Evento gratuito no Dia Internacional contra LGBTfobia reúne atletas trans em São Paulo

(Foto: Divulgação)


No Dia Internacional Contra a LGBTfobia, 17 de maio, São Paulo irá receber um torneio que usa o futebol como ferramenta de transformação social. O Torneio contra a LGBTfobia no Futebol, promovido pela Nix Diversidade, organização sem fins lucrativos que completa 25 anos de atividades, em parceria com coletivos esportivos LGBTQIA+, propõe um movimento direto: ocupar as quadras e arquibancadas para afirmar que o esporte mais popular do país, o futebol masculino, também precisa ser um espaço onde homens trans possam jogar sem precisar manter sua sexualidade em sigilo. 

O evento com quatro times será gratuito e aberto ao público, no Centro Esportivo Jogue Mais, na Vila Monumento, 14h às 18h,e promoverá mais do que partidas: será também um ponto de encontro entre esporte, diversidade e informação. Durante a programação, o público poderá conhecer de perto coletivos que integram o projeto Diversidade no Esporte, conversar com atletas e integrantes das equipes e entender como funcionam os treinos e atividades regulares. Participam da ação grupos como Spartanos Jr, Instituto Meninos Bons de Bola, Pogonas, Trans no Corre, Angels Volley e Real Centro, que atuam em modalidades como futsal, corrida, vôlei e fut7. Também será possível realizar inscrições presenciais para quem deseja começar a treinar, especialmente pessoas trans, que poderão integrar coletivos esportivos estruturados para garantir acolhimento e permanência. A escolha da data não é simbólica por acaso. Em 17 de maio de 1990, a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.

Três décadas depois, o acesso ao esporte ainda é atravessado por exclusões. Dados do estudo “Diversidade & Inclusão no Esporte”, desenvolvido pela Nix, mostram que 42,8% das pessoas LGBTQIA+ não têm acesso à prática esportiva. Diante desse cenário, os coletivos criados pela própria comunidade surgem como resposta direta à exclusão estrutural. Segundo levantamento nacional realizado pela organização, o Brasil conta hoje com mais de 250 coletivos esportivos LGBTQIAPN+, reunindo cerca de 6 mil atletas amadores.Para muitas pessoas trans, o afastamento do esporte começa ainda na infância, em ambientes que impõem divisões rígidas de gênero e geram constrangimento e exclusão. Ao longo da vida, esse processo frequentemente leva ao abandono completo da prática esportiva. Nesse contexto, os coletivos cumprem um papel essencial: criam espaços onde é possível voltar a jogar, treinar e competir sem abrir mão da própria identidade. O Diversidade no Esporte é realizado com patrocínio do banco Itaú, por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte (Lei nº 11.438/2006), do Ministério do Esporte, Governo Federal. A Nix Diversidade também tem parceria com a Nike desde 2022 focada no desenvolvimento do esporte LGBTQIA+.