Crise na CBF: Fifa vê com preocupação a volta ao palco de Ricardo Teixeira e Del Nero

(Foto: Reprodução)


Foi muito mal recebida na Fifa a notícia de que a CBF passa por uma nova crise. Como o ge informou nesta quarta-feira, a confederação atravessa um momento delicado desde que uma funcionária se licenciou por motivos de saúde, há três semanas.

De acordo com pessoas com conhecimento da situação, ela tem provas de desvios de comportamento do presidente da entidade, Rogério Caboclo. Procurada desde domingo para comentar a situação, a CBF preferiu não se pronunciar.

Para a Fifa, tão ruim quanto a situação em si, que ainda é nebulosa, foi a repercussão do fato de que Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero voltaram ao palco principal do futebol brasileiro. Os dois são considerados símbolos da “velha Fifa”, marcada por escândalos de corrupção, uma imagem da qual a administração de Gianni Infantino — eleito em 2016 e reeleito em 2019 — faz de tudo para se livrar.

Ricardo Teixeira renunciou aos cargos que ocupava no futebol em março de 2012. Seis anos depois, Del Nero foi banido pela própria Fifa de todas as atividades relacionadas a futebol.

Embora a influência da dupla seja conhecida, a cúpula da Fifa em Zurique se surpreendeu de maneira negativa ao saber que Teixeira e Del Nero participam das conversas que definem o futuro do comando do futebol brasileiro. Oficialmente a Fifa não comenta o caso.

Os dois brasileiros foram denunciados pelo Departamento de Justiça dos EUA em 2015, na maior investigação sobre corrupção no futebol já realizada. Teixeira e Del Nero negam as acusações — basicamente as mesmas que levaram José Maria Marin, também ex-presidente da CBF, a ser julgado, condenado e preso nos EUA.

Como estavam em território brasileiro no momento em que foram indiciados, Teixeira e Del Nero nunca foram presos. O Brasil não extradita seus cidadãos.

Ricardo Teixeira foi eleito presidente da CBF em 1989, com o apoio do então sogro e então presidente da Fifa, João Havelange. E renunciou a todos os cargos que ocupava em 2012, em meio a denúncias dentro e fora do Brasil.

Teixeira foi sucedido por José Maria Marin, o vice mais velho da CBF, que comandou a entidade sempre em parceria com Marco Polo Del Nero. Um dos principais delatores do “Caso Fifa”, o argentino Alejandro Burzaco, que relatou pagar subornos aos dois, descreveu Marin e Del Nero num tribunal americano como “gêmeos siameses”.

Del Nero assumiu a presidência da CBF em 2015 e dois meses depois viu o “Caso Fifa” estourar. Durante três anos, ele não saiu do Brasil para não correr o risco de ser preso e enviado para os Estados Unidos.

Nesse período, recebeu Gianni Infantino para uma visita na sede da CBF. O presidente da Fifa ganhou uma camisa da seleção brasileira e posou sorridente ao lado de Del Nero. Mais tarde, o presidente da Fifa admitiria a interlocutores que se arrependeu de ter tirado a foto.

Em abril de 2018, depois de ter garantido a eleição do aliado Rogério Caboclo, Del Nero foi finalmente banido pela Fifa. Ele recorre dessa decisão.

Globo Esporte

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