quinta-feira, 1 de março de 2018

De volta ao Corinthians, Rosenberg sonha com Balotelli para repetir "case Ronaldo"

 (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)


Um dos alicerces da diretoria que reconstruiu o Corinthians depois do rebaixamento de 2007, o diretor de marketing Luis Paulo Rosenberg voltou ao clube com Andrés Sanchez. É ele a principal bandeira da "gestão ousada e corajosa" prometida pelo presidente. E cabe a ele a missão mais difícil dessa nova gestão de Andrés: negociar a dívida bilionária da Arena Corinthians e gerar novas receitas em tempos de crise.

Sem contar, claro, a busca por um novo Ronaldo Fenômeno, símbolo da retomada corintiana. Segundo Rosenberg, no cenário atual, guardadas as devidas proporções, um jogador tem esse perfil: Mario Balotelli, atacante italiano de 27 anos, atualmente no Nice, da França.

– Ronaldo, além de ser um craque surpreendente, a história dele é a cara do Corinthians. Cresce, cai, tem a contusão, volta, isso faz dele um ser humano. Por exemplo, compara com a trajetória do Kaká. Aquela coisa bonitinha, tudo certinho, nunca teve problema na vida... Isso não é Corinthians, não adianta eu trazer um Kaká, não vai ter identificação com a torcida. Acho difícil existir um (hoje, que se encaixe no perfil do Ronaldo). Vai, se você quer, um parecido é o Balotelli. Isso seria bem corintiano, vai e volta, cresce, briga, tem personalidade... (Risos) Mas é inacessível – respondeu, em entrevista ao GloboEsporte.com.

– Talvez um pedido a São Jorge – completou, ao ser questionado se seria uma dica do que o Corinthians quer para o seu ataque.

O "inacessível" tem motivo: Balotelli tem contrato com o Nice até 30 de junho deste ano e recebe cerca de 5,4 milhões de euros por ano (equivalente a R$ 1,8 milhão por mês ou R$ 21,6 milhões por ano).

Na primeira passagem pelo clube, entre dezenas de projetos de Rosenberg, o de maior destaque foi a engenharia de marketing que tornou possível bancar a contratação de Ronaldo Fenômeno, no fim de 2008. O craque recebia R$ 400 mil mensais fixos no primeiro ano (2009), registrados em carteira, mas embolsava parte do patrocínio da camisa que ele ou o clube atraísse.

No ano seguinte, em 2010, por exemplo, o Corinthians fechou contratos de R$ 38 milhões (mais R$ 3 milhões em ações de marketing), dos quais Ronaldo embolsou cerca de R$ 13 milhões. No total, o rendimento anual do Fenômeno atingiu quase R$ 20 milhões.

Hoje, quase dez anos depois, Rosenberg diz que nunca deu nem dará palpite no departamento de futebol. Mas levará adiante todo e qualquer projeto ambicioso, por mais maluco que seja, como foi a contratação de Ronaldo na época, quase dez anos atrás.

– No caso do Ronaldo, teve a mágica de a Fiel se apaixonar por ele e ele se apaixonar pela Fiel. Um jogador que passou pelos maiores clubes do mundo, de repente se apaixona assim, parece um coroa quando se apaixona pela gatinha e entra num romance espetacular – disse.

Problemas financeiros

O problema é que o Corinthians vive tempos difíceis. As duas últimas gestões no clube, de Roberto de Andrade e Mário Gobbi Filho, que presidiram o clube entre a primeira e a segunda passagens de Andrés, foram de corte nos gastos e pés no chão. Só no primeiro semestre do ano passado, o déficit foi de R$ 46,4 milhões, o que fez a dívida total saltar para R$ 472,3 milhões, de acordo com demonstrativo financeiro divulgado pelo clube – esse valor não inclui a dívida da Arena Corinthians.

O balanço financeiro de 2017 ainda não foi consolidado e publicado pelo departamento financeiro, dirigido agora por Wesley Melo, substituto de Emerson Piovezan – o prazo para publicação é 30 de abril. Mas Melo admite que o ano não começou bem para o Corinthians, mesmo com o título brasileiro do ano passado.

– Eu sabia que a situação era delicada, mas é maior do que eu imaginava. Se alguém me contasse, eu não iria acreditar. Você tem de sentar, olhar os números, conversar com os funcionários que estão há mais tempo, tem de olhar os processos, para entender a dimensão da coisa. Hoje a gente tem um fluxo de caixa negativo de R$ 8 milhões por mês, totalmente insustentável. Então, a gente precisa encontrar uma solução para isso urgente. Hoje minha prioridade é o fluxo de caixa. Preciso de novas receitas para fazer esse equilíbrio de fluxo de caixa – afirmou Melo.

A folha salarial do departamento de futebol do Corinthians é de quase R$ 12 milhões por mês. Contando a sede social, o clube tem um total de mais de 700 funcionários. Enquanto isso, a meta é renegociar a dívida da Arena Corinthians, que, incluindo juros, gira em torno de R$ 1,3 bilhão.

Por mais ousado que seja, Rosenberg sabe que o momento exige cautela. Melhor pensar num craque internacional a partir de 2019:

– Neste ano a gente tem um processo de ajuste entre receita e despesa, no ano que vem a coisa ficará bem melhor, também em parte graças a novos contratos (com a TV). Ali dá para a gente pensar em algumas coisas mais ousadas. Mas não tenha dúvida, vai nascer do futebol, a gente monta um esquema de venda de propriedades ligadas ao craque, mas acho difícil que seja alguma coisa como o Ronaldo.

Atletas reconhecidos mundialmente

Procurado pela reportagem do GloboEsporte.com, o diretor-adjunto de futebol do clube, Duilio Monteiro Alves, afirmou que nomes como o de Balotelli, entre outros, são sempre bem vindos ao Corinthians, assim como em muitos outros clubes do planeta.

– Estamos sempre em busca de atletas de qualidade, e nesses casos, o planejamento de marketing é fundamental para viabilizar a vinda desses jogadores. Os departamentos de Futebol e Marketing do Corinthians trabalham de forma integrada em diversas ações, inclusive na busca por atletas reconhecidos do futebol mundial – afirmou Duílio, por meio da assessoria.

Globo Esporte