quinta-feira, 2 de junho de 2016

Crise na Ferrari envolve críticas a Vettel, pneus e desconfiança de rivais

(Foto: Mark Thompson/Getty Images)


"O carro está piorando", reclamou Sebastian Vettel via rádio logo após a classificação para o GP de Mônaco. O alemão tem tentado manter o otimismo nas últimas corridas, mas não esconde a decepção de ver a Ferrari perdendo terreno para a Red Bull, especialmente nas decisões do grid de largada.

Afinal, a expectativa ferrarista antes do início da temporada era tentar ameaçar o domínio da Mercedes. Porém, desde que liderou a primeira etapa, na Austrália, o alemão vem colecionando uma série de decepções. Após seis etapas disputadas no campeonato, é apenas o quinto colocado e já tem 46 pontos de desvantagem em relação ao líder Nico Rosberg, enquanto a equipe Ferrari só tem nove pontos de vantagem em relação à Red Bull e viu a diferença cair significativamente nas últimas duas provas.

A pressão da imprensa italiana já começou. Após o GP de Mônaco, o Corriere della Sera disse que Vettel "é uma sombra triste em relação ao piloto que tomou as rédeas da Scuderia ano passado".

Para a Gazzetta dello Sport, por sua vez, Vettel está "assumindo uma culpa que não é sua", pois o alemão "está lutando com um carro com o qual não dá para liderar corridas e contra uma Maranello fora dos trilhos."

Problemas com os pneus

Já começou pressão para que Maurizio Arrivabene, chefe da equipe, saia do comando. Mas o dirigente vem preferindo apontar o dedo para os rivais, dizendo que Toro Rosso, Red Bull e Mercedes estariam "jogando com as pressões dos pneus e poderia ser interessante se conseguissem identificar isso", referindo-se a uma reclamação que começou na McLaren a respeito de um sistema com o qual estas equipes estariam burlando as pressões mínimas reguladas pela Pirelli. O mau funcionamento dos pneus seria a principal causa da falta de rendimento da Ferrari em classificações.

"Foi a história de Barcelona e também de Mônaco", disse Arrivabene. "O problema é sempre a tarde de sábado, tem a ver com como nosso carro trabalha os pneus. Temos de tentar compreender, porque é absurdo que um carro tenha um desempenho no Q1 e no Q2 e depois seja incapaz de repetir no Q3. Falamos sobre a janela operacional dos pneus, mas estamos analisando o que acontece."

Para o italiano, as classificações ruins fazem com que a Ferrari acabe "encarando problemas que não são nossos" na corrida, lutando com carros inferiores. "Olhe o que aconteceu em Mônaco: para recuperar posições, tivemos de adotar uma estratégia agressiva que nos colocou atrás de Felipe Massa - que não deveria ser nosso rival. A estratégia foi certa, mas é uma escolha que não teríamos de fazer se a classificação fosse melhor."

Além de resolver os problemas com as pressões dos pneus, a Scuderia planeja introduzir mais uma evolução de seu motor na próxima etapa, no Canadá, dia 12 de junho. A única dúvida é se será necessário gastar fichas de desenvolvimento para fazer a atualização.

UOL Esporte