segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Sem certeza de investimento, Brasil vê surgimento de promessas e realidades para 2020

(Foto: Getty Images)


O Brasil teve sua maior participação em uma Olimpíada no Rio 2016, com a conquista de 19 medalhas, sendo sete de ouro. Mas o sucesso em Tóquio 2020 ainda é um mistério. De um lado, a incógnita dos investimentos na área. De outro, novas promessas.

Semanas antes do início dos Jogos cariocas, o Ministério do Esporte interrompeu a negociação de apoio a projetos após a Olimpíada do Rio de Janeiro, com a suspensão de um edital de R$ 150 milhões. A iniciativa havia sido aprovada por Dilma um dia antes de ser afastada.

O objetivo do investimento era, por sinal, garantir verba do governo nos esportes olímpicos mesmo depois do fim do Rio 2016, que acabou neste último domingo. A suspensão do edital por parte do ministro Leonardo Picciani revoltou confederações.

Outro ponto que ainda não sabe o futuro é o Bolsa Pódio, dado a 220 esportistas de alto rendimento, a mais alta categoria do Bolsa Atleta. Os valores pagos aos esportistas variam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil, dependendo de sua relevândia.

Dos 19 esportes medalhistas brasileiros no Rio, 17 eram agraciados pela iniciativa - a exceção era Maicon Siqueira, do taekwondo, e o futebol masculino. Entre 2012 e 2016, o governo colocou R$ 413 milhões no Bolsa Atleta, contra R$ 183 milhões que haviam sido investido para os Jogos de Londres.

Dos 465 brasileiros que competiram na Olimpíada, 358 eram beneficiados pelo programa que agora não sabe se vai continuar vivo para Tóquio 2020.

Assim, cada vez mais o Brasil se agarra às promessas que já existiam, mas ganharam maior visibilidade no Rio 2016. Flávia Saraiva, 16 anos, na ginástica, torna-se uma das grandes esperanças para os Jogos de Tóquio, por exemplo, assim como Rebeca Andrade.

Isaquias Queiroz, com duas pratas e um bronze na canoagem, tem tudo para ser protagonista em 2020. Com apenas 22 anos, ele virou o maior medalhista brasileiro em uma única edição olímpica na história.

O mesmo pode acontecer com Thiago Braz. Ouro no salto com vara com apenas 22 anos, o atleta tem tudo para retornar em Tóquio no auge, já que estará na idade aproximada em que atletas vivem seu auge físico.

Ouro no vôlei de praia, Alison e Bruno Schmidt devem ter mais um ciclo olímpico para defender sua medalha. Maicon Siqueira, bronze no taekwondo, tem apenas 23 anos.

Martine Grael e Kahena Kunze, 25 anos, também tem tudo para se manter no topo por mais algumas Olimpíada, após o ouro no Rio 2016.

Um dos pontos que pode vir a ser crucial para a sequência do esporte no Brasil vem das Forças Armadas. Afinal, 139 dos 469 brasileiros no Rio eram ajudados - sendo 12 medalhistas - e devem continuar sendo. O programa investa R$ 18 milhões por ano e acaba sendo uma das principais seguranças dos atletas nesse cenário.

"A gente faz parte de um programa das Forças Armadas. No nosso caso, é da Marinha. É um programa incrível, que ajuda atletas de alto rendimento e também de base. Eles ajudam vários tipos de categoria e apoiam a gente com estrutura, no nosso caso poderíamos treinar lá, apoiam como profissionais, poderíamos usar fisioterapeutas, psicólogos militares, recebemos também apoio financeiro deles. Então somos muito gratas às Forças Armadas, em especial à Marinha, é nosso segundo ano com eles, e é incrível poder contar com o Ministério da Defesa do Brasil também nos esportes", disse Ágatha, prata no vôlei de praia.

ESPN