sexta-feira, 18 de maio de 2018

Promotoria abre inquérito para investigar caixa dois no Esporte

(Foto: Weber Sian)


O MP (Ministério Público) abriu inquérito para investigar um suposto caixa dois na Secretaria Municipal de Esportes na gestão do ex-secretário da pasta Layr Luchesi Júnior. A denúncia partiu da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara de Ribeirão Preto que investiga o que era feito com os recursos dos aluguéis do Parque Permanente de Exposições.

Além do inquérito, o promotor do Patrimônio Público, Sebastião Sérgio da Silveira, já informou que pretende ouvir Luchesi, que está preso na penitenciária de Tremembé por conta da Operação Sevandija. Para o promotor, os documentos obtidos apontam para um "possível desvio de recursos públicos".  

Uma lista, com sete perguntas, está elencada no inquérito. O promotor ainda explica que também vai apurar a deterioração da estrutura do Parque.  

Para o presidente da CPI, vereador Orlando Pesoti, o inquérito do MP era mais que necessário. "Precisamos saber porque recursos entravam no Esporte sem serem contabilizados no caixa da prefeitura", disse. 

O caso  

A Secretaria de Esportes possuía, entre 2015 e 2016, um tipo de caixa dois, abastecido com dinheiro em espécie oriundo do pagamento de aluguéis do Parque Permanente. Marcelo Enderlei Nunes, comissionado da secretaria, foi quem fez a revelação durante oitiva da CPI na Câmara.  

Marcelo esteve na pasta na gestão da ex-prefeita Dárcy Vera (sem partido) e retornou em março de 2017, na administração Duarte Nogueira (PSDB). 

As sete perguntas para Luchesi 

1 - Sobre a existência de contabilidade paralela de recursos arrecadados com aluguéis do parque;

2 - Explique como era feita a arrecadação dos recursos relativos aos aluguéis de áreas do parque; 

3 - Se os valores relativos aos aluguéis das áreas de estacionamento eram pagos em dinheiro;

4 - Se parte dos recursos arrecadados permanecia em cofre da secretaria, para pagamento de despesas diversas;

5 - Existência de arrecadação paralela, na qual os recursos não passavam pelo caixa da Prefeitura;

6 - Quem administrava os recursos que permaneciam no cofre da Secretaria; 

7 - Explicar o registro que consta em uma das planilhas com a inscrição Luchesi devolver R$ 5.500,00.

CPI vai ouvir Luchesi na Penitenciária de Tremembé  

A CPI também recebeu autorização para ir até a penitenciária de Tremembé ouvir o ex-secretário Layr Luchesi Júnior. O pedido de diligência foi deferido pela juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, que é corregedora das unidades prisionais do Vale do Paraíba e Litoral.  

"Queremos saber de fato. Ouvir do ex-secretário sobre as acusações que foram levantadas nas investigações", disse o vereador Orlando Pesoti (PDT). "A partir de agora, vamos conversar com a administração da penitenciária para definir data e horário da diligência", acrescentou. Além de Orlando, integram a CPI do Parque Permanente os vereadores Elizeu Rocha (PP) e Lincoln Fernandes (PDT). 

Agora no turismo  

Na atual gestão, o Parque Permanente passou a ser gerenciado pela Secretaria de Turismo. "Os recolhimentos dos valores referentes aos aluguéis são realizados pela Secretaria da Fazenda e publicados no Portal de Transparência", informou a Prefeitura. 

Defesa aponta que Layr Luchesi é inocente  

O advogado Fábio Boleta, que defende Luchesi, disse que ficou surpreso com o pedido de diligência da CPI. "Protocolei pedido de acesso aos autos da Comissão há meses, mas até hoje não recebemos respostas. O Luchesi, porém, vai colaborar com as investigações. É até bom que ele possa esclarecer", disse Boleta.  

Já sobre o inquérito do Ministério Público, o advogado disse que foi importante a abertura da investigação. "Todos os valores dos contratos que o Luchesi firmava eram recolhidos aos cofres públicos. O Luchesi não recebeu um centavo na mão dele", acrescentou Boleta, frisando que o ex-secretário jamais participou de caixa dois na administração da Prefeitura de Ribeirão Preto. 

Jornal A Cidade