekwondo, que estão impossibilitadas de receber recursos direto da Lei Agnelo Piva. Temos ajudado na representação internacional do país. Nacionalmente elas conseguem conduzir bem. Trabalhamos em parceria com eles na representação internacional para que isso não cause problemas na participação dos atletas.

Bases do Brasil e proximidade de Chuo com Vila Olímpica

O COB também anunciou a escolha de oito bases de aclimatação e permanência de atletas durante os Jogos de Tóquio, optando por ter uma delas bem próxima a Vila Olímpica para facilitar o deslocamento dos atletas. Antes da abertura da Vila e também durante os Jogos, os atletas terão à disposição bases em Chiba, Enoshima, Hamamatsu, Sagamihara, Saitama, Ota, Koto e Chuo, esta última bem perto da Vila Olímpica.

O Comitê Olímpico do Brasil lembrou da cooperação entre Brasil e o Japão desde antes da Rio 2016, no que diz respeito a logística e entendimento de clima e facilidades de treinamento e aclimatação. O diferencial traz opções para o país que algumas outras delegações não terão, o mesmo que ocorreu para os japoneses no Rio de Janeiro.

Delegações como o judô e o handebol masculino já estiveram no Japão. Fizeram treinamentos, conheceram as bases de aclimatação e começaram a se acostumar com o clima e a atmosfera japonesa. A Natação embarca para o Japão nas próximas semanas, assim como a equipe da vela, que vai após o Mundial da Dinamarca.

Alimentação brasileira será diferencial

O COB enviou para o Japão também um chef de cozinha que fez um estágio com profissionais japoneses, conhecendo sabores e ensinando possibilidades da culinária brasileira. Há também a possibilidade de trabalhar com a comunidade brasileira que reside no país. A alimentação é considerada um ponto de atenção da entidade, e o Comitê quer ter comida brasileira à disposição para os esportistas.

- Teremos alimentação brasileira fornecida por nós. É um fato de influência para os atletas. Estará disponível e será um fator diferencial importante para nossa preparação - comentou Bichara.

- Alimentação é importante porque traz uma familiaridade com o fator casa e ajuda a preparar de maneira mais eficiente. Estamos fazendo um trabalho com todas as cidades, conversamos com alguns dos maiores caterings japoneses. Algumas das maiores empresas disseram que não. Foi um pouco surpreendente. Existe um processo de treinamento de chefs japoneses e a participação da comunidade brasileira que mora no Japão - completou o gerente de operações internacionais, Gustavo Harada.

As bases de aclimatação no Japão*

Chiba - Surfe
Enoshima - Vela
Hamamatsu - Beisebol, Ginásticas, Golfe, judô, Remo, Rugby e tênis de mesa
Sagamihara - Badminton, canoagem velocidade, esgrima, futebol feminino, natação, nado artístico, saltos, triatlo e vôlei feminino
Saitama - Atletismo, boxe, levantamento de peso, caratê, wrestling, taewkondo, polo aquático, pentatlo e basquete
Ota - Handebol, maratona aquática, tiro com arco, vôlei de praia e vôlei masculino
Chuo - Lounge famílias, serviços de performance, restaurante com comida brasileira, treinamento de esportes de combate, sala de força, fisioterapia, sala de coletiva
Koto - vôlei masculino e feminino

* Alguns esportes ainda não definiram ou deixaram em aberto os locais

Globo Esporte