Mercedes e Ferrari dão bons sinais em testes, mas novo regulamento promete equilibrar forças em 2026

(Foto: Steven Tee/LAT Images)


Nos últimos anos era fácil apostar nos grandes protagonistas da F1: em 2024, Max Verstappen já chegou mostrando que defenderia o tetracampeonato. A McLaren, em 2025, também confirmou o favoritismo. Na temporada 2026, porém, o novo regulamento técnico da categoria promete bagunçar o grid, ainda que Mercedes e Ferrari tenham dado bons sinais nos testes.

Com a chegada de novas regras, tudo volta à estaca zero na F1, e as equipes possuem as mesmas oportunidades - para errar ou acertar. O exemplo recente mais marcante é da Mercedes, coadjuvante em 2013 e protagonista em 2014 quando a categoria adotou os motores V6 turbo. Antes, a Red Bull dominava, detentora de quatro títulos consecutivos liderada por Sebastian Vettel.

Atualmente, quem ocupa o posto de equipe a ser batida na F1 é a McLaren. O time acertou nas melhorias em seus últimos dois carros e levou os Mundiais de construtores em 2024 e 2025 No último ano, ainda fez de Lando Norris campeão.

No entanto, o time e o piloto inglês esbarram em uma F1 totalmente nova em 2026. A categoria promoveu diversas mudanças em seu carro, que está menor e com muitas novidades aerodinâmicas; e no próprio motor, mais sustentável, mais eletrificado e com novos mecanismos que prometem fomentar as disputas na pista.

Quem desponta em 2026?

As especulações em torno da Mercedes e da Ferrari começaram no shakedown de Barcelona, na Espanha, em janeiro. A equipe alemã completou impressionantes 500 voltas e começou a chamar atenção por seu motor - que, por sinal, está na mira da Federação Internacional do Automobilismo (FIA) após queixas das rivais por uma suposta brecha que lhe garantiria até 0s3 de vantagem.

A equipe também apresentou um bom ritmo nas duas rodadas de testes de pré-temporada no Bahrein. George Russell e Andrea Kimi Antonelli lideraram três dos seis dias de atividades no Circuito de Sakhir, embora a equipe tenha sofrido com dois problemas na unidade de potência e teve que trocá-las.

- Em termos de compreensão da ordem competitiva, eu diria que este teste confirmou que a Ferrari e a Mercedes parecem ser as equipes a serem batidas - declarou Andrea Stella, chefe da McLaren.

Antonelli ainda registrou a segunda volta mais rápida de toda a pré-temporada, 0s8 atrás do 1m31s992 de Charles Leclerc. E assim como em Barcelona, a escuderia foi a que mais andou: ao todo, 432 voltas.

As falas dos pilotos e chefes servem como termômetro neste início de temporada. Russell, na ocasião do lançamento oficial do W17 (carro de 2026 da equipe), declarou que a Mercedes está em sua melhor fase desde 2021, último ano em que disputou o Mundial.

Ferrari crava, Mercedes na frente e mais: os números da 2ª rodada de testes da F1

A Ferrari andou menos nos testes do Bahrein, completando apenas 324 voltas - mais de 100 atrás da Mercedes. Porém, o time completou uma extensa quilometragem de 444 voltas em Barcelona e, assim como a rival alemã, destacou-se nas simulações de corrida durante as sessões em Sakhir.

A escuderia italiana teve algumas questões; Hamilton sofreu uma falha com o chassi e em um teste de captação de combustível; ele se despediu dos testes tendo feito só cinco voltas na sessão matinal do quinto dia. Por outro lado, o time saiu do Bahrein com a volta recorde de toda a bateria de testes, registrada por Leclerc; além disso, ele ainda foi o mais rápido no segundo dia da pré-temporada.

Tudo indica que a Ferrari conseguiu fazer um bom trabalho com o carro, o SF-26, e o próprio motor, o que também teria colocado sua cliente Haas em um bom lugar no pelotão intermediário. Desde meados de fevereiro, Hamilton, Leclerc e o chefe Frederic Vasseur têm dado declarações muito positivas - o heptacampeão chegou a dizer que o espírito vencedor da equipe italiana está de volta.

A Ferrari ainda chegou no penúltimo dia de testes com uma solução inovadora: uma asa traseira que gira em 180º adicionais. A novidade gerou até brincadeiras por parte de Vasseur, que batizou o dispositivo de "Macarena".

Com as mudanças de regulamento passou a ser necessário acelerar o carro por mais tempo para manter altas as rotações do motor e garantir que ele esteja pronto pra partida. Os pilotos passaram a praticar as largadas no fim de cada dia de testes; em um deles, Hamilton disparou à frente dos demais. A Ferrari teria feito seu motor com um turbo menor, que diminuiria o atraso na resposta do dispositivo.

O último momento de protagonismo da Ferrari foi em 2022, quando Leclerc disputou com Verstappen; a Mercedes, por sua vez, não ocupa os holofotes desde a antológica rivalidade do holandês da Red Bull contra Hamilton em 2021. Ambas foram eclipsadas pela evolução da própria Red Bull, beneficiada com a introdução dos carros com efeito solo em 2022, e pelo posterior crescimento da McLaren.

E a atual campeã?

