quarta-feira, 25 de maio de 2016

Dólar alto faz natação brasileira desistir de preparação nos EUA à Rio-2016

(Foto: Satiro Sodré/SS Press)


A CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) desistiu de levar a equipe nacional de natação para os Estados Unidos na reta final de preparação para os Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro. A viagem de aclimatação era o cenário ideal imaginado pela entidade e vinha sendo alinhavada desde o ano passado, mas acabou descartada por uma questão de economia. Quatro alternativas são consideradas agora (Fortaleza, João Pessoa, Salvador e São Paulo), e o prazo final para a definição é o fim da próxima semana.

A ideia de levar os nadadores para os Estados Unidos era alicerçada em três explicações. O fuso horário condizia com o que a CBDA queria para os atletas, alguns dos principais nomes do país já treinam por lá e as piscinas disponíveis no Brasil não têm nível similar de estrutura.

O fuso horário, por mais estranho que possa parecer, é o mais problemático. As sessões finais da natação na Rio-2016 têm início previsto para 22h (de Brasília), faixa pouco usual para competições de natação de alto nível. Atletas têm organismo ajustado para atingir o ápice físico mais cedo do que isso, e o COB (Comitê Olímpico do Brasil) tem feito um trabalho coordenado com confederações para que os atletas se adaptem mais rápido a uma situação similar ao que terão na Olimpíada.

No caso da natação, uma das estratégias da CBDA seria levar o time para Los Angeles, que hoje tem quatro horas de diferença em relação ao Rio de Janeiro. Portanto, atletas fariam uma transição mais suave e antecipariam a adaptação às competições noturnas.

Os treinos nos Estados Unidos seriam realizados entre os dias 24 de julho e 2 de agosto, e a escolha do país também facilitaria o deslocamento dos nadadores que já treinam por lá. Nomes como Bruno Fratus e Marcelo Chierighini, que vivem na América do Norte, estão entre os atletas com agenda mais apertada na natação nacional.

Contudo, a questão financeira levou a CBDA a reconsiderar. Com o dólar em alta, a entidade começou a estudar ainda no fim do ano passado uma alternativa que servisse como paliativo. As piscinas do Brasil, cuja estrutura era reprovada anteriormente, voltaram a ser consideradas.

A CBDA trabalha atualmente com uma lista quádrupla. A entidade já vistoriou João Pessoa e São Paulo, tem um funcionário em Fortaleza nesta semana e deve avaliar Salvador nos próximos dias. Na capital paulista, o local escolhido pela instituição é o Centro Olímpico, na Avenida Ibirapuera.

As opções do Nordeste têm vantagem logística (o deslocamento dos atletas entre hotel e local de treinamento seria mais simples, por exemplo). Em contrapartida, existe uma diferença climática considerável entre as três cidades avaliadas e o que os nadadores encontrarão no Rio de Janeiro em agosto.

“Precisamos fechar no início de junho para fazer as reservas. Estamos avaliando, mas o que vai pesar agora é a estrutura. Queremos algo que atenda a tudo que a seleção necessita na preparação”, disse Ricardo de Moura, diretor-executivo da CBDA.

UOL Esporte