segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Crônica: A beleza, a garra e a vitória

(Foto: Atsushi Tomura/Getty Images)

Por Nicholas Araujo


Quem vê de fora, como eu, sente uma grande emoção ao acompanhar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, seja pela TV ou ao vivo. A beleza de um espetáculo grandioso como esse está nos grandes detalhes, como a superação de metas, os recordes batidos, mas também é contada nos pequenos detalhes, como a tia da cantina, o faxineiro do estádio ou a torcida que participa em peso.

Os Jogos trouxeram alegrias, dúvidas, projetos, problemas, legados e emoção. Enquanto éramos questionados por nossos atrasos, passávamos – e passamos – por uma crise política e financeira, os atletas se dedicavam aos treinos, aos recordes e as medalhas. Quando agosto chegou, fomos tomados por um sentimento de união, de amor, de paz, de carinho e de gratidão por aqueles que representavam as cores verde, amarelo, azul e branco de nossa bandeira.

A torcida se uniu, vaiou, comemorou, vibrou e chorou por todos. Souber se paciente, mas também sou ser fervorosa, impaciente e às vezes intolerante. Os problemas, claro, apareceram, mas foram abafados pelo grande espetáculo. Desde a cerimônia de abertura, percebemos o quanto impecável os dois eventos foram pensados, desde a estética e a história apresentada no show inicial, até as competições e o encerramento com o apagar da pira olímpica.

As Paralimpíadas não foram diferentes, e mais uma vez o Brasil soube como dosar cada partida e como investir de maneira correta. Infelizmente houve surpresas no vôlei feminino, futebol feminino, a perda de medalhas que eram tão esperadas no atletismo e no vôlei, mas houve grandes consagrações, como o futebol masculino, o futebol de 5, o vôlei masculino e o atletismo paralímpico.

Soubemos ser grandes anfitriões, entregamos o Brasil como um grande hotel para a hospedagem de atletas do mundo todo, e demonstramos nosso grande carisma para o mundo. Fomos grandes, nos tornamos o centro do mundo neste período e soubemos ser fortes, resistentes, amorosos e, acima de tudo, gratos. Somos gratos pela oportunidade, pelo período dedicado dos atletas em defender o país e defender uma nação que precisava de amor, depois de um período turbulento em sua política.

Que o Brasil continue a criar grandes Daniel Dias, Clodoaldo Silva, Thiago Braz, Shirlene Coelho, Alisson e Bruno, Diego Hypólito, Arthur Zanetti e Thiago Pereira. Que possamos sempre gritar o famoso “É Campeão” e poder soltar o grito entalado na garganta. Obrigado atletas, obrigado guerreiros. Obrigado Brasil.

(Foto: Laurence Griffiths/Getty Images)