Camila Brait abre o coração no ato final da vitoriosa carreira como atleta do vôlei

(Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)


Camila Brait se retira do palco como atleta profissional em grande estilo. Eleita a melhor líbero da Superliga 2025/26 e homenageada na final disputada neste domingo (3), no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, é reconhecida como um exemplo de talento, dedicação, resiliência e amor. Amor pela família, pelos filhos, pelo esporte e pela equipe osasquense, a qual defendeu com 18 anos. Um caso de fidelidade raramente visto no esporte. Nesta entrevista a agora ex-atleta do Osasco São Cristóvão Saúde abre o coração para falar da vida como jogadora, mulher e mãe.

O que fez você escolher o Osasco por 18 anos seguidos?

Camila Brait - Osasco é minha casa, né? Eu cheguei aqui com 19 anos, uma menina, e o Luizomar foi o cara que acreditou em mim quando nem eu mesma acreditava. Eu formei minha família aqui, conheci meu marido aqui, a Alice nasceu e cresceu nesse ginásio. Depois, veio o Romeo, que também esteve em vários treinos e jogos. É claro que propostas de fora apareceram, mas o que eu sinto quando entro no Liberatti e vejo essa torcida... isso dinheiro nenhum paga. O time de Osasco é família. Eu sempre falei: no Brasil, eu não vestiria outra camisa.

Qual foi o primeiro pensamento ao tirar a joelheira pela última vez?

Camila Brait - Meio que passou um filme. Lembrei da primeira vez que entrei no Liberatti, de quando o Luizomar me convidou para o time e apostou em mim, das meninas que passaram pelo time, dos títulos e até das derrotas que doeram. Mas o sentimento principal foi de dever cumprido. Eu saio com o coração em paz porque sei que dei tudo de mim por esse projeto em cada treino, em cada jogo, em cada passe e em cada defesa nesses 18 anos.

Como foi ser o "porto seguro" e se tornar líder para tantas gerações diferentes?Camila Brait - Eu tento passar para as meninas o que vai além da técnica e da tática: que em Osasco a gente joga com o coração. Ser capitã exige essa calma, né? De dizer 'está tudo bem, a próxima bola é nossa'. Fico feliz de ver tantas meninas que passaram por Osasco sentindo esse peso bom da nossa camisa, e que construíram grandes carreiras como atletas e seres humanos.

Por que parar agora, mesmo estando no topo técnico?

Camila Brait - Eu sempre quis parar assim, jogando bem. Meu corpo já começa a pedir um descanso, e a rotina do alto rendimento é bem pesada. Eu abdiquei de muita coisa, de muito tempo com a minha família, e agora sinto que a Alice, o Romeo e o Caio, meu marido, podem contar comigo 100%. É bom deixar as quadras feliz e saudável.

O que a Camila Brait consagrada e reverenciada diria para a menina Camila Brait de 2008?

Camila Brait - Eu diria: 'Vai com tudo, garota! Não tenha medo, porque você vai viver coisas extraordinárias aqui'. Diria para ela ter paciência nos momentos difíceis, como foi 2016, porque lá na frente a recompensa vem. Eu diria que ela ia ser muito, mas muito feliz em Osasco.

Como a maternidade mudou sua forma de encarar o vôlei?

Camila Brait - Mudou tudo. Antes, uma derrota parecia o fim do mundo. Depois da Alice e do Romeo, eu entendi que o vôlei é o meu trabalho, minha paixão, mas a vida real é também o que acontece em casa. Chegar de um jogo difícil e receber o abraço deles me dava uma perspectiva diferente. Eles me deram uma força que eu nem sabia que tinha para voltar a jogar em alto nível depois das gestações.

Qual foi o momento mais difícil e o mais feliz?

Camila Brait - O mais difícil, sem dúvida, foi o corte da Olimpíada de 2016. Eu achei que não ia mais voltar a jogar. O Luizomar foi o cara que me resgatou ali. E o mais feliz... nossa, são tantos! O Mundial de Clubes foi incrível, a prata em Tóquio foi uma realização, mas cada título com Osasco, jogar com o Liberatti lotado, todos são momentos que têm um gostinho especial.

Se o ginásio pudesse te dizer algo hoje, o que seria? E qual seria sua resposta?

Camila Brait - Acho que ele diria: 'Obrigado por nunca desistir da gente'. E eu responderia: 'Obrigado por ser o palco da minha vida'. O Liberatti é um lugar mágico, e eu vou sentir muita saudade daquele barulho.

Qual a importância do Luizomar na sua vida?

Camila Brait - Já disse isso antes e vou repetir. O Luiz é um verdadeiro paizão. Acreditou em mim em momentos em que nem eu acreditava e é um dos grandes responsáveis pela minha carreira. Tenho muito respeito, admiração e, mais que um treinador, é um amigo para a vida.

E qual a mensagem para a torcida, que já está com saudade?

Camila Brait - Simplesmente, obrigada. E seguimos juntos. Juntos por Osasco.

ZDL