sábado, 13 de agosto de 2016

Del Potro bate Nadal, derruba mais um gigante e faz final contra Murray

(Foto: TOBY MELVILLE/REUTERS)


Superar grandes obstáculos tem sido um desafio constante para o argentino Juan Martin Del Potro nos últimos tempos. Após três cirurgias no punho esquerdo – que o levaram a cogitar a ideia de abandonar o tênis –, ele chegou à Olimpíada como figurante. Logo em sua estreia, mesmo com as ofensas da torcida brasileira na quadra central do Centro Olímpico de Tênis e os gritos de incentivo ao adversário, derrubou Novak Djokovic, número 1 do mundo e principal candidato a uma medalha de ouro no Rio de Janeiro. Neste sábado à tarde, virou sobre outro gigante do esporte, Rafael Nadal, para alcançar a decisão nos Jogos e coroar sua recuperação. 

Sem se importar com o apoio dos brasileiros ao espanhol, Del Potro distribuiu golpes com muita potência e venceu Nadal por 2 sets a 1, com parciais de 5/7, 6/4 e 7/6 (5), em uma partida com contornos dramáticos.

Neste domingo, Del Potro, que ficou com a medalha de bronze na chave de simples em Londres, há quatro anos, tem um desafio duro na busca pelo ouro. Ele enfrenta o britânico Andy Murray, número 2 do mundo e atual campeão olímpico.

O Brasil é Nadal na quadra central
Algoz de Thomaz Bellucci no dia anterior, Nadal precisou de pouco tempo para reconquistar o carinho da torcida local. No aquecimento, já era possível perceber que Del Potro, a exemplo do que aconteceu nas partidas contra o sérvio Novak Djokovic e o português João Sousa, seria novamente perseguido pelos brasileiros.

Após o primeiro rali longo do jogo, vencido por Del Potro, os fãs argentinos, que, até então, estavam calados na arquibancada, entoaram seus cânticos pela primeira vez – e foram abafados com sonoras vaias na sequência. Mesmo sem um tenista da casa na quadra central, começava ali mais um capítulo da tensa rivalidade entre Brasil e Argentina, um dos destaques da Olimpíada até aqui.

No primeiro desafio que pediu, o tenista sul-americano ouviu um "chupa, Del Potro" quando o telão informou que sua bola realmente havia saído.

Estilos opostos
Nadal e Del Potro travaram um confronto de estilos no Centro Olímpico de Tênis. O espanhol baseia seu plano de jogo em muita correria, ralis longos no fundo de quadra e seu inconfundível efeito top spin no revés do adversário, enquanto o argentino busca a definição rápida dos pontos com muita potência nos saques e, sobretudo, nas direitas.

Foi justamente com uma pancada de direita que Del Potro quebrou o saque de Nadal logo no primeiro game da partida. O espanhol tentava explorar a esquerda de duas mãos do rival, castigada por três cirurgias no punho.

Sem perder a concentração, Nadal continuou fiel ao seu estilo e devolveu a quebra no sexto game. Conhecido por sua força mental, o ex-líder do ranking não desperdiçou a oportunidade que teve para abrir vantagem.

Com 6/5 no placar para o espanhol e saque de Del Potro, Nadal se defendeu com muita eficiência, surpreendeu o rival com uma bela passada em um ponto importante e viu o set terminar em um erro do argentino.

Del Potro reage no 2º set
Nadal começou o segundo set tentando cansar Del Potro. Ele trouxe o adversário para a rede em alguns pontos e tentou minar a movimentação do adversário, um dos pontos fracos do argentino de 1,98m.

Não acertar um primeiro saque sequer no terceiro game da parcial custou caro ao espanhol, que teve seu serviço quebrado e deu sobrevida ao argentino.

Distribuindo golpes firmes do fundo de quadra, Del Potro administrou sua vantagem, não deu chances para Nadal no segundo set e empatou o duelo após fazer 6/4.

O terceiro set permaneceu equilibrado até 4/4. Em um game decisivo, Del Potro castigou Nadal com sua direita e conseguiu sua primeira quebra de saque na parcial.

O espanhol não se abalou e venceu todos os pontos do game seguinte. Uma passada inacreditável levantou a torcida e fez Nadal bater com o punho fechado no peito, como se quisesse mostrar a seus fãs a raça que o acompanha desde o início da carreira.

Com 5/5, Nadal teve 0/40 em seu saque, mas saiu do buraco lutando muito. Com os ânimos à flor da pele em quadra, o árbitro se viu obrigado a pedir “respeito” aos dois jogadores. 

O tie-break foi um festival de belas jogadas dos dois lados. Logo após garantir a vitória épica, Del Potro se ajoelhou na quadra, beijou o símbolo olímpico e abraçou seus torcedores.

O argentino ficou por alguns instantes com um olhar incrédulo diante do público, como se não acreditasse em sua campanha heroica. Nada mais justo para quem se esforçou tanto para voltar a jogar em alto nível. 

Em 2009, Del Potro, então com 20 anos, ganhou prestígio no mundo do tênis ao superar o suíço Roger Federer na decisão do Aberto dos Estados Unidos para vencer seu primeiro – e, até hoje, único – Grand Slam.

Diferentemente de seus compatriotas, que preferem o saibro, ele obteve seus melhores resultados em pisos rápidos.

Apontado como um dos tenistas mais talentosos de sua geração, o argentino de 27 anos travou uma dura batalha contra as lesões. Del Potro passou por três cirurgias no punho esquerdo e chegou a cogitar a aposentadoria. Todo seu sofrimento durante a recuperação foi registrado em vídeos que o próprio atleta postava em suas redes sociais.

Ex-número 4 do ranking, Del Potro conquistou 18 títulos e hoje ocupa a 141ª colocação na lista da ATP. Ele luta contra seu próprio corpo para voltar a enfrentar de igual para igual os principais tenistas do circuito.

UOL Esporte