sábado, 6 de agosto de 2016

Olimpíadas começam com filas enormes e reclamação de torcedores

(Foto: Geraldo Bubniak/AGB)


O primeiro dia oficial de competições dos Jogos Olímpicos começou em desastre neste sábado (06). Torcedores interessados nos mais diversos esportes relataram filas gigantescas em vários locais de competição. A principal causa do problema foi o não funcionamento de alguns aparelhos de raio-x, equipamento que teve a operação mudada a poucos dias do início dos Jogos. 

Questionado sobre os problemas, o diretor de comunicação do Comitê Olímpico da Rio-2016, Mario Andrada, admitiu as falhas. “Tivemos problemas nos raio-x, especialmente no Parque Olímpico. Pedimos desculpas para quem espera debaixo do sol e nas filas, precisamos melhorar esta parte", reconhece Andrada, que garante ter tomado providências. "Informamos as autoridades, e colocamos funcionários da Rio-2016 para melhorar."

No Parque Olímpico, as revistas acontecem na entrada dos torcedores e não na entrada de cada arena. O local é sede de 16 modalidades olímpicas, de forma que os fãs com ingressos para todos os eventos ali realizados dividiam uma fila enorme, com cerca de um quilômetro.

No Centro Olímpico de Hipismo, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a situação era um pouco melhor, com filas de cerca de 200 metros.

Raio-x emperra e revistas são mal feitas
Torcedores levaram quase uma hora para entrar no Parque Olímpico, onde as revistas foram menos criteriosas do que se esperaria de um evento de grande porte. Máquinas de raio-x não funcionaram, o que obrigou seguranças a fazerem a revista manualmente.

Além de atrasar a entrada da torcida, o procedimento não teve a mesma cautela. Uma vez dentro do Parque, os fãs ainda tinham que esperar mais dez ou quinze minutos para adentrar nas arenas. Por isso vários jogos começaram com pouquíssimo público.

O problema não é novidade na Rio-2016, visto que o equipamento de revista por raio-x também não funcionou na última sexta-feira (05), na etapa classificatória do tiro com arco, realizada no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Handebol e Zanetti estreiam em arenas 'vazias'
Foi clara a influência das filas demoradas na estreia da seleção feminina de handebol. A partida contra a Noruega começou com pouquíssimos torcedores na Arena do Fututo, localizada dentro do Parque Olímpico. O local só ganhou bom público nos minutos finais do primeiro tempo.

A poucos metros dali, na Arena Olímpica do Rio, que recebe a ginástica, mais da metade das arquibancadas estavam desocupadas quando o atual campeão olímpico Arthur Zanetti fez sua apresentação nas argolas. O brasileiro é uma das grandes esperanças de medalha do Brasil, sendo um dos favoritos ao ouro.

Torcedores perdem quase jogo inteiro no vôlei de praia
A revista demorada também causou frustração na Arena do vôlei de praia, em Copacabana, onde torcedores reclamaram muito do atraso para entrar no local de competição.

A exemplo do que ocorreu no Parque Olímpico, as filas ali também passaram de um quilômetro de extensão. O local ainda recebia apenas metade da capacidade quando a dupla brasileira Alison e Bruno Schmidt entrou em quadra.

Muita gente perdeu todo o primeiro set e ainda havia pessoas chegando quando a dupla brasileira já estava a poucos pontos de vencer o jogo. Os organizadores alegam que os torcedores chegaram todos na mesma hora, o que atrasou a revista.

Trajetos de ônibus alterados de última hora
As falhas na organização chegam também à cobertura jornalística dos eventos. Vários ônibus credenciados para imprensa tiveram seus trajetos previstos alterados sem qualquer explicação. Isso atrasa não só a chegada dos jornalistas, mas também a entrada no Centro de Imprensa.

Em Deodoro, a desorganização foi tamanha que um ônibus credenciado entrou em uma zona proibida após ter seu percurso alterado.

Voluntários mal ou pouco preparados dão informações erradas sobre o transporte entre os locais de competição. Não há, por exemplo, ônibus que ligue o Centro de Hipismo ao Sambódromo, onde ocorrem disputas do tiro com arco neste sábado.

Presidente do COI vira as costas
Thomas Bach marcou presença na disputa do tiro com arco, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, onde saiu a primeira medalha da Rio-2016. Questionado sobre os problemas, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) optou por ignorar o assunto: virou de costas, balançou a cabeça negativamente e seguiu andando, cercado por seguranças. 

UOL Esporte