quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Troca de técnico do Atlético-MG está entre as mais lentas dos últimos 10 anos

 (Foto: Bruno Cantini/ Atlético)


A quarta-feira começou, e o Atlético-MG ainda não anunciou o próximo treinador. Oswaldo de Oliveira foi demitido na última sexta-feira, há cinco dias. O GloboEsporte.com levantou o tempo gasto pelo clube entre a saída do técnico e a chegada do sucessor nos últimos 10 anos. A atual troca está entre as mais lentas e perde apenas para duas: de Levir Culpi para Diego Aguirre e de Marcelo Oliveira para Roger Machado. As duas, porém, aconteceram em final de temporada, e os técnicos que chegaram começaram a trabalhar apenas na pré-temporada seguinte.

Considerando apenas as trocas em meio de temporada, a atual já é a mais lenta e está empatada, curiosamente, com uma outra envolvendo o atual diretor de futebol do clube, Alexandre Gallo. No dia 15 de maio de 2008, Geninho pediu demissão do Galo após derrota por 2 a 0 para o Botafogo e eliminação na Copa do Brasil. A direção alvinegra - encabeçada na época por Ziza Valadares - demorou cinco dias para anunciar Alexandre Gallo como técnico. Ele foi anunciado no dia 20 de maio de 2008 e deixou o cargo no dia 31 de julho do mesmo ano, computando dois meses e 11 dias na função.

Por pouco, Gallo não foi o técnico que ficou menos tempo no comando do Atlético-MG desde 2008. Ele foi superado, recentemente, por Rogério Micale, que chegou no dia 21 de julho de 2017, saiu no dia 24 de setembro do mesmo ano e ficou, ao todo, dois meses e três dias.

Em 2013, houve uma troca curiosa, quando Paulo Autuori foi anunciado como técnico no dia 20 de dezembro, véspera da disputa pelo terceiro lugar do Mundial Interclubes daquele ano, quando o Atlético-MG ainda teve Cuca no banco de reservas. Isso porque o técnico campeão da Libertadores já havia anunciado que iria para o futebol chinês, e a diretoria - de Alexandre Kalil - trabalhou rápido para definir o substituto. No dia 21 de dezembro, portanto, o Galo teve "dois técnicos": um de saída, um chegando.

Em relação ao tempo dos treinadores no cargo (os dados também estão na tabela), Cuca também é o líder dos últimos 10 anos. Do dia de chegada ao dia de saída, Cuca ficou dois anos, quatro meses e 13 dias no Alvinegro. O único, além dele, que passou de um ano no comando foi Levir Culpi, que assumiu no dia 24 de abril de 2014 e saiu no dia 26 de novembro de 2015.

Em média, de Geninho a Oswaldo de Oliveira, cada treinador ficou oito meses no comando do Atlético-MG. A média é elevada, claro, graças a Cuca e Levir Culpi. Os últimos cinco treinadores do Galo (Diego Aguirre, Marcelo Oliveira, Roger Machado, Rogério Micale e Oswaldo de Oliveira) ficaram abaixo da média. Além de Cuca e Levir, Vanderlei Luxemburgo e Dorival Júnior foram os únicos (dos 15 da lista) que "duraram" mais de oito meses.

Por que a demora?

A recusa de Cuca ao Atlético-MG foi preponderante para a atual troca no comando do time estar entre as mais lentas. O diretor de futebol Alexandre Gallo assumiu que ele "era o nome", mas o técnico recusou a proposta e garantiu que não vai trabalhar antes da Copa do Mundo da Rússia, em junho e julho deste ano. Cuca vai viajar para acompanhar o torneio com a esposa e as duas filhas.

Sem a opção de Cuca, o Galo partiu para o "plano B". Outro fator que precisa ser mencionado também é, claro, o feriado de Carnaval, que pode ter atrasado negociações e conversas. Alguns treinadores desempregados foram procurados pela reportagem e garantiram que não foram procurados pelo clube. Milton Mendes e Jorginho estão entre eles.

Globo Esporte