Fluminense fecha 2018 com prejuízo de R$ 4,5 milhões em jogos como mandante

(Foto: André Durão)


O Fluminense fechou a temporada 2018 com um prejuízo de R$ 4,5 milhões nos jogos como mandante. Das 35 partidas sob seu domínio, teve lucro em apenas sete, a maior no Fla-Flu do Brasileirão que levou para Brasília.

Os números expõem a dificuldade do clube em tornar rentáveis os confrontos em casa. O principal problema é o alto custo de operação no Rio de Janeiro, principalmente no Maracanã, situação não compensada pela média de público de 13.846 pagantes.

O clube arrecadou pouco mais de R$ 14,6 milhões com bilheteria ao longo do ano. Porém, os gastos superiores a R$ 19 milhões resultaram no prejuízo de R$ 4,5 milhões.

A questão Maracanã

Do déficit total, cerca de R$ 3,5 milhões correspondem ao uso do Maracanã (média de R$ 143 mil negativos por jogo), a principal casa do Tricolor no ano. Das 24 partidas realizadas no local, o Fluminense ficou no prejuízo em 19 delas.

Teve lucro apenas em duas partidas da Sul-americana (Cuenca e Atlético-PR), duas do Brasileiro (Palmeiras e São Paulo) e um clássico do Carioca (contra Botafogo).

O principal palco do futebol brasileiro virou uma dor de cabeça para o Flu desde abril de 2017, quando uma determinação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro mudou a relação original entre clube, Consórcio e Governo do Estado, fazendo o Tricolor passar a arcar com uma parcela maior dos custos operacionais.

Na ocasião, a Justiça determinou que um aditivo assinado no fim de 2016 pelo então presidente Peter Siemsen para o uso do estádio para dois jogos específicos após a Olimpíada passasse a reger a relação entre as partes.

A decisão atendeu um desejo antigo do Consórcio, que reclamava que a falta de cumprimento por parte do Governo do Rio dos termos iniciais do contrato (estacionamento e shopping ao redor do estádio) inviabilizava o acordo inicial. O novo molde em vigor, porém, acabou dificultando o clube em conseguir lucrar com o estádio. Os principais custos são o aluguel do Maracanã (R$ 100 mil por jogo) e as despesas operacionais (que costuma variar de R$ 180 mil a R$ 220 mil).

No início do ano, o Fluminense estudou alternativas, como Giulite Coutinho e Los Larios, mas acabou decidindo pelo Maracanã como estádio prioritário. Na tentativa de reduzir os custos, desenvolveu um novo modelo de operação, com abertura de setores proporcional à quantidade de ingressos vendidos, algo que reduziu os prejuízos.

- Criamos uma força-tarefa para avaliar todos os custos do Maracanã, um custo pesado com operação e fornecedores. Fizemos uns jogos em estádios menores e entendemos que valeria a pena fazer um esforço e buscamos uma renegociação com a finalidade de reduzir o ponto de equilíbrio, ou seja, ter uma perspectiva de resultado positivo ou mesmo mitigar um eventual prejuízo, com menos público no estádio - explicou Ronaldo Barcellos, Vice-Presidente Comercial e Marketing.

Após o esforço, o Tricolor reduziu a quantidade de público necessária para conseguir ficar no azul para aproximadamente 18 mil pessoas em um ticket médio de R$ 25 a R$ 30. Foram poucas as ocasiões, porém, para que isso ocorresse.

- Hoje, após renegociação, temos um breakeven (empate mínimo) operacional de 18 mil pessoas, o que é um número que entendo ser sensacional. Redução de 40 mil para 18 mil, considerando ticket médio a R$ 30. Isso sem falar na receita com sócios, que é impactada positivamente quando jogamos no Maracanã, o que ajuda a compensar eventuais custos desta escolha. O Fluminense não abre mão de jogar no estádio e acredita que o novo governo tratará este assunto da melhor forma - completou Ronaldo Barcellos.

Dois jogos no Maracanã destoaram do cenário geral negativo e renderam boas quantias ao clube. Foram os confrontos contra o Atlético-PR (R$ 456.383,07) e Deportivo Cuenca (R$ 359.159,08) pela Sul-Americana. A boa campanha, aliás, motivou a torcida e fez o clube ficar no azul na competição continental em R$ 95 mil.

Prejuízos também fora do Maracanã

Mesmo quando não jogou no Maracanã, o Fluminense teve prejuízo. Foram seis jogos no Nilton Santos e déficit de mais R$ 1,6 milhões (média ainda pior que no Maracanã). Nas duas partidas que mandou em Los Larios, acumulou de R$ 167.209,44 negativos. Quando jogou no Giulite Coutinho, novo prejuízo, de R$ 119.350,59.

Lucros longe de casa

Das sete partidas com saldo positivo, duas foram fora do Rio de Janeiro. O lucro recorde foi no clássico contra o Flamengo pelo Brasileirão no Mané Garrincha, em Brasília: R$ 500 mil. Em outro Fla-Flu, dessa vez pelo Carioca, na Arena Pantanal, recebeu R$ 350 mil. Em ambas as ocasiões, os valores recebidos foram acordados com os organizadores da partida e independiam de quantidade de público.

Os sete jogos com lucro em 2018

Fluminense 0X2 Flamengo - Mané Garrincha - Brasileiro: R$ 500.000,00
Fluminense 0X2 Atlético-PR - Maracanã - Sul-Americana: R$ 456.383,07
Fluminense 2X0 Cuenca - Maracanã - Sul-Americana: R$ 359.159,08
Fluminense 4X0 Flamengo - Arena Pantanal - Carioca: R$ 350.000,00
Fluminense 3X0 Botafogo - Maracanã - Carioca: R$ 43.834,93
Fluminense 1X1 São Paulo - Maracanã - Brasileiro: R$ 33.140,94
Fluminense 1X0 Palmeiras - Maracanã - Brasileiro: R$ 29.757,43


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