sexta-feira, 6 de maio de 2016

Na linha de sucessão da Red Bull rumo à F-1, brasileiro celebra 'segurança'

(Foto: Reprodução UOL Esporte)


A dança das cadeiras entre Max Verstappen e Daniil Kvyat nas duas equipes de propriedade da Red Bull é mais uma das provas de que a empresa de energéticos pode ser ao mesmo tempo a melhor porta de entrada para os jovens pilotos - e também a mais cruel delas. O piloto russo, após desapontar a cúpula do time principal no início de 2016, vai dar lugar à estrela em ascensão Max Verstappen a partir do próximo GP, na Espanha. E quem está assistindo de camarote o que pode ser um golpe duro para a carreira e Daniil e a grande chance de Max é o brasileiro Sergio Sette Câmara.

Prestes a completar 18 anos, o mineiro é teoricamente o segundo na linha sucessória do programa de desenvolvimento de pilotos da Red Bull, no qual ingressou no final do ano passado. Dos quatro membros atuais, só tem menos experiência que o francês Pierre Gasly. Morando na Espanha e disputando sua segunda temporada na Europa, na F-3 Europeia, o piloto aposta na parceria que levou Kvyat e Verstappen, além de outros destaques dos últimos anos, como Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo, para chegar à F-1.

"Se eu mostrar um grande trabalho, a tendência é que as portas se abram porque sabemos que a Red Bull é a equipe que mais leva pilotos para a F-1. Muitos pilotos têm bons resultados, são campeões das categorias de base, e vemos que eles acabam não entrando na F-1 porque não estão inseridos em um programa como este. Eles realmente gostam de movimentar os pilotos dentro da F-1 e isso motiva muito porque você sabe que, se você fizer um trabalho bom, a oportunidade vai aparecer", explicou Sette Câmara em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

"Estar na Red Bull ajuda em vários aspectos, um deles é o simulador. Todo mundo sabe que o automobilismo é um esporte em que você não treina muito pelo custo alto. Jogador de futebol, nadador, atleta, todos praticam seu esporte quase todos os dias. Então ter um simulador tão realista faz com que você chegue mais preparado nas corridas e ganhe muito tempo", disse o piloto. "Outro ponto é que você tem contato direto com gente que trabalha dentro do circuito da F-1 - e ainda mais dentro de uma equipe muito grande. Eles têm grande experiência de vida e também técnica de trabalho e falar com eles é importante."

Porém, o exemplo recente de Kvyat deixa claro que, ao mesmo tempo em que promove a chegada de novos talentos à Fórmula 1 em larga escala, a Red Bull não costuma ter muita paciência com pilotos que não geram resultados. Sebastien Buemi, Jaime Alguersuari e Jean Eric Vergne foram alguns dos que ficaram pelo caminho. Justamente por este temor, inclusive, outro brasileiro, Felipe Nasr, desistiu de um contrato com a Red Bull em 2010, quando ainda estava na F-3 Alemã. "Se você entra em uma Red Bull, tem de lidar com outros cinco, seis pilotos que estão brigando pela mesma vaga que você", defendeu Nasr em ao site TotalRace em 2011. "Eles poderiam ser uma boa escolha até o momento de você chegar em uma World Series, GP2, GP3 porque lhe colocam na hora que quiserem mas, quando chegar na F-1, onde eles vão lhe colocar?"

Sette Câmara, por sua vez, não tem o mesmo temor. "Não sei porque ele tomou a decisão, pode ter sido por muitos motivos diferentes. Também não vou dizer que foi a decisão certa ou errada porque, querendo ou não, ele está na F-1 hoje, já no segundo ano [pela equipe Sauber. No meu caso, não tenho esse medo, porque a Red Bull é a única que eu vejo colocando piloto novo na F-1. As outras que eu vejo colocam piloto que paga muito dinheiro e isso nem sempre é fácil de encontrar. Então me dá muita segurança de que, eu mostrando resultado, a porta pode abrir. Não é certeza, nada é certo, mas dá segurança."

Após duas etapas disputadas da F-3 europeia, Sette Câmara obteve dois quintos lugares como melhores resultados e ocupa a nona colocação no campeonato. A próxima etapa será em Pau, na França, entre 13 e 15 de maio.

UOL Esporte