domingo, 24 de julho de 2016

Austrália rejeita Vila da Rio-2016, e Eduardo Paes oferece canguru na porta

As Forças Armadas brasileiras iniciaram neste domingo (24) a trabalhar nas ruas do Rio de Janeiro, para garantir a segurança durante a Olimpíada (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)


O Comitê Olímpico da Austrália se recusou a entrar na Vila Olímpica da Rio-2016 neste domingo (24), data em que o aparato foi aberto às delegações esportivas, e foi buscar um hotel até que alguns problemas internos fossem solucionados. Autoridades locais, contudo, foram evasivas ao falar sobre os problemas encontrados por estrangeiros no equipamento. Eduardo Paes (PMDB), prefeito do Rio de Janeiro, chegou a fazer piada e disse que pretende colocar um canguru na porta para tentar fazer com que os representantes da Oceania mudem de ideia.

“A gente está aqui para receber bem os visitantes. Ajustes que tiverem de ser feitos vão ser feitos, e a gente vai ter toda a estrutura adequada. Como anfitriões, o que a gente quer é que todos se sintam em casa. O Brasil tem essa coisa de receber bem e de acolher, mas é uma mudança de muita gente ao mesmo tempo. É natural que você tenha algum tipo de ajuste a fazer, mas vamos fazer os australianos se sentirem em casa aqui. Estou quase botando um canguru na frente para pular na frente deles”, disse Paes na cerimônia de inauguração da Vila.

A expectativa do comitê organizador da Rio-2016 é receber até 14 delegações na Vila neste domingo. Entre as que chegaram inicialmente, contudo, houve reclamações sobre condições de higiene dos quartos, sanitários entupidos, vazamento de pias e até objetos que haviam sido furtados no interior das dependências. Ao site australiano “The Age”, o Comitê Olímpico da Austrália classificou o local como “inabitável”.

Construída na zona oeste da cidade, a Vila Olímpica da Rio-2016 tem 31 prédios e 3.604 apartamentos. O conjunto foi executado por empresas privadas a partir de um financiamento de R$ 2,33 bilhões da Caixa Econômica Federal e tem estimativa de render até R$ 3,6 bilhões com a venda dos imóveis – já há unidades à venda por até R$ 600 mil. A obra foi concluída no fim de junho.

A soma de números envolvidos na construção, estardalhaço em torno do gigantismo da Vila e data de entrega torna ainda mais estranha a reação das autoridades locais à lista de problemas detectados neste domingo. Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil) e do comitê organizador Rio-2016, chegou a dizer que é a melhor edição de Vila Olímpica da história.

“Há problemas de adaptação, mas nós vamos consertar isso. É um desafio enorme, mas nós estamos confiantes de que tudo será solucionado a tempo”, disse Paes. “Temos algumas coisas a corrigir ainda, mas temos tempo. Isso é normal”, adicionou Janeth Arcain, prefeita da Vila. “Não há nada aqui que nos desperte uma grande preocupação. São apenas ajustes internos”, completou Nuzman.

Revolta australiana

A chefe de delegação australiana, Kitty Chiller, apontou "problemas de vazamento, banheiros inacabados, cabos à vista, escadas sem luz e pisos sujos, que requerem limpeza profunda".

"Devido a diferentes problemas na vila, de gás, eletricidade e encanamento, decidi que nenhum integrante da equipe australiana será alojado no edifício que nos foi reservado. Água estava caindo pelas paredes, havia um forte cheiro de gás em alguns apartamentos e até curto-circuitos em cabos elétricos", denunciou a australiana.

"Deveríamos ter entrado na Vila no dia 21 de julho, mas ficamos em hotéis próximos, porque a Vila simplesmente não está segura, nem pronta", completou.

Com informações da AFP