Com base mantida, Corinthians feminino se reforça e coloca meta de campeão

(Foto: Divulgação Corinthians)


O Corinthians começa uma nova fase em 2018. A partir deste ano, terá novamente seu time de futebol feminino após sete anos sem representante próprio na modalidade no país. A parceria com o Audax foi encerrada em dezembro de 2017 e uma etapa se iniciou no clube paulista. Sob o comando do técnico Arthur Elias, que foi o treinador da união que venceu a Libertadores do último ano e foi vice do Brasileiro, a agremiação busca fincar raízes no projeto, tão importante até mesmo para a participação na Libertadores masculina a partir de 2019. O primeiro passo foi dado. A base foi mantida e contratações estão sendo feitas. Nomes importantes como Lelê, Pardal, Yasmin, Nenê, Ana Vitória e Cacau, entre outras, estarão no grupo. Em relação a reforços, chegaram até o momento oito novos nomes: Milene, Adriana, Kamilla, Marcela, Suellen, Katiuscia, Gislaine e Giovanna. A atacante Carla havia fechado, mas recebeu uma proposta do futebol chinês e optou pelo país asiático.

- A gente está montando o grupo. Montagem bem avançada. O que houve com o Audax é que o direção do Corinthians tomou a decisão de montar o time próprio por precisar ter. Então, acabei aceitando o convite do Corinthians. Temos uma base do ano passado principalmente das que vinham jogando na temporada. A base é importante. Faz diferença. Teremos tempo bom de pré-temporada e preparação que vai nos dar base e conceito de jogo. Também preparo físico para a temporada desgastante com duas competições: Paulista e Brasileiro – afirmou Arthur Elias ao blog Dona do Campinho.

O número de 22 jogadoras no elenco, até o momento, tem como propósito aguentar o desgaste de duas fortes competições como Paulista e Brasileiro (confira aqui o calendário), como citou Arthur Elias, mas também dar igualdade de importância às duas competições que o Timão terá pela frente na temporada. Para garantir o mesmo sucesso do último ano, em que o treinador alternava atletas e a forma de atuar se mantinha com excelência, o foco é usar a pré-temporada para dar um modelo sólido de jogo.

- Primeiro objetivo é aproveitar a pré-temporada. Montar as ideias de jogo que a gente vai usar. Depois começamos o Paulista e vamos tocar Paulista e Brasileiro dando a mesma atenção. O elenco foi montado para isso. Reduzido, mas de qualidade. A ideia é jogar para vencer todos os jogos. E isso lá na frente a gente vai ver nossa colocação nos campeonatos. A ideia não é priorizar só o Brasileiro porque o Paulista é muito duro - garantiu.

Na relação de 2018, não estará Byanca Brasil, que foi um dos nomes no último ano no time. Arthur diz que a posição de camisa 9 é uma carência no mercado feminino e, por isso, a estratégia, até pelas opções velozes no elenco, será atuar com maior movimentação no setor ofensivo e não com uma jogadora fincada na frente.

- Tem uma carência no mercado da posição que chamamos de 9. Mas temos uma maneira de jogar com movimentação constante no ataque e temos jogadoras rápidas. A principio estou satisfeito com as jogadoras, mas atletas de qualidade sempre estão no radar - disse.

Atento aos adversários, Arthur já vislumbra quem poderá criar dificuldades ao Corinthians para os torneios deste ano. Ele aponta Santos, Iranduba, Ferroviária, São José, Flamengo, Kindermann, Rio Preto e Audax. Salienta também a vantagem assegurada pelo Sport, que tem treinado bastante por um longo período e surge com um time jovem que pode incomodar na Série A1.

- A característica bem interessante é o nivelamento que temos. Temos seis, sete equipes candidatas ao título brasileiro. No Paulista são cinco que têm condições de vencer. Esse nivelamento é muito enriquecedor para a modalidade. Vejo equipes que pelo investimento são candidatas. Santos por ter mantido a base, Iranduba, um time que vem crescendo e ganhando espaço, Ferroviária, com ideia de jogo sempre bem bacana, São José, pela tradição e qualidade também vai brigar por título, Rio Preto, que nesses últimos anos tem sido uma das principais forças, Flamengo, esse sim que mantém a base há muito tempo, Sport, uma equipe que manteve a base e contratou mais, tem perfil de atletas jovens, e me parece que é a equipe que mais treinou no Brasil. Jogaram uma competição curta, o Pernambucano. Vai chegar com uma base maior. Também o Kindermann, que retomou ano passado e é muito tradicional. Se sabe que jogar em Caçador é difícil. O Audax, que estava conosco na parceria e respira ainda mais o futebol feminino. Imagino que o Audax esteja montando um grupo à altura do que ele merece - afirmou.

A adoção do protagonismo e a aposentadoria do modelo de parceria também traz novas responsabilidades. O treinador ressalta que há um respaldo grande da diretoria corintiana, mas também se inicia um desafio de assegurar a sequência da modalidade no clube em alto nível. Arthur salienta que, assim, será assegurado o essencial: espaço e respeito.

- Fomos bem recebidos aqui. Comecei o trabalho dia 2, mas desde o final do ano passado estruturando. O trabalho é dentro do Parque São Jorge e também treinaremos no CT da base. As condições de trabalho são muito boas. Temos respaldo da diretoria, mas também é um desafio porque vamos reiniciar o futebol feminino dentro do Corinthians. Temos que garantir mais espaço e respeito - finalizou Arthur Elias.

Contratadas até o momento:

Zagueira Gislaine, com uma longa história no São José

Lateral Katiuscia

Atacante Millene, que estava no Rio Preto

Marcela, que estava no Spartak, da Sérvia

Zagueira Giovanna, que estava no Kindermann

Lateral Suellen (Suh), que atuou em 2017 pelo Audax

Atacante Kamilla, que destacou-se em 2017 pelo Iranduba

Atacante Adriana, melhor atacante do Paulista 2017 e artilheira da equipe do Rio Preto no estadual 
Atletas que permaneceram:

Goleiras: Lelê, Tainá e Pati

Zagueiras: Pardal e Mimi

Laterais: Paulinha e Yasmin

Meias: Grazi, Maglia, Ana Vitória, Daiane e Nenê

Atacantes: Gabi Nunes e Cacau

Globo Esporte