sábado, 2 de dezembro de 2017

Santos suspeita que Corinthians esteja por trás de ação de Zeca na Justiça

 (Foto: Ivan Storti/Santos FC)


O Santos suspeita que o rival Corinthians esteja auxiliando o lateral-esquerdo Zeca a se desligar do clube. O Timão admite acompanhar o caso e ter interesse no jogador, mas nega qualquer envolvimento na ação que ele move na Justiça.

Desde que Zeca pediu a rescisão contratual, no fim de outubro, alegando falta de pagamento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), a diretoria do Peixe acreditava que ele poderia estar respaldado por outro clube. Com o tempo, o Corinthians passou a ser visto como o principal suspeito por diferentes motivos:

Luiz Felipe Santoro, advogado que presta serviços ao Corinthians, é sócio de Andreza Andries, que aparece como defensora de Zeca nas notificações desta ação;

O Timão busca um substituto para Guilherme Arana, vendido ao Sevilla;

A OTB Sports, empresa que cuida da carreira de Zeca, voltou a ter boa relação com a diretoria corintiana

Ao GloboEsporte.com, Santoro negou ter relação com a ação de Zeca:

– Há algum tempo, eu até brinquei com meus sócios que ainda seríamos ligados a isso. O que aconteceu é que fui procurado e indiquei a doutora Ana (Paula dos Santos), já que não cuido de causas trabalhistas.

Por e-mail, Andreza Andries reforçou tal versão:

– Informamos que o Zeca procurou nosso escritório, mas, como não atuamos na Justiça do Trabalho, indicamos a dra. Ana Paula dos Santos, que é a responsável pelo processo.

Especialista em Direito Desportivo, Santoro presta serviço a diversos outros clientes além do Corinthians. Porém, sua importância e influência no clube é reconhecida.

– Ele está na nossa linha de frente – afirmou Luiz Alberto Bussab, diretor jurídico do Timão.

O nome da advogada Ana Paula dos Santos não aparece nas notificações a Zeca no Diário da Justiça, apenas o de Andreza. Porém, como a ação contra o Peixe corre em segredo de justiça, não é possível saber se Ana Paula também é participante. Até a publicação desta reportagem, ela não havia sido localizada.

Novela

O Corinthians monitora de perto a situação de Zeca. Na última sexta-feira, o lateral obteve um habeas corpus no TST (Tribunal Superior do Trabalho) liberando-o para acertar com qualquer clube. O Timão acredita que a situação do jogador com o Peixe não será resolvida tão cedo.

Um dirigente do Corinthians ouvido pela reportagem do GloboEsporte.com na sexta-feira não mostrou confiança sobre a disputa ter um desfecho rápido.

– Essa novela está longe de acabar – disse.

O Palmeiras anteriormente também demonstrou interesse em Zeca.

O que pensa o Santos?

De acordo com o departamento jurídico do Peixe, houve uma liminar, mas não o julgamento do que motivou o processo – uma suposta dívida de fundo de garantia de 2014 e 2015 e a insegurança na rotina de trabalho do lateral-esquerdo após ameaças de torcedores.

Se o Santos vencer a ação, Zeca pode voltar a ter vínculo com o clube. O clube entrará com um recurso nesta segunda-feira para impedir a saída do jogador.

A diretoria santista promete ainda cobrar a multa rescisória de quem contratar o lateral. O Peixe avalia que o jogador abandonou o trabalho a partir do dia 26 de outubro, quando deixou de frequentar os treinamentos. O valor para romper o contrato é de R$ 50 milhões para clubes brasileiros e 50 milhões de euros (R$ 193 milhões) para o exterior.

As partes são unânimes em dizer que não há mais clima para Zeca voltar à Vila Belmiro. Assim, uma saída poderia ser negociar a liberação do atleta. Nos bastidores, o Santos se mostra aberto a receber jogadores e uma compensação financeira para abrir mão do lateral. Contudo, a eleição presidencial do Peixe, no próximo sábado, atrapalha o início de tratativas neste sentido.

Com a venda de Guilherme Arana ao Sevilla, da Espanha, o Corinthians trata a contratação de um lateral-esquerdo como prioridade para 2018, mas vem enfrentando dificuldades no mercado.

Entenda o caso

Zeca entrou na Justiça contra o Santos no dia 26 de outubro, pedindo uma liminar para rescindir o contrato. A alegação foi de falta de pagamento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de 2014 e 2015;

A liminar, a princípio, não foi aceita, e a Justiça mandou o Santos se manifestar. O clube alegou que o fundo de garantia foi pago por meio do Profut (o programa de refinanciamento de dívidas dos clubes) e ficaria à disposição quando o contrato acabasse, no fim de 2020;

Zeca tentou acelerar o processo e pediu nova liminar com mandado de segurança. Ele alegou que foi agredido por torcedores em aeroporto de São Paulo e que não se sentiu mais seguro para trabalhar. Tribunal também não aprovou;

No dia 21 de novembro, um juiz de primeira instância julgou a defesa do Santos e rejeitou a liminar do jogador;

Na última sexta-feira, o Tribunal Superior do Trabalho não julgou o caso, mas fez valer a Constituição, que permite que uma pessoa possa trabalhar onde bem quiser. Assim, Zeca pode acertar com outro clube, mas o Santos quer cobrar a multa por quebra de contrato. A audiência está marcada para abril.

Globo Esporte