A McLaren chegou a ser a mais rápida no primeiro dia de atividades da F1, com Lando Norris. Após as sessões em Sakhir, Oscar Piastri, piloto do time, chegou a declarar que a pré-temporada foi tranquila para o time e que todos estão "um pouco mais otimistas". O australiano, porém, reforçou que a equipe não deve estar liderando o pelotão, embora possa ter potencial para estar na parte da frente da tabela.

As simulações de corrida indicam que a equipe de Woking pode estar andando perto das rivais bem-cotadas, embora seja difícil precisar em qual ordem o time esteja. A possibilidade da Mercedes ter acertado em seu motor também seria benéfica para a McLaren, que é cliente da montadora alemã.

Verstappen terá chances?

Sob comando do chefe Laurent Mekies, a Red Bull precisa adaptar-se ao seu novo motor: a equipe trabalha com a Ford, que reforça os trabalhos já desenvolvidos pela Red Bull Powertrains - a divisão de unidades de potência do time austríaco. As primeiras avaliações de Verstappen sobre a parceria foram positivas; mas apesar do ritmo otimista no Bahrein, a equipe andou pouco, o que preocupa.

Na tabela de voltas mais rápidas, a Red Bull aparece com a quarta, registrada por Verstappen. Quem levou a pior foi Isack Hadjar, novo colega do holandês: em um dia ele chegou a dar só 13 voltas com um vazamento de água no motor. Em outro, sofreu uma falha hidráulica e também não pôde pilotar.

O pelotão intermediário

Rumores apontam que a Haas viria com mais força dentre as equipes do meio do grid. Além do reforço com o motor Ferrari, o time foi o terceiro que mais andou em Sakhir - 404 voltas, 28 a menos que a Mercedes.

A Alpine também não deve estar muito atrás: reforçada com o motor Mercedes em uma parceria que substitui o antigo acordo com a Renault, a equipe chegou a registrar a quinta volta mais rápida dos testes. Nenhuma delas também teve problemas flagrantes ao longo das sessões.

A Williams, "melhor do resto" em 2025, chega sob alerta. A equipe perdeu o shakedown em Barcelona por atrasos na conclusão do carro e, embora tenha conseguido dar muitas voltas em Sakhir, o ritmo não se sobressaiu. A equipe ainda estaria enfrentando problemas com excesso de peso, chegando a 30 kg além do limite, mas a informação foi negada pelo chefe James Vowles.

A Audi de Gabriel Bortoleto, que assume o espólio da Sauber e produz seus próprios motores, sofreu bastante já no shakedown de Barcelona - com falhas hidráulicas e na caixa de câmbio. O diretor técnico Mattia Binotto declarou que o time possuía uma "lista muito longa" de problemas a resolver.

As quebras seguiram na primeira semana no Bahrein. Mas, na segunda rodada, o time pareceu ter adquirido mais estabilidade. A equipe alemã despediu-se das atividades com o sétimo melhor tempo e, nas palavras do próprio Bortoleto, conseguiu resolver praticamente todos seus entraves.

Cadillac e Aston Martin em baixa

A recém-chegada Cadillac e a Aston Martin saíram em baixa do Bahrein. A primeira sofreu com sucessivas quebras ao longo dos dias, com Valtteri Bottas e Sergio Pérez a bordo, além de ter dado só 266 voltas no decorrer dos seis dias.

- Somos muito realistas em relação ao desempenho e à dificuldade de gerar esse desempenho. Mas acredito que agora temos uma plataforma na qual podemos começar a avançar. Isso é o máximo que se poderia pedir de uma equipe nova, a não ser que aconteça um milagre - declarou o chefe Graeme Lowdon, após a primeira rodada da pré-temporada.

A situação da Aston Martin preocupa mais. Na primeira semana em Sakhir, Lance Stroll disse que a equipe estaria 4s atrás das rivais. O chefe de equipe recém-chegado e lendário projetista da F1, Adrian Newey, afirmou que ainda em 2025 eles estavam pelo menos quatro meses atrasados no projeto de 2026 - o que explica o fato do time ter perdido parte do shakedown em Barcelona.

Tudo que está ruim pode piorar. E no caso da Aston Martin, os problemas se agravaram na segunda semana em Sakhir: na quinta-feira, uma falha na bateria deixou Fernando Alonso parado no meio da pista e encerrou as atividades do time mais cedo.

No dia seguinte, Lance Stroll só conseguiu dar stints curtos e, após seis voltas, a Aston Martin decidiu empacotar suas coisas e deixar o Circuito de Sakhir - também pelo fato de já estar sem peças de reposição para o motor.

O problema do AMR26, modelo deste ano da equipe, não está apenas no carro - o primeiro projetado por Newey. O motor da Honda, nova parceira da Aston Martin que veio para substituir a Mercedes, peca em potência.

A marca teria sido prejudicada com pouca expertise e mão de obra pelo fato de, em 2021, ter encerrado parte de suas operações na F1 apesar de seguir como parceira da Red Bull Powertrains. A unidade de potência japonesa ainda estaria operando em uma rotação abaixo do ideal, embora Alonso tenha negado esta informação.

Na tabela de tempos do Bahrein, a Aston Martin divide as últimas colocações com a Cadillac; para completar, deu apenas 128 voltas no decorrer da pré-temporada, o que impede que o time colete dados necessários para estudar melhorias.

Globo Esporte