sábado, 10 de setembro de 2016

Especial – Jogos Paralímpicos e seu legado esportivo



Os Jogos Paralímpicos, ou Paraolímpicos, são realizados desde 1960, quando a primeira edição aconteceu na cidade de Roma, na Itália. Antes disso, algumas competições foram realizadas em Stoke Mandeviille, na Inglaterra, por volta de 1948, com competições para deficientes físicos como forma de reabilitar militares feridos na Segunda Guerra Mundial.

Na cidade inglesa localizava-se um importante hospital e o Centro Nacional de Lesionados Medulares. Por volta de 1948, o neurologista Ludwig Guttmann realizava tratamentos em feridos militares e desenvolveu atividades e competições esportivas para os pacientes que sofreram algum trauma ou precisaram ser amputados pelos ferimentos na guerra.

Coincidentemente, os jogos para deficientes aconteceram no mesmo ano dos Jogos Olímpicos de Londres, reforçando a ideia de Guttmann da criação de uma Olimpíada para portadores de deficiência. O sucesso do tratamento do médico inglês foi tão grande que outros médicos do mundo inteiro passaram a usar o esporte como forma de reabilitar seus pacientes. Em 1952 houve outros jogos em Mandeville, mas o grande sucesso dos desportos aconteceria em 1960. 

Com a formação do Comitê Paraolímpico Internacional (IPC), a cidade de Roma foi a primeira a receber os Jogos Paraolímpicos, ou como ficou conhecido na época, Olimpíadas dos Portadores de Deficiência. Naquele ano, 400 atletas de 23 países participaram do evento, que foi exclusivo apenas para cadeirantes. A inclusão de deficientes mentais, por exemplo, ocorreu em 1976, quando Toronto recebeu os Jogos. Naquele ano, Montreal era sede das Olimpíadas. 

No entanto, em 2000 houve um grande escândalo envolvendo os deficientes mentais, pois houve denúncias de fraudes na escalação de atletas. Um jornalista havia se infiltrado na seleção de basquete da Espanha e descobriu que muitas atletas sem deficiência foram convocados.

O retorno desses atletas aconteceu em 2004, quando uma assembleia geral do Comitê no Cairo, no Egito, aprovou a resolução que permitia novamente a participação de portadores de deficiência mental nos jogos.

(Foto: Alex Ferro/Divulgação)

Símbolos

A nomenclatura “Paraolímpicos” surgiu em 1988, quando os jogos aconteceram em Seul, posterior aos Jogos Olímpicos. De início, a explicação seria a união de “Paraplegia” com “Olimpíada”, mas após a inclusão de outros tipos deficiência, essa explicação ficou inadequada.

Atualmente, a explicação vem da derivação da preposição grega παρά, pará (“junto a” ou “ao lado de”) e, portanto, seria uma competição realizada em paralelo aos Jogos Olímpicos. Em 2001, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) assinaram um acordo que as cidades-sedes dos Jogos Olímpicos também gerenciariam as Paralimpíadas. O acordo vale até 2020 podendo ser postergado.

Bandeira e lema

Até 2004, nos Jogos de Atenas, o lema das Paraolimpíadas era “Mente, Corpo e Espírito”, lançado em 1994. Desde então, o lema foi alterado para “Espírito em movimento”, o que foi utilizado nos Jogos de 2016 no Rio de Janeiro.

O símbolo dos Jogos consiste nas cores vermelho azul e verde, que são amplamente representadas nas bandeiras das nações. Cada cor está na forma de um Agito (que em latim significa “eu me movo”). Os três agitos circundam um ponto central, que é o símbolo para os atletas se reunirem de todos os pontos do globo.

(Foto: Alexandre Vidal/Divulgação)

Esportes

O IPC reconhece 28 esportes, sendo que um deles (dança esportiva em cadeira de rodas) não é disputado em Jogos Paralímpicos. A Organização Internacional de Esportes para Deficientes administra seis esportes, e outros 13 são administrados por federações internacionais próprias. 

Em 2010, houve uma atualização no programa dos Jogos e a canoagem e o triatlo foram adicionados. Ambos serão disputados pela primeira vez nos Jogos do Rio de Janeiro. 

Brasil

A primeira participação do Brasil nas Paralimpíadas aconteceu em 1972, nos Jogos de Heidelberg, na Alemanha, mas o país terminou a competição sem medalhas. O Brasil começou a ter destaque em 1984, em Stoke Mandeville, que foi a grande edição dos Jogos. Naquele ano, o país conquistou 7 ouros, 17 pratas e 4 bronzes, ficando na 24ª colocação no quadro de medalhas.

Desempenho nos Jogos Paralímpicos

1988 Seul: 4 ouros, 9 pratas e 15 bronzes – 25º lugar no Quadro de Medalhas
1992 Barcelona: 4 ouros, 3 pratas e 5 bronzes – 27º lugar no Quadro de Medalhas
1996 Atlanta: 2 ouros, 6 pratas e 13 bronzes – 37º lugar
2000 Sydney: 6 ouros, 10 pratas e 6 bronzes – 24º lugar
2004 Atenas: 14 ouros, 12 pratas e 7 bronzes – 14º lugar
2008 Pequim: 16 ouros, 14 pratas e 17 bronzes – 9º lugar
2012 Londres: 21 ouros, 14 pratas e 8 bronzes – 7º lugar

Nomenclatura

A adoção da nomenclatura “Paralímpicos” ou "Paralimpíada" foi uma solicitação do IPC para que o Brasil pudesse ficar igual a todos os outros países que utilizam a língua portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) como língua oficial. Apenas o Brasil utilizava a nomenclatura “Paraolimpíada".

(Foto: Paulo Mumia/Divulgação